Sucker punch - mundo surreal

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País


Sinopse

A mãe de Baby morre e seu padrasto, enfurecido porque a mulher deixou seus bens para as duas filhas, reage com violência e mata a caçula. A mais velha, Baby, é internada num hospício. Para defender-se da realidade brutal, ela cria um mundo imaginário e fascinante, repleto de jogos de guerra e sonhos de liberdade.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

22/03/2011

Para definir este filme a partir de referências cinematográficas, digamos que se trata de uma espécie de cruzamento de As meninas superpoderosas – sem recorrer à animação – com Garota, interrompida. Como vai um pouco além da mistura, chega a ser uma aventura dark situada no universo do videogame.

Por encontrar-se nesse universo do game (o que é notório a partir do nome), o que se observa são personagens unilaterais, sem nuances – por mais que seja inevitável simpatizar com as meninas Baby (Emily Browning), Sweet Pea (Abbie Cornish), Rocket (Jena Malone), Blondie (Vanessa Hudgens) e Amber (Jamie Chung), todas elas prisioneiras de uma espécie de bordel de luxo, em que os administradores são um tantinho sádicos.
 
Na verdade, o bordel é imaginário – faz parte dos delírios de Baby, a pobre menina órfã internada num hospício pelo padrasto (Gerard Plunkett), para ficar com seus bens, depois de ter-se livrado da mulher e da outra filha. E o fato de sabermos disso não tira a graça do filme. Muito pelo contrário, até porque sua maior sedução está nesse visual surreal dos sonhos bizarros da menina, que foge da realidade bruta para esse universo repleto de cenários de guerra.
 
Como se trata de imaginação, tudo é possível – inclusive misturar épocas e armas e contar sempre com a ajuda de um sábio (Scott Glenn), que por vezes aparece como um mestre zen, em outras como um piloto de século XX de casaco de couro.
 
Para que a fantasia funcione, o jogo define que Baby está dançando para os demais habitantes do hospício/bordel – o que dá o start para suas loucas fantasias, compartilhadas pelo público, que só vê o que ela vê, como ela vê. O mundo exterior só aparece no começo e no final.
 
Essa meninas valentes, em figurinos sexy – embalando as fantasias do diretor e corroteirista Zack Snyder, visando uma platéia masculina adolescente, sem dúvida – certamente estimulam uma torcida a seu favor. Mas imaginar Sucker punch – mundo surreal como uma fantasia feminista é fora de propósito. Na verdade, esse é o marketing da coisa. Se alguém tiver alguma dúvida, é só prestar atenção no longo e meloso discurso edificante do fim, que, de novidade, só tem uma – depois da velha psicologia de botequim, agora existe a psicologia de videogame. Todas as duas, rasas de doer. Mas, como filme-videogame, vá lá, pode ser divertido.

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 24/03/2011 - 15h42 - Por Gustavo Pereira Vi a critica no Techtudo da Globo.com e vim aqui comentar.

    Psicologia de videogames são rasas de doer? Certamente a autora da crítica imagina que games são apenas aqueles com bichinhos fofinhos e esquece (ou nbão sabe) que existem jogos com temáticas mais complexas como Silent Hill e Metal Gear Solid. Quando jogarem esses games, entenderão que nem todos os games tem psicologia rasa como a autora diz.
  • 24/03/2011 - 16h42 - Por Neusa Barbosa Caro Gustavo:

    Não sou especialista em games.

    Meu comentário vem no sentido da psicologia rasa da maioria dos filmes como este, que mostram personagens ultra-unilaterais, sem nuances.

    E aqui, para piorar, com uma mensaginha edificante no final...

    Eu nem digo que se aplica a tudo e a todos. Só a este aqui e a alguns outros filmes a que assisti.

    abs

    Neusa
  • 25/03/2011 - 11h19 - Por Gustavo É fato que filmes baseados em games ou com referências de games se utilizam mais da parte visual que os games possuem do que de outras partes, como roteiro e etc. Talvez a psicologia de doer sejam as de filmes com referência/baseados em games e não a psicologia de game em si.

    Infelizmente, a indústria de cinema ainda não está totalmente familiarizada com a temática gamer, por isso que os filmes não saem tão legais quanto daqueles baseados em livros por exemplo. Mas isso já foi pior, pelos últimos lançamentos, acredito que essa relação tende a melhorar.

    Fico agradecido pela resposta dada, é bom quando os autores respondem os leitores =)
  • 25/03/2011 - 13h36 - Por Neusa Barbosa
    Oi Gustavo:

    também agradeço seu comentário, vc fez uma boa observação: talvez não haja mesmo tanto cuidado na adaptação dos games como há na de outros materiais, como livros, e venha daí a superficialidade que eu sinto aqui, como em vários outros filmes que visitam esse universo e só se preocupam,realmente, com a parte visual.

    volte sempre a comentar o que vc quiser, a gente costuma responder!

    abs

    Neusa
  • 16/07/2011 - 23h14 - Por Ellacy Adorei o visual do filme muitos efeitos o que me vale lembrar de um professor de Psicologia que uma vez disse que os filmes de hoje são regados a efeitos para que possamos nos desligar da realidade e sociedade em que vivemos,com isso posso citar também uma professora de História que me disse sobre as lutas dos Gladiadores em roma tinham também por objetivo acostumar a população com a violência, tudo isso posso correlacionar a população brasileira, acostumada com a violência em jornais e se prendendo em casa dsligando-se da realidade que nos cerca, assistindo filmes, jogando.
    Ah, por favor, não entenda que estou criticando jogos ou coisas assim, até porque adoro World of Warcraft (jogo de pc) e que é dotado de uma história muito boa, critiquei a sociedade, enfim.

    Bom, mas vamos falar do filme agora.
    Ele tem alguns pontos soltos ao longo do roteiro, ou simplesmente eu que não tenha percebido corretamente a intensão do diretor.
    Mas eu adorei o visual, é pura alucinação, a trilha, os efeitos.
    Veja que a personagem principal deve coletar 5 itens para obter liberdade e é interessante e um tanto pertubador o diretor colocar a liberdade como a lobotomia, perder a razão, acho que eu e meus colegas saímos do cinema com uma sensação ruim por conta disso, mas no fundo é pela estima da razão , do exato, detalhe que fazemos Química, uma ciência exata e o que talvez tenha me feito gostar e ao mesmo tempo odiar o filme é essa perda da razão, acabar com a realidade, o NÃO VER da sociedade ou tentar transforma-la, melhorá-la e não conseguir, restando apenas a solução de desligar-se dela.
    É assustador pensar que isso não seja possível e apenas restar a possibilidade de viver de Inconsciente ou até mesmo INCONSCIENTE com relação á nossa realidade.

    Bom, acho que cada um tem sua interpretação do filme, a minha foi essa.

    E principalmente, mesmo o filme sendo bom ou ruim, assistir e formular sua opinião a respeito chama-se CRITICIDADE.
    Portanto é um filme interessante.
  • 30/01/2012 - 00h00 - Por João Pedro Acabei de assistir. Acho interessante a discussão sobre a superficialidade e ausência de nuances. Entretanto, será que o próprio diretor e roteirista tem a pretensão de alcançar essa da qual a Neusa sentiu falta? Não aluguei o dvd com essa pretensão. Aliás, não me oponho a uma diversão despretensiosa. Esse sucker punch não é como o watchmen, chato, nerd, pedante.
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