Além da vida

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Sinopse

George (Matt Damon) é um operário americano que tem a capacidade de ouvir os mortos. Do outro lado do mundo, a jornalista francesa Marie (Cécile De France) passa por uma situação em que sofre risco de morte e isso a deixa abalada. O menino Marcus (George McLaren) mora em Londres e sofre a perda do irmão gêmeo. São três personagens cujas vidas irão se cruzar e serão impactadas permanentemente pelo que eles acreditam que possa existir após a morte.


Nota Cineweb

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Galeria de fotos

  • Clint Eastwood e Lyndsey Marshall
  • Frankie Mclaren e George Mclaren
  • George Mclaren
  • Clint Eastwood e George Mclaren
  • Clint Eastwood
  • George Mclaren
  • Cécile De France e Thierry Neuvic
  • Matt Damon e Jay Mohr
  • Bryce Dallas Howard e Matt Damon
  • Bryce Dallas e Matt Damon
  • Bryce Dallas
  • Matt Damon
  • Clint Eastwood e Cécile De France
  • Cécile De France
  • Jessica Griffiths e Cécile De France
  • George Mclaren
  • Cécile De France
  • Marthe Keller e Cécile De France

Crítica Cineweb

26/12/2010

Clint Eastwood, 80 anos, vive uma década de ouro como diretor nestes anos 2000 (muito embora outros de seus trabalhos impecáveis e premiados, como Os Imperdoáveis, pertençam aos anos 90). Sua excelente forma narrativa segue firme no drama Além da vida – no qual o cavaleiro solitário se arrisca num tema muito escorregadio, a vida após a morte. Ou a fé que muitos de nós temos nisso. Ou a necessidade de acreditar em alguma coisa transcendente.
 
Contando com um roteiro do talentoso Peter Morgan (autor dos roteiros de A Rainha e Frost/Nixon, esta última, baseada em peça de sua autoria), Mr. Clint costura três histórias, em três diferentes locais do mundo. A inteligência e sensibilidade do espectador são despertadas lentamente para interessar-se por essas pessoas e outras que as cercam, fluindo naturalmente a curiosidade de saber como e quando se encontrarão – porque não é preciso ser médium para perceber que isso acontecerá.
 
Marie LeLay (Cécile de France) é uma bem-sucedida jornalista francesa, âncora de um respeitado programa de televisão. De férias na Indonésia com o namorado (Thierry Neuvic), ela é surpreendida pelo tsunami – e quase morre. A maestria do filme, aliás, está igualmente no realismo das sequências do tsunami, realmente impressionantes.
 
De volta a casa, em Paris, Marie retoma o trabalho, mas se sente diferente. Suas motivações parecem ter perdido o sentido. Ela sente-se particularmente perturbada pelas visões que experimentou no seu estado de quase morte – quando viu vultos vindo em sua direção, numa atmosfera brilhante. Ela procura conversar sobre o assunto, mas tudo o que encontra é descrédito. E sua vida tão impecável e organizada começa a desmoronar.
 
Em Londres, os gêmeos Marcus (George McLaren) e Jason (Frankie McLaren) são o esteio um do outro, unidos diante da séria instabilidade da mãe (Lyndsey Marshal), uma viciada em heroína com dificuldades de abandonar o vício. Jason, especialmente, é o líder da casa. Mas o equilíbrio  desaba quando ele é atropelado e Marcus deve encarar uma família adotiva temporária, enquanto a mãe vai se tratar.
 
Em San Francisco, George Lonegan (Matt Damon, trabalhando pela segunda vez com o diretor, depois de Invictus) tem uma relação íntima e incômoda com a morte. Ele parece dotado do dom de intermediar o diálogo entre os mortos e os vivos que os amaram, simplesmente segurando as mãos desses vivos. O sucesso é tanto que ele pensou em viver disso,o que seduz especialmente seu irmão, Billy (Jay Mohr). Mas George acaba desistindo de tudo, encontrando emprego como operário e procurando desesperadamente uma “vida normal”.
 
Nesse terreno pantanoso, cheio de armadilhas religiosas, o diretor encontra os meios para impor seu estilo. Mostra-se menos interessado em arrancar certezas sobre a outra vida do que em extrair o máximo da verdade humana de cada um de seus personagens. Assim, pouco importa se George tem mesmo um dom – embora se deixe muito clara a malandragem explícita de uma série de falsos místicos procurados pelo menino Marcus. Também não é relevante acreditar ou não nas visões de Marie. O importante é que suas relações com esse possível além da vida mudou substancialmente sua forma de pensar e motiva novos e inquietantes sentimentos.
 
Não há como duvidar da dor de George, solitário ao extremo, da aflição de Marcus para um contato com o irmão morto, nem da angústia de Marie por explorar suas novas percepções. Sua honestidade, assim como a do filme, são inquestionáveis.
 
Mr. Eastwood, seja lá qual for a sua fé, se tiver uma, não quer converter ninguém, nem fazer um filme doutrinário – como aconteceu com alguns dos supersucessos espíritas brasileiros de 2010. Além da vida é mais uma de suas obras sobre a extraordinária complexidade da vida e da infinidade de escolhas difíceis que seres humanos têm de fazer para explorar seus caminhos. E como ele faz isso bem, com um toque de mestre. 

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 18/04/2011 - 10h32 - Por Luciane Fonseca qual é o nome da atriz que faz a mãe viciada dos gêmeos?
  • 18/04/2011 - 11h44 - Por luiz vita Luciane,
    A atriz se chama Lyndsey Marshal.
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