Harry Potter e a Pedra Filosofal

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Crítica Cineweb

13/01/2003

Para um filme como este, em que a fidelidade absoluta a cada detalhe do livro que o inspirou era a base de seu sucesso junto ao público, o perigo maior seria a mágica não funcionar. O êxito estrondoso dos primeiros dias em cartaz, na Inglaterra e nos EUA, mostrou que o bruxinho conseguiu passar no teste dos espectadores.

O americano Chris Columbus (Esqueceram de Mim) não é conhecido por sua ousadia. Portanto, não se esperava dele senão competência para recriar o universo dos livros da escritora escocesa J. K. Rowling. E competência ele teve para comandar a enorme máquina de produção, um elenco formado de diversas crianças, mais inúmeros cenários, efeitos especiais e as dezenas de exigências da escritora, conhecida pelo furor com que vigia de perto sua criação - que, estima-se, rende-lhe milhões de dólares mensais só em direitos autorais.

Todo esse peso poderia ter afundado o filme. A boa notícia é que não o faz. O que se vê na tela é o livro tomar forma sob a encarnação dos personagens de Harry Potter (Daniel Radcliffe), Rony Weasley (Rupert Grint) e Hermione Granger (Emma Watson). Um trio central que foi magnificamente escolhido. Na pele de Daniel Radcliffe, o bruxinho transpira uma mistura de meiguice e determinação, contando com o rostinho de um pequeno John Lennon, ainda mais com os óculos redondos. Rony faz-lhe o contraponto cômico, deixando para a destemida Hermione o papel de sabichona de plantão. No elenco secundário, o acerto não foi menor, mas aí já se correram menos riscos. Afinal, trata-se de um respeitabilíssimo time de alguns dos mais versáteis atores britânicos, de várias gerações: Maggie Smith, Richard Harris, Robbie Coltrane, Alan Rickman, Ian Hart.

O maior acerto do filme está neste elenco. Mas não se fez pouco dos cenários nem dos efeitos especiais, aqui fundamentais, ainda mais em se tratando do capítulo inicial de uma fabulosa cinessérie sobre magia. Sacrifica-se, é verdade, uma parte do período passado por Harry entre os tios "trouxas" (Richard Griffits e Fiona Shaw) para dar mais ênfase à temporada mágica - uma boa decisão, tendo em vista que a duração do filme não ficou pequena (duas horas e meia).

Para quem leu o livro, não faltam as melhores partes. Ou seja, a cena do zoológico, em que Harry descobre seu poder de dialogar com as cobras. Ou quando Harry vai às compras para encontrar sua varinha de condão e outros apetrechos no Beco Diagonal. Ou a seqüência em que o Chapéu Seletor decide qual a melhor casa da escola de Hogwarts para cada candidato a bruxinho. Sem contar a atmosfera dos corredores da escola, as escadas que mudam de lugar, o espelho mágico que projeta os desejos. E, talvez, a cena mais esperada, da fantástica partida de quadribol, onde Harry mostra seu talento esportivo a bordo da vassoura Nimbus 2000. Ah, a capa da invisibilidade também não foi esquecida.

Mesmo refazendo todo este percurso feito pelo livro, o filme tem personalidade e encanta - a ponto de não se sentir a sua duração. Então, reclamar do quê?

Fotos: Warner/Divulgação

Neusa Barbosa


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