Singularidades de uma Rapariga Loura

Ficha técnica


País


Sinopse

Numa viagem de trem, Macário conta a uma desconhecida sua história de amor. Ele não tem autorização de seu tio para se casar com a moça a que ama. Mais tarde, agora rico, ele recebe a autorização de seu tio, mas só então descobre algumas singularidades sobre sua amada.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

11/05/2011

Inspirado num conto de Eça de Queirós de 1874, o centenário diretor português Manoel de Oliveira é capaz de invocar neste Singularidades de uma rapariga loura extremamente enxuto a velha sedução da arte de narrar. Há um indiscutível (e assumido) ar nostálgico na saga de Macário (Ricardo Trêpa), o jovem desiludido de amor que está no centro dos acontecimentos. Mais nostálgica ainda é esta visão do amor e da decepção, que vibra de uma maneira tão menos efusiva, mas nem por isso menos sentida, do que em nossos dias.
 
Manoel de Oliveira é um passageiro de outras eras, de outras visões do cinema – e também de outras possibilidades da arte. Pela visão de Manoel, há mais proximidade entre a literatura e o cinema do que admitem cineastas mais jovens. Seus filmes, como este, nada mais fazem do que comprovar que o cinema é também isto – ainda que não só.
 
A trama é um primor de concisão e realismo. Macário, jovem pobre, vem trabalhar como contador com o tio Francisco (Diogo Dória), dono de uma casa comercial. Compensa com seu esforço e dedicação o favor do parente mais rico, extremamente rígido e de poucos afetos. Tímido e solitário, Macário encanta-se por uma bela moça que vê da janela – Luísa (Catarina Wallenstein).
 
Pela troca de olhares, sustenta-se a paixão, que cresce e transpõe, aos poucos, a distância entre as duas janelas e as convenções da época. O tio não vê com bons olhos estas mudanças de comportamento do sobrinho. Nega-lhe consentimento para casar, o que leva Macário a procurar trabalho mais lucrativo em Cabo Verde. Na volta, as coisas se ajeitam, mas o destino prepara algumas surpresas.
 
Leonor Silveira, habitual atriz de filmes de Oliveira (Um Filme Falado, Vale Abraão), é a senhora que ouve, num trem, o relato sentido de Macário, anos depois do acontecido. Sua função na história, que reflete a do público, é a de confidente e interrogadora, acolhendo o protagonista para compartilhar suas dores. Pequena jóia, Singularidades de uma rapariga loura concretiza sua função de nos levar a reaprender a ouvir e reencontrar o encanto das pequenas coisas que, afinal, decidem os destinos.  

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 28/05/2011 - 19h52 - Por Maurício Vi o filme com uma amiga e não gostei. História desconexa e a linguagem não me parece de cinema, atores que parecem figurantes (o garçom que explica os souvenires de Eça nas prateleiras não tem qq expressão). O final é estranhíssimo e ninguém entendeu, a platéia toda riu em descrença. Parece terminar no meio.

    Não gostamos nem um pouco e acho que tema tão rico podia ter sido explorado de forma bem melhor.
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