Cisne negro

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Sinopse

Bailarina dedicada, Nina Sayers ganha o papel da Rainha dos Cisnes, no balé "Lago dos Cisnes". Ela tem dificuldade para encarar uma das partes do papel, o Cisne Negro - o que a leva a entrar em contato com os seus maiores fantasmas.


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Crítica Cineweb

01/02/2011

Desde seu filme de estréia, Pi (1998), o diretor Darren Aronofsky não ia tão longe num mergulho na psicose como ele faz em Cisne Negro, um dos mais sinistros retratos do mundo do balé desde Sapatinhos Vermelhos (1948), da dupla inglesa Michael Powell e Emeric Pressburger.
 
Da maneira como o filme é cuidadosamente conduzido, o espectador é levado a compartilhar a visão de mundo de Nina Sayers (Natalie Portman, vencedora do Oscar de melhor atriz e de vários prêmios, como o Globo de Ouro e o do Sindicato dos Atores, pelo papel). Junto com ela, enxerga-se os fantasmas e delírios da delicada bailarina, que ganha o cobiçado posto de protagonista do balé Lago dos Cisnes.
 
O papel exige da intérprete que o executa não só perfeição técnica, o que Nina certamente domina, como uma dualidade psicológica avassaladora. Aparentemente, sua natureza frágil e tímida, na qual toda sensualidade e agressividade estão severamente reprimidas, só encontra as chaves para interpretar a virginal princesa Odete, o Cisne Branco. A Odile astuciosa e pérfida, o Cisne Negro, resta oculta e dormente, em algum ponto perdido de sua psique, que ela precisa desesperadamente despertar.
 
Esta impressionante viagem ao mundo interior de uma jovem bela e neuroticamente frígida, em pânico diante da possibilidade de entrega física e emocional, tem inúmeros pontos de contato com Repulsa ao sexo (1965), de Roman Polanski – em que Catherine Deneuve interpretava a mulher psicoticamente dividida, ilhada em seu apartamento.
 
Atriz talentosa e dedicada, Natalie Portman supera não poucos obstáculos, inclusive físicos, para interpretar solidamente esta Nina trágica, que desperta piedade e medo quase ao mesmo tempo. A atriz rompe suas fronteiras e sua imagem, não hesitando numa cena de masturbação, nem em outra de sexo lésbico – que, na verdade, são as que menos impressionam. É quando traduz a dualidade extrema desta mulher fraturada que não encontra sua síntese que Natalie exprime o melhor de sua arte. Seu sofrimento transpira humanidade, força, demência, amargura, e a impressionante solidão ao ir até um lugar onde absolutamente ninguém pode segui-la.
 
Ao seu lado, um competente quarteto de atores contribui decisivamente para o resultado: o francês Vincent Cassel, na pele do diretor da companhia que a pressiona e quer conquistá-la, sem decifrar seu tumulto interior; sua mãe (Barbara Hershey), que procura criar um halo de proteção para sua criatura, que sabe extremamente frágil, mas exagera na dose; sua colega e rival, Lily (Mila Kunis), que funciona como um contraponto da jovem sensual e livre que Nina não sabe ser. E Beth McIntyre (Winona Ryder), a assustadora veterana que a precedeu no papel e enlouquece quando tem de aposentar-se da companhia – prenunciando um sombrio futuro para as bailarinas mais velhas.
 
Sem a fotografia contrastada de Matthew Libatique e a montagem áspera de Andrew Weislum – ambos indicados ao Oscar –, este pesadelo barroco jamais poderia completar seu espectro. Se Cisne Negro passa como um turbilhão, certamente, é porque todos estes componentes se ajustaram da maneira mais consistente. Darren Aronofsky parece estar no melhor de sua forma. 

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 01/02/2011 - 16h31 - Por Otávio Foi a maior surpresa que eu tive com um filme indicado ao Oscar nos últimos anos.

    O filme dificilmente agradará um público "menos familiarizado" com cinema. Ele é metafórico, e não tem qualquer compromisso em ser cartesiano visando explicar determinadas questões - se a personagem está sonhando, delirando, etc etc. Simplesmente estes pontos ficam em aberto - porque na verdade não importam!

    Cisne Negro é bem menos comercial que o filme anterior do diretor, "O Lutador" - que por sinal é um bom filme, ainda que eu prefira este. E é angustiante como suas obras primas "Réquiem para um Sonho" e "Pi".

    Enfim, pra mim não é um filme do feitio da academia. Jamais o esperaria concorrendo ao prêmio principal. Vale a pena vê-lo! E a Natalie Portman está fantástica!

  • 01/02/2011 - 17h08 - Por Neusa Barbosa Oi Otávio:
    Também gostei bastante do filme, mas não acho tão estranho vê-lo concorrendo ao Oscar assim.
    Embora, realmente, a narrativa exija um público um pouco mais atento do que a média.
    E a Natalie - realmente, é o ano dela! Parece...
    abs

    Neusa
  • 04/02/2011 - 19h40 - Por abel neusa concordo com vc, achei o filme belo como sapatinho vermelho e obscuro como repulsa ao sexo, desde momento de decisao nao via um filme mostrar como funciona os bastidores de uma companhia de bale, natalie so esteve mesmo soberba em closer, free zone, v de vingança pra mim agora ela e a melhor atriz de sua geraçao aplausos para ela!!!!!!!!!!!!!!!.
  • 22/02/2011 - 18h03 - Por Cristiano Lombardi Já assisti a uma boa dezena de filmes, nenhum tão impressionante quanto Cisne Negro. É uma obra de arte que está em outra categoria, diferente de tudo que Hollywood tem feito nos últimos anos. Natalie Portman se superou - está espetacular na pele de Nina Sayers. Vincent Cassel e Mila Kunis dão um verdadeiro show também.

    Cisne Negro é a determinação humana levada às últimas consequências. Perfeito, como bem disse Nina na última frase do filme.
  • 28/02/2011 - 14h02 - Por Alessandro É um filme que mexe com o espectador, revolve nossas entranhas.
    Um filme que marca e que, por isso, deve ficar marcado também na história da academia.
    Prêmio merecidíssimo para Natalie, que literalmente encarnou a personagem.
  • 08/03/2011 - 17h07 - Por Gabriel Moraes É um filme muito bom mesmo! A Natalie Portman incorporou brilhantemente um personagem bem real já que tantas pessoas são obcecadas pela perfeição no mundo atual,cujo resultado é nada menos do que a loucura e o afastamento do resto da sociedade.Vale a pena assistir!
  • 11/07/2011 - 13h34 - Por Camila Ok, muito se lê sobre esse filme dizendo que os atores e diretores estão em suas melhores atuações, que o filme é genial etc... Mas ainda não consigo entender tamanho senso comum que se formou em torno desse filme.

    O argumento, parece que se baseou na psicanalise freudiana da wikipedia, montando um esquema frágil entre mãe frustrada e autoritaria, filha reprimida e neurotica... No caso dela, a neurose vira psicose e ela cinde com a realidade... O quarto é cor de rosa, tem bichinhos de pelucia e ela precisa se livrar desse mundo infantil para entrar na vida adulta! Só Clichês!

    Achei os personagens sem profundidade, maniqueistas e caricatos. Não passam de esteriotipos! O filme despenca em cenas de terror, de quem quer usar efeitos especiais e não sabe como...

    O diretor da companhia é mais plano que um campo de futebol, apenas fica no papel da figura do aproveitador e autoritario... Ele não tem ambiguidade, não tem nem a humanidade que é preciso para os vilões funcionarem como tal...

    As cenas repetem toda hora o que seria a linguagem formal do filme, ao utilizar o espelho como tentativa de mostrar o duplo, o reflexo e a fragmentação de si mesmo. De tanto usar a formula, ela se desgasta e se transforma em recurso sem nenhuma expressividade...

    Simplismo, chavões e superficialidade fazem parte do filme e parecem ter contaminado o olhar dos expectadores, dos avaliadores do Oscar e da crítica que se formou em torno dele...
  • 11/07/2011 - 19h23 - Por Luiz Vita Oi Camila,

    Gostei muito do que vc escreveu. Vc defendeu seu ponto de vista com muitos e fortes tzg2argumentos. Muito boa análise. Parabéns!
  • 28/11/2014 - 22h45 - Por Jefferson Gonçalves Cisne Negro é mais um exemplo do enorme talento de Darren Aronofsky. Uma experiência apaixonante e surpreendente, encabeçada por performances brilhantes - princinpalmente da vencedora do Oscar de Melhor Atriz pelo papel, Natalie Portman - é um longa indispensável para qualquer cinéfilo.
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