Um homem misterioso

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Misterioso matador de aluguel refugia-se na Itália depois de um trabalho quase malsucedido. Enquanto espera novas ordens, envolve-se com moradores locais.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

12/11/2010

Se fosse feito há 35 anos, Um homem misterioso, seria um exercício de existencialismo, um tipo de filme bastante em voga na época que gerou exemplares muito bons – especialmente aqueles dirigidos por Michelangelo Antonioni. Mas eis que o diretor desse drama não é o mestre italiano – morto em 2007 – mas o holandês Anton Corbjin, um fotógrafo que estreou no cinema há três anos com Control, um belo longa inspirado na vida e morte do músico Ian Curtis, da banda Joy Division.
 
Um homem misterioso aspira a ser Antonioni, mas não só; também quer ser Alfred Hitchcock, Ingmar Bergman e Sergio Leone. Todos num pastiche emoldurado por belezas naturais, a pose de galã de George Clooney e belas mulheres com pouca roupa. Nos idos do século XXI, tudo isso soa como uma tentativa de emular um estilo que o cinema norte-americano, quase por natureza, é incapaz de alcançar.
 
A trama, baseada em romance de Martin Booth, com roteiro de Rowan Joffe (Extermínio 2), é centrada num enigmático matador de aluguel que se esconde numa pequena cidade italiana, depois de quase ser morto numa emboscada na Suécia. Percebeu as referências? Suécia, Bergman; Itália, Antonioni. Mas elas não param por aqui. Clooney, que atravessa o filme com a cara de confuso – uma expressão que nunca muda –, evoca Cary Grant de Intriga Internacional; e Leone, nominalmente citado numa cena, também é copiado quando o personagem central chega a uma cidadezinha. As trocas de olhares são típicas dos faroestes do italiano.
 
Se isso são cópias ou homenagens, pouco importa. A verdade é que Corbjin tem um bom olhar para criar belas composições visuais – auxiliadas pela beleza local e das pessoas que estão no filme – mas não consegue superar as limitações da narrativa atravancada e pouco criativa.
 
Na Itália, o personagem conhecido como Jack e também como Edward recebe a visita de uma mulher (Thekla Reuten), que encomenda armas. Ele, além de tudo, é um expert na fabricação de armas. Basta escolher o modelo e os acessórios e ele é capaz de importar as peças – pelo correio – e roubar outras, construindo em alguns dias o equipamento. Ele também se envolve com uma bela prostituta (Violante Placido), romântica e sonhadora, que quer abandonar a profissão e viver ao lado de seu americano. Curiosamente, as duas mulheres o apelidam de Sr. Borboleta, por conta da tatuagem que ele tem nas costas e a fascinação, nunca explicada, que ele tem por esse inseto.
 
O Sr. Borboleta também faz amizade com um padre (Paolo Bonacelli), de fala mansa e, como não podia deixar de ser, boas intenções, que se preocupa em recuperar ovelhas desgarradas e trazê-las de volta ao rebanho de Deus.
 
Clooney encarna um personagem que segue a tradição do cavaleiro solitário que evoca Clint Eastwood, Alan Ladd (em Os brutos também amam) e toda a tradição de almas atormentadas que matam para fugir de suas sinas, ou que ganham sinas porque matam – tanto faz. Mas o ator mais parece entediado do que emocionalmente e existencialmente confuso. Ao final, o que lhe vale a pena são as noites de amor com a prostituta.

Alysson Oliveira


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Comentários:
  • 25/11/2010 - 23h09 - Por Marcelo Uma porcaria de filme, não vale a pena perder tempo
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