O concerto

Ficha técnica


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País


Sinopse

30 anos atrás, o maestro Andrei Filipov recusou-se a demitir seus músicos judeus e perdeu o emprego. Agora, ele tem a chance de reger novamente sua orquestra, depois que ele rouba um convite para levá-la a Paris. Naquela cidade, ele também tem uma velha história a acertar.


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Crítica Cineweb

20/12/2010

Conhecido especialmente pelo premiado Trem da Vida (1998), o diretor e roteirista romeno Radu Mihaileanu compõe um melodrama com toques cômicos em O Concerto – em que, mais uma vez, tira partido de um pano de fundo que contempla com destaque a política.

Andrei Filipov (Aleksey Guskov) é um ex-maestro da orquestra Bolshoi que há 30 anos caiu em desgraça por negar-se a afastar os músicos judeus, uma exigência do governo Leonid Brezhnev. Como punição, ficou restrito a uma sobrevivência pobre, como faxineiro no mesmo prédio em que conduzia seus instrumentistas. Tem sido 30 anos de privações e humilhações, mas nada que impeça o espírito de Andrei de subsistir, pulsando, à espera de uma oportunidade de redenção.

Ela chega sob a forma de um convite para uma apresentação em Paris da orquestra Bolshoi, que é subtraído pelo ex-regente. Como um garoto travesso, ele entusiasma-se com a idéia de remontar, clandestinamente, seu grupo de músicos (eles também relegados a empregos como chofer de táxi ou sonoplastas de filmes pornôs) e ressuscitar, artisticamente, em grande estilo.

Impossível não simpatizar com um projeto de revanche tão justo e tão louco. E seus meandros mostram-se muito rocambolescos, exigindo que Andrei lidere negociações com patrocinadores nada convencionais, como mafiosos russos, e também desarme um amalucado imbróglio para obter, em escassas duas semanas, os vistos necessários à entrada na França – sendo que os músicos sequer têm passaportes.

Mihaileanu mostra-se fiel ao seu estilo de priorizar a empatia com o público, divertindo-o e comovendo-o às vezes numa única tomada. Assim, não teme o ridículo ao retratar os músicos russos como um bando barulhento e cafona, sem demonstrar a menor preocupação com o politicamente correto.

Assim, será balbúrdia em cima de balbúrdia essa viagem a Paris, onde o sóbrio e sensível Andrei delineia aos poucos uma obsessão, que compreende não só comandar uma turnê com a antiga e destreinada orquestra, como insistir em ter como solista uma jovem e prestigiada violinista, Anne-Marie (Mélanie Laurent, de Bastardos Inglórios). Os motivos desta insistência só serão conhecidos, com todos os detalhes, na esperada sequência final.

Se há uma coisa que se pode creditar a Mihaileanu é uma poderosa imaginação. Ele recheia de detalhes toda a composição da trama – por vezes rocambolesca, é verdade -, cujo roteiro ele assina, ao lado dos colaboradores Matthew Robbins e Alain-Michel Blanc, a partir do argumento original de Hector Cabello Reyes e Thierry Degrandi.

Mihaileanu, certamente, não procura a perfeição e aí estão seu fraco, pois às vezes fragiliza uma sequência, e seu forte, porque não compromete sua ousadia e liberdade. Quem duvida da capacidade de extrair emoções, como humor, a partir do desastroso sotaque com que seus russos falam francês – um detalhe, aliás, bastante realista, diante do perfil dos envolvidos ? O diretor não teme, também, retratar estes músicos como um bando de arruaceiros em mais de uma situação, exigindo pagamento adiantado e dispersando-se ruidosamente pelas ruas da capital francesa.

Ao mesmo tempo, o cineasta não perde de vista o foco de seu clímax – o concerto -, semeando dúvidas sobre a sua realização e a participação de Anne-Marie, cuja identidade vai ficando mais clara a cada passo. Também obtém a cumplicidade do público ao centrar na figura do maestro Andrei e na de seu melhor amigo, o violoncelista Sacha (Dmitry Nazarov), um centro de dignidade e gravidade que permite que a história não desande pela via cômica.

Nem por isso O Concerto deixará de ser o tipo do filme com potencial de ser mais favorito do público do que dos críticos. Se o resultado for esse, nada poderá deixar o diretor mais feliz. Para quem assiste, é um bálsamo para o coração e bastante bom de ver.

Neusa Barbosa


Trailer


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