O retrato de Dorian Gray

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Sinopse

Dorian Gray volta à Londres, depois da morte do avô, e conhece um novo círculo de amigos. A sua ingenuidade é, aos poucos, transformada em perversão com ajuda de um lorde. No entanto, o rapaz numa envelhece ou sofre as consequências de seus atos. Isso acontece apenas com um misterioso retrato dele.


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Crítica Cineweb

24/03/2011

O famoso romance de Oscar Wilde, O Retrato de Dorian Gray, publicado no final do século XIX, ganha uma versão para as sensibilidades juvenis contemporâneas – leia-se, o público consumidor de Crepúsculo. Não, Dorian não foi transformado num vampiro casto e romântico – mas faltou pouco para isso. Na interpretação de Ben Barnes (o príncipe Caspian da série As crônicas de Nárnia) faltam carisma e sensualidade, sobram olhares vagos e inexpressividade.
 
O diretor é Oliver Parker, que já levara duas peças cômicas de Wilde para o cinema com O marido ideal (1999) e Armadilhas do coração (2002) – o primeiro, com bons resultados; o segundo, nem tanto. Em O retrato de Dorian Gray, há uma vontade de reinvenção, mais do que encenação da obra original. Por isso, o filme compreende um período de tempo bem mais longo, adaptando personagens e ações.
 
Parker dirige no limite, transitando entre o que acredita ser sensual, mas que eventualmente cai no grotesco – só para ganhar rótulo de ousadinho. Bebedeiras e orgias dão o tom para a vida do jovem rico e entediado Dorian, que vai morar em Londres depois de receber uma herança. Seu retrato é pintado por Basil (Ben Chaplin, de O novo mundo) e torna-se amigo do Lorde Henry Wotton (o recém-oscarizado Colin Firth, protagonista de O discurso do rei), um sujeito de moral duvidosa e comportamento dúbio.
 
Há uma inegável atração entre Dorian e Wotton, que nunca se consuma de forma direta. No filme, isso é bastante contido, existe apenas na troca de olhares, nas indiretas do lorde, quase nunca compreendidas pelo outro, que se apaixona por uma atriz pobre e vive sua primeira grande decepção amorosa. Depois disso, o protagonista leva uma vida desregrada, com uma mulher diferente a cada noite – quando não várias.
 
O roteiro, assinado pelo estreante Toby Finlay, interessa-se mais pelos elementos góticos do que por qualquer ruminação filosófica que o material ofereça. O sangue jorra desnecessariamente em alguns momentos do filme, em que pouco se pensa e muito se faz.
 
Pela ótica do diretor e do roteirista, Dorian assume feliz seu destino de jamais envelhecer – enquanto a figura do misterioso quadro pintado por Basil acumula seus pecados. Já os outros personagens, envelhecendo a cada dia, também não parecem muito intrigados quando veem o velho amigo com o mesmo aspecto jovial de sempre.
 
Ao fim, restam alguns sustos, muito sangue e uma sensualidade sem muito charme. Fora o nome, o Dorian Gray de Parker parece ter muito pouco em comum com aquele de Wilde – esse sim, um imortal em vários sentidos.

Alysson Oliveira


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