O mágico

O mágico

Ficha técnica

  • Nome: O mágico
  • Nome Original: L'illusionniste
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: França
  • Ano de produção: 2010
  • Gênero: Animação
  • Duração: 90 min
  • Classificação: Livre
  • Direção: Sylvain Chomet
  • Elenco:

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Sinopse

Um mágico francês veterano nota que seus números já não lhe garantem muito público. Viaja de Paris a Londres mas lá também não tem muita sorte. A próxima parada é a Escócia, onde conhece uma menina que se tornará sua amiga e acompanhará nas novas aventuras - junto com seu inseparável coelho, que costuma morder os dedos das pessoas.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

10/01/2011

Jacques Tati (1907-1982) sempre foi o Charles Chaplin do cinema francês – um humanista sensível, de sua própria e inimitável maneira, como se viu em tantos de seus filmes, como os deliciosos Meu Tio (1958) e As férias do Sr. Hulot (1953).
 
Então, que bom que o diretor de animação Sylvain Chomet existe para ressuscitar, 18 anos depois da morte de Tati, um roteiro que ele escreveu e que compõe a espinha dorsal deste doce e delicado O mágico – uma animação retrô que está colecionando prêmios pelo mundo, como do National Board of Review e o European Film Award, e concorreu a outros, como o Oscar e o Globo de Ouro de melhor animação e também o Bafta de melhor realização técnica.
 
Diretor do não menos delicioso As bicicletas de Belleville (2003), Chomet apropria-se do roteiro de Tati com respeito quase total – limitando-se a pequenas mudanças, como transferir o cenário de Praga para três outras cidades (Paris, Londres e Edimburgo) e trocar a galinha da história original por um impagável coelho de maus bofes, sempre disposto a morder dedos humanos.
 
No mais, é no mesmo início dos anos 60 do original que transcorre a sina de um mágico decadente, cujos traços correspondem exatamente à figura alta e desengonçada do verdadeiro Jacques Tati. O mágico sem nome corporifica a dignidade de uma profissão aperfeiçoada em toda a vida que vem perdendo público e ameaça não mais garantir sua sobrevivência. Um tema que sempre atravessou toda a obra de Tati.
 
Acreditando numa mudança de ares, o mágico atravessa o Canal da Mancha, trocando sua Paris por uma Londres em que não encontra maior sorte – e, ainda por cima, enfrenta a concorrência de novíssimas atrações, como os roqueiros pintados à imagem e semelhança dos Beatles e Rolling Stones dos primeiros dias.
 
O encontro com um bêbado animado, vestindo uma kilt, anima o mágico a uma ida à Escócia. Numa pequena localidade, o mágico encontra a companheira de algumas novas jornadas, a garota Alice. Ao compadecer-se dos sapatos furados da menina, trocando-os por um novo par de calçados vermelhos, ele ganha sua devoção.
 
Sempre levando na bagagem o malcomportado coelho, os dois fixam endereço em Edimburgo, num hotel povoado por tipos circenses, como um ventríloco e três animados equilibristas, exercitando seus números atléticos pelas escadas.
 
Quase não há diálogos e nem é preciso, já que se aposta tudo na fluidez de uma narrativa que cria personagens vivos em cenários dinâmicos. Uma beleza à parte da animação está na bela composição das cidades que retrata, com direito a delicados efeitos de luz e som, com direito a delicados efeitos de luz e som capazes de recriar poeticamente a atmosfera urbana.
 
Melancólico no espírito, O mágico está na contramão de toda a animação moderna, sem dúvida. Mas não escapará aos espectadores atentos o quanto seu modelo antiquado funciona, hipnotizando os olhos e os corações. 

Neusa Barbosa


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