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Crtica Cineweb

22/02/2003

O cinema iraniano gosta de flertar com a realidade. Não só isso. Com muita freqüência, pega temas da realidade e reencena-os num filme. Foi isso o que fez, por exemplo, Mohsen Makhmalbaf em Um Instante de Inocência, onde reconta um incidente de sua juventude a partir do reencontro com um soldado que o prendeu. A jovem filha deste diretor, Samira Makhmalbaf, também estreou no cinema reconstituindo o drama de um pai pobre e uma mãe cega, muito pobres e ignorantes, que trancaram por anos as filhas dentro de casa, em A Maçã.

Esta espécie de neorrealismo reinventado é o que conduz, também, este antigo trabalho de Abbas Kiarostami, hoje o mais estilizado dos cineastas do Irã. Ele reconstrói a história de um jovem (Hossein Sabzian), que se fez passar justamente pelo diretor Makmalbaf, introduzindo-se no seio de uma família de posses como se fosse usá-los como atores de um próximo filme. O próprio Makhmalbaf aparece na fita, que vai buscar, um a um, os personagens que participaram da trama e que relatam os acontecimentos. O rapaz, enquanto isso, vai a julgamento, acusado de falsidade ideológica, extorsão e roubo.

Como em toda obra deste tipo, fica difícil traçar um fio entre o tom de documentário e o de ficção. O importante é mostrar todos os lados, compondo um caleidoscópio mais próximo da verdade humana. Desta sempre surpreendente flexibilidade do diálogo valorizada pelo cinema possivelmente é que partiram os ventos que agora estão levando a uma revolução política e social naquele país.

Neusa Barbosa


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