Baaria - A porta do vento

Baaria - A porta do vento

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Sinopse

O diretor Giuseppe Tornatore acompanha os altos e baixos da família de menino Peppino, numa pequena cidade siciliana. É uma crônica da vida italiana ao longo de quatro décadas.


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Crtica Cineweb

16/09/2010

No novo filme do italiano Giuseppe Tornatore (Cinema Paradiso), Baaria – A Porta do Vento estão todas as assinaturas, manias e clichês do diretor – para o bem e para o mal. Apesar das quase três horas de duração, o filme parece apressado, soa como uma versão condensada daquelas novelas italianas de Benedito Rui Barbosa. A narrativa transcorre com atropelos, sem permitir um tempo orgânico para o desenvolvimento dos episódios.
 
O filme, roteirizado pelo diretor, traz traços autobiográficos e acompanha algumas décadas na vida de um personagem, Peppino Torrenueva, tendo como pano-de-fundo conturbações políticas e sociais na Itália. Nas ruas da cidade de Bagheria – chamada de Baaria no dialeto local – o bambino brinca com coleguinhas. A primeira meia-hora de filme, serve mais para apresentar a cidade, seu folclore local, suas nuances e esquisitices.
 
Quando Baaria acompanha a adolescência de Peppino, Tornatore começa a colocar a trama no trilho e acompanha o despertar amoroso do personagem e a sua filiação ao partido comunista. Agora, interpretado por Francesco Scianna, o personagem se apaixona por Mannina (Margareth Madè), com quem viverá por décadas, depois de alguns contratempos que atrapalham o romance, mas fortalecem a relação.
 
Ao acompanhar os altos e baixos na vida da família de Peppino, Baaria tenta fazer uma crônica da vida italiana ao longo de quatro décadas. A cidade, sua arquitetura e lendas servem como um marco, resistem ao tempo, continuam de pé, mas são arranhadas pelos anos que passam.
 
Assistir a Baaria é como passear com uma Ferrari do último tipo por uma estrada esburacada. A viagem é árdua, repleta de solavancos, mas ninguém pode reclamar de algumas vantagens. Há bons momentos, cenas de extrema poesia, mas os cacoetes de Tornatore, a música e sentimentalismo excessivos, são as crateras responsáveis pelos maiores solavancos do percurso.
 
A trilha sonora do veterano Ennio Morricone é quase onipresente, indicando, quase impondo, as emoções que devem ser sentidas em cada cena. Tornatore transforma em melodrama excessivo todos os episódios da vida de Peppino, tanto os políticos quanto os pessoais. Há alguma graça nisso, mas é pouca e altamente premeditada, quase um gosto em fazer rir pela estranheza. Atores italianos do momento fazem pontas minúsculas e quase irreconhecíveis, que se perdem se o público piscar os olhos – , caso de Monica Bellucci e Raoul Bova.
 
Há, é claro, a declaração de amor ao cinema, por meio de um dos filhos de Peppino, apaixonado pela arte e colecionador de pedaços de filmes em película. A cena em que ele observa fotogramas de seus filmes favoritos é uma das mais bonitas em Baaria e nos faz lembrar do filme mais famoso Tornatore, Cinema Paradiso.

Alysson Oliveira


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Comentrios:
  • 19/09/2010 - 19h52 - Por Sonia Brazao Foi gostoso ver a fotografia, o retrato da década de 30 foi inspirador, mas a história que parece ser autobiográfica deveria ser melhor editada. Poderia ter acabado bem melhor se fosse mais resumida. Rodou, rodou e não chegou quase a nenhum lugar.
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