De pernas pro ar

Ficha técnica


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País


Sinopse

Alice é uma executiva que perdeu o emprego e o marido. Marcela é dona de uma sex shop falida. Juntas, elas vão ganhar dinheiro e uma vida mais prazerosa.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

21/12/2010

Fechando um ano especialmente fraco, em termos de criatividade e qualidade, para o cinema brasileiro, De pernas pro ar chega ao circuito como um objeto estranho. Claramente um filme de apelo popular, e, por isso mesmo, com medida das coisas. Explica-se: apesar do tema altamente apimentado – tendo em cena dezenas de brinquedos eróticos – não tem sequer um palavrão ao longo de uma hora e meia de duração. Assim, cumpre à risca a definição do diretor, Roberto Santucci, e da produtora, Mariza Leão: este é um “filme família”.
 
A trama poderia ser o piloto de uma sitcom e a presença de atrizes conhecidas por fazer comédia na televisão só reforçam essa ideia. Mas nada disso é um problema num filme que não esconde o seu propósito, que é apenas divertir. Ingrid Guimarães e Maria Paula estão à frente do elenco, como uma executiva frustrada e uma dona de sex shop moderninha.
 
Ingrid é Alice, que mergulhou tanto no trabalho que nem percebe que está perdendo o marido, João (Bruno Garcia), e pouco cuida do filho pequeno. Quando é mandada embora por conta de um acidente, resolve que está na hora de fazer as pazes consigo mesma e com o mundo. O primeiro passo é desculpar-se com a vizinha espevitada, Marcela (Maria Paula), dona de uma sex shop quase falida que herdou de sua mãe.
 
Esses dois mundo distintos se cruzam e um muda o outro. Marcela vai mostrar para Alice o que é sentir prazer sexual e descobrir uma vida mais animada e colorida, e, assim reconquistar o seu amor. Já a executiva ajudará a amiga a incrementar sua loja, vendendo produtos pela internet e tornando lucrativa a tarefa de ensinar as pessoas a sentirem prazer.
 
Em cena, estão os conflitos da mulher contemporânea: dividir-se entre o trabalho, a casa e ainda achar tempo para ser feliz. Claro que, no roteiro assinado por Marcelo Saback e Paulo Cursino, para lá de previsível, todos os temas são tratados, digamos, de forma leve, quando não francamente superficial. Mas a presença de Ingrid e Maria Paula garantem momentos divertidos, embora algumas cenas supostamente dramáticas não funcionem muito bem – mas isso não é culpa das atrizes. É mais um deslize da direção, que não consegue encontrar o tom certo quando precisa baixar a comicidade.
 
Se por um lado, os personagens masculinos parecem rascunhos de seres humanos, os femininos são mais bem trabalhados e interessantes. Além da dupla central, também destaca-se a grande Denise Weinberg (Salve Geral). Como a mãe liberal e liberada de Alice, ela é responsável por alguns dos momentos mais engraçados do filme.
 
Ao contrário de filmes como Os Normais, por exemplo, De pernas pro ar se mantém pudico e nunca vai às vias de fato. Ameaça cair num humor rasteiro, mas sempre para antes de cruzar a linha da baixaria. Afinal, pretende levar ao cinema mães, pais, avós e filhos.

Alysson Oliveira


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