Abutres

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Sosa é um advogado cuja licença foi cassada e ajuda pessoas a dar golpes em seguradoras. Quando ele conhece uma paramédica, sua vida muda. Mas ela também esconde um segredo.


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Crítica Cineweb

02/12/2010

Num tempo em que o cinema parece se restringir cada vez mais a histórias superficiais e explosões, o argentino Pablo Trapero (Leonera) transforma Abutres em um thriller de relevância social. Além de fazer enorme sucesso em seu país, o filme levou o Congresso argentino a discutir mudanças na legislação de seguros para acidentes automotivos. Não é para menos, afinal, denuncia abertamente uma máfia que se tornou famosa ganhando dinheiro de seguros por acidentes não tão acidentais assim.
 
Em Abutres, Ricardo Darín (O segredo dos seus olhos) é um advogado cuja licença foi cassada e agora trabalha em uma firma decadente, cuidando de casos estranhos envolvendo acidentados e seguradoras. Aos poucos, o roteiro, assinado por Trapero e outros três escritores, revela a real função do personagem, Sosa: dar assistência a pessoas que dão golpes em seguradoras.
 
Iria tudo bem, se o caminho dele não cruzasse com Luján (Martina Gusman), uma paramédica que socorre vítimas de acidentes automobilísticos. Eles se encontram por acaso, durante uma ocorrência na qual ele diz ser amigo da vítima. À medida que os dois personagens se envolvem amorosamente, surge um dilema moral para Sosa. Ele  ajuda pessoas que colocam suas vidas em risco, enquanto ela faz exatamente o contrário.
 
Se numa primeira parte Abutres segue como um drama, o ritmo de suspense ganha contornos a partir da disputa entre advogados e o embate entre Sosa e Juján, quando ela desconfia que seu novo namorado não é lá muito idôneo.
 
É uma aposta corajosa de Darín e Trapero, trazendo o ator para encarnar um tipo diferente daquele com que o público está acostumado. Ele não é o herói – nem tampouco o vilão –, mas uma espécie de antiherói trágico e atormentado, que começa a ser consumido pela culpa. O amor, que o libertaria, torna-se mais um peso. A personagem de Martina – mulher do diretor e também produtora do filme – é repleta de nuances. Apesar de apaixonada, não abre mão de suas convicções, mesmo trabalhando em condições quase sub-humanas.
 
Por mais que a trama e os personagens de Abutres sejam interessantes, há um belíssimo trabalho de direção de Trapero, que em seu sexto longa de ficção se confirma – ao lado de Lucrecia Martel (O Pântano) – como um dos nomes mais importantes do novo cinema argentino. Desde Mundo Grua (1999), o cineasta estabelece um estilo de filmagem inconfundível, sem enfeitar a imagem ou os movimentos, um cinema quase áspero. Aqui, há diversos planos sem interrupção, todos em momentos-chaves, o que contribui para aumentar a tensão natural da narrativa.
 
Abutres parece uma espécie de primo latino de Crash – Estranhos Prazeres, de David Cronenberg, lançado em 1996 e que gerou protestos na Argentina por parte da Associação das Vítimas de Acidentes de Trânsito, que conseguiu tirá-lo de cartaz em Buenos Aires. Aqui, ao contrário do longa canadense baseado em J. G. Ballard, as batidas de carro não são formas de fetiche, mas praticamente ferramentas para movimentação, de forma ilícita, da economia.
 
Exibido na seção Un Certain Regard no Festival de Cannes, em maio passado, e escolhido para representar a Argentina na disputa por uma vaga na categoria de Oscar em língua estrangeira, Abutres é um filme tão perturbador quanto comovente. É assustador acompanhar até onde as pessoas se auto-abusam em nome do dinheiro. Alguns personagens se submetem a degradações físicas, outros, a morais – e esses são os mais assustadores

Alysson Oliveira


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Comentários:
  • 14/12/2010 - 19h49 - Por Mario Viana Alysson, eu achei Abutres o filme mais brochante da temporada. Não consegui ver isso que vc e o Miguel enxergaram. Achei tudo tão chapado, sem profundidade - falo dos personagens, construídos sem cuidado. Em nenhum momento tive algum sentimento pelo casal central, a não ser tédio.
    Acho que a função de denúncia social está realmente bem feita, mas pra quem é de fora... tanto faz... Falta humanidade ao filme, falta algo que me faça identificar com qualquer um dos personagens.

  • 28/02/2011 - 13h29 - Por @manfilho Adorei a crítica, só não gostei muito do "encarnar um tipo diferente daquele com que o público está acostumado", por conta da bela atuação dele no "Nove Rainhas".
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