Wall Street - O dinheiro nunca dorme

Wall Street - O dinheiro nunca dorme

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Locais de filmagem


Sinopse

Gordon Gekko sai da prisão, e encontra o mundo mudado. Sua filha não quer mais falar com ele depois que seu irmão se matou. No entanto, o namorado dela, um jovem corretor, o procura para reaproximar os dois, e também aprender algumas coisas sobre especulação financeira.


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Crítica Cineweb

22/09/2010

Enquanto a maioria dos filmes hollywoodianos parece insistir que os anos de 1980 ainda não acabaram, Wall Street – O dinheiro nunca dorme caminha exatamente na direção contrária. Logo na primeira cena, estabelece que aquela década é coisa do passado. O protagonista do primeiro filme, Gordon Gekko (Michael Douglas), sai da prisão e recebe seus pertences – entre eles, um gigantesco telefone sem fio, um verdadeiro monstro comparado aos celulares minúsculos da atualidade.
 
É assim que o diretor Oliver Stone estabelece o tom do seu novo filme, que estreia em circuito nacional. Não estamos mais na era yuppie, época retratada não apenas no primeiro Wall Street – Poder e cobiça (1987), mas também de forma sarcástica em O Psicopata Americano (2000). O novo século trouxe não apenas novas tecnologias, mas novos valores morais e econômicos. Gekko, mais do que um exemplo a não ser seguido, com seu lema “ganância é bom”, definiu uma geração que, na superfície, se transformou na década de 1990, mas no fundo manteve a mesma moral dúbia e egoísta.
 
No primeiro filme, Stone penetrou num mundo pouco conhecido, e, por isso mesmo exótico. Termos, siglas e operações pareciam fazer parte de uma língua de outro planeta. Agora, mais de 20 anos e muitas crises econômicas mundiais depois, nada daquilo é misterioso. Neste cenário, entra em cena o termo “risco moral”, que, associado com os altos e baixos da economia, pode trazer resultados desastrosos para investidores.
 
No roteiro assinado por Allan Loeb (Coincidências do Amor) e Stephen Schiff (Crime verdadeiro), a crise econômica de 2008 substitui a Segunda-feira Negra de outubro de 1987. Este se torna, assim, um dos primeiros filmes a ter a grande quebra dos mercados como tema. Não apenas isso: Stone faz questão de apontar dedos para os responsáveis.
 
Ao sair da prisão, Gekko se torna uma espécie de palestrante motivacional, excursionando por escolas e vendendo sua biografia. Jacob (Shia LaBeouf, da série Transformers) é um corretor que poderia tornar-se Gekko dentro de duas décadas. Mas o rapaz tem outra visão sobre o mundo e a especulação, especialmente depois que seu protetor, Zabel (Frank Langella, de Frost/Nixon), se mata quando circulam rumores sobre uma dívida de milhões. A empresa dele acaba comprada por Bretton (Josh Brolin, que interpretou George W. Bush em W., também de Stone) – e este se torna o vilão do filme.
 
Jacob é namorado de Winnie (Carey Mulligan, de Educação), filha de Gekko que rompeu os laços com o pai negligente depois do suicídio do irmão. A trama familiar tem um peso tão importante quanto a econômica em Wall Street – O dinheiro nunca dorme. Talvez seja nesses momentos que a história perde um pouco da sua força, ao retratar a transformação – um tanto forçada – de Gekko.
 
Stone sempre foi um diretor capaz de extrair entretenimento a partir de acontecimentos econômicos e sociais – especialmente em suas cinebiografias de presidentes americanos. Mas continua apegado a cacoetes cinematográficos, como cortes e imagens múltiplas, completamente desnecessários. Por outro lado, a fotografia realista de Rodrigo Prieto (Abraços partidos) e várias canções de David Byrne (algumas em parceria com Brian Eno) conseguem, em vários momentos, impor-se sobre estes problemas de direção.
 
Stone e seus roteiristas não conseguem lidar com o paradoxo inevitável que já existia no primeiro filme: evitar que personagens negativos se tornem figuras carismáticas e poderosas. Há, como antes, a arrogância dos corretores e a ganância desmedida, mas também há o fascínio, especialmente por Jacob – que, apesar do modo yuppie de vida, enquadra-se no perfil de bom moço, pois pretende ajudar um cientista e sua pesquisa sobre sustentabilidade.
 
Stone parece tentar a todo custo evitar o maior problema do primeiro filme, uma parábola anticapitalista cujo personagem central é carismático, sedutor – ao contrário daquilo que o diretor esperava. Aqui, para não se ter dúvidas, Gekko se regenera antes da metade do filme, Jacob tem cara de bom rapaz e o vilão mostra a que veio logo no começo. Tudo isso não diminui o interesse e até certa relevância que Wall Street – O dinheiro nunca dorme tem para os dias atuais.

Alysson Oliveira


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Comentários:
  • 24/10/2010 - 03h09 - Por Ana Paula Carisma zero do elenco, impressionante. Ninguém salva, ninguém rouba a cena, ninguém conquista o espectador.
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