Tropa de Elite 2 - O inimigo agora é outro

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País


Sinopse

Por conta de sua fama de duro no combate ao crime, o capitão Nascimento assume o cargo de subsecretário da segurança pública no Rio. Descobre os meandros da corrupção da política e tem como opositor um ativista de direitos humanos - que é o novo companheiro de sua ex-mulher.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

30/09/2010

Você pode tirar o capitão Nascimento do BOPE (Batalhão de Operações Especiais), mas não pode tirar o BOPE do Capitão Nascimento. Essa é a premissa de Tropa de Elite 2, que chega aos cinema de todo o país em 636 salas. Trata-se do maior lançamento para um filme brasileiro até agora e promete, como o primeiro filme de 2007, ser uma das maiores bilheterias nacionais do ano, além de causar muita polêmica e até algum debate.
 
A controvérsia do segundo filme segue de carona naquela causada pelo primeiro que, em 2008, levou o Urso de Ouro em Berlim - questionando o papel do governo, da miséria e do tráfico na violência no Rio de Janeiro e no Brasil. Não por acaso, numa das cenas em que os personagens vão ao cinema, todos os filmes em cartaz são de Costa-Gavras, presidente daquele júri de Berlim que consagrou Padilha.
 
O filme abre com um letreiro alertando o espectador que, “apesar das possíveis coincidências com a realidade, esta é uma obra de ficção”. Um toque de cinismo que parece dissolver-se ao longo das duas horas de boa e velha ultraviolência – que em momentos catárticos, com jorros de sangue e profusão de cadáveres, parece materializar um desejo latente de parte da platéia.
 
Nascimento (Wagner Moura, que acaba de ser premiado no Festival do Rio, como melhor ator em “VIPs”) já não usa mais a farda preta do BOPE. Sua roupa de trabalho em Tropa de Elite 2 – O inimigo agora é outro passa a ser o terno e a gravata, quando é promovido ao posto de sub-secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, numa manobra do governo populista.
 
Como no filme original, uma narração em off reitera e explica tudo aquilo que é visto, num didatismo maçante, como se o diretor José Padilha não acreditasse apenas nas imagens e precisasse verbalizar a ação para que tudo fique bem claro. Especialmente nas primeiras cenas, quando introduz o ativista Diogo Fraga (Irandhir Santos, de Quincas Berro D’água), apresentado como um intelectual de esquerda, adorado pelos consumidores de maconha.
 
A grande ironia é que a ex-mulher de Nascimento, vivida por Maria Ribeiro, é casada com Fraga – uma pessoa diametralmente oposta a Nascimento, que foi promovido a coronel. Mathias (André Ramiro), preparado por Nascimento para substituí-lo, traz a ideologia do BOPE nas veias. Ele ignora a hierarquia, o que acaba causando um massacre em Bangu, dando início à trama do filme.
 
As trajetórias de Nascimento e Fraga caminham para um encontro. Poderia ser a humanização do primeiro e o endurecimento do segundo. No entanto, o ativista, que logo é eleito deputado, sempre é tratado como um fraco diante das atitudes extremadas do coronel que, às vezes, lembra Rambo.
 
Nascimento tenta não se curvar ao jogo político do governador e dos deputados que o usam como marionete. Mas seus métodos, eficientes apesar de questionáveis, lhe dão notoriedade e legitimidade. “Se o eleitor estava dizendo que eu era herói, não ia ser o governador que ia dizer o contrário”, diz. Entram em cena, também, milícias criadas e sustentadas por policiais corruptos, que operam um esquema de segurança informal, tomando o lugar dos traficantes à custa de muito medo.
 
Tudo isso é usado numa eleição, envolvendo governador e deputados. Parece sintomático, embora o diretor alegue que seja apenas uma coincidência a chegada do filme aos cinemas depois da reeleição de alguns governadores e às vésperas do segundo turno.
 
No roteiro, assinado por Padilha e Bráulio Mantovani, surgem frases de efeito – como “faca na caveira e porrada na vagabundagem” ou “terrorista não é gente” –, que saem da boca de um apresentador de TV espalhafatoso, enquanto Nascimento medita sobre os bastidores do poder e a corrupção.
 
Uma nota de desesperança permeia todo o filme e se concretiza no final, quando parece não haver solução para o país. “No Brasil, eleição é negócio e o voto é a mercadoria mais valiosa da favela”, diz o ex-membro do BOPE. Nascimento descobre isso a duras penas, ao perceber que algumas instituições em que acreditava são passíveis de corrupção. A ele não resta muita opção se quiser mudar o país. Qual o próximo passo do coronel Nascimento? Tentar a Presidência?

Alysson Oliveira


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Comentários:
  • 14/10/2010 - 17h00 - Por Matheus Rigoni Hernandes Caro Sr. Alysson Oliveira
    Você marcou duas estrelas apenas por que o não gostou da narração em off de capitão nascimento?
    Simplesmente a crítica mais superficial que eu já li na pagina cineweb.
    Alias, foi você quem acusou cansaço da produção de toy story 3?
    Talvez seja você que esteja cansado de escrever críticas...
    A pagina cineweb perde em credibilidade com suas críticas.
  • 23/10/2010 - 22h41 - Por Ana Paula Alysson, sinceramente não entendi: mais do que uma crítica, você escreveu uma resenha sobre o filme que, por sua vez, não dá a entender o por quê da sua nota.
  • 26/10/2010 - 11h19 - Por Vitor Concordo com o ponto do Alysson, a narração direta do Coronel Nascimento enfraquece o espírito do filme. Parece um professor explicando o filme na escola.(Rs...)

    Ainda tentando entender a crítica, acho que o Alysson retirou pontos por conta da ultraviolência... Minha experiência no cinema mostrou que para o público, o ponto alto do filme foi a surra que o Coronel Nascimento deu num político corrupto.

    Enquanto no primeiro filme vemos a transformação do Matias, que no início estuda Direito e no fim mata um bandido com um tiro de 12 na cara; Nessa continuação vemos a transformação do Coronel Nascimento. Padilha desconstrói o herói do primeiro filme, a ultraviolência do Capitão Nascimento, dá lugar a desesperança do Coronel Nascimento que percebe que ocupações e execuções de criminosos não resolvem o problema (dado o título do filme). Palmas para a atuação do Wagner Moura mais uma vez.

    Para os cariocas, a empatia com os personagens do filme é amplificada, graças as diversas referências à políticos, apresentadores de tv, a jornalista desaparecida, o jornal na qual ela trabalha, o nome da favela reduto da milícia e etc

    No inicio do filme deveria estar escrito : "Qualquer semelhança é uma mera coincidência".. e não o contrário...

    O filme merece pelo menos 4 de 5 estrelas!

    Há muito mais o que falar! Comentem!

    Abraços à todos
  • 29/10/2010 - 17h30 - Por MARCOS Simplesmente espetacular, Wagner Moura é sem dúvida o melhor ou um dos melhores atores da atualidade. Impressionante como a sua atuação e narração do filme.
    Espetáculo!!
  • 13/11/2010 - 19h21 - Por Sandro "No entanto, o ativista, que logo é eleito deputado, sempre é tratado como um fraco diante das atitudes extremadas do coronel que, às vezes, lembra Rambo."

    Mas que grande bobagem, hein? O Fraga nunca é tratado como fraco, pelo contrário. E o Nascimento lembra o Rambo? Aonde? Em que filme?

    Crítica fraca e vazia. Lamentável.
  • 15/04/2011 - 21h16 - Por Otávio Só agora vi "Tropa de Elite 2" e fiquei muito satisfeito com ele. Achei um bom filme, com um argumento bem mais bacana que o "1".

    Apesar de pessimista, ele mostra que o crime organizado se confunde com o Estado a tal ponto que o próprio "sistema imunológico" do poder público (sua polícia, seus tribunais...) se mostra comprometido, o que causa um efeito "bola-de-neve". Trata-se de uma idéia que não é nada nova inclusive para o senso comum, porém a forma como é mostrada no filme provoca indignação e desconforto. Acho que a boa arte tem essa capacidade: trazer força simbólica para algo banalizado.

    A narração em off realmente é de um didatismo maçante, mas eu me pergunto se, sem ela, a assimilação do filme pela massa do público não ficaria comprometida. Por exemplo, dois filmes com uma estrutura parecida me vêm a cabeça: Traffic e Gomorra. Ambos são muito bons, porém possuem uma narrativa "menos didática", o que, penso, faz o público alvo ser mais restrito. Tendo em conta a importância da discussão, prefiro que ele seja mais abrangente e didático que o contrário.
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