Um novo caminho

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Sinopse

Jornalista maduro e de sucesso, Hervé tem um problema terrível, o alcoolismo. Ele tenta mais uma vez superar a doença, que já lhe causou todo tipo de desastre profissional e pessoal, internando-se numa clínica. Os desafios são muitos. Um dia, chega uma jovem paciente, rebelde, e ele se apaixona.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

26/07/2010

A autenticidade de uma história de fundo real – baseada na autobiografia do jornalista francês Hervé Chabalier – é o forte de Um novo caminho, drama que marca a estreia na direção do produtor Philippe Godeau (que atuou nessa função em filmes como o premiado O Oitavo Dia, de Jaco von Dormael).
 
O experiente ator François Cluzet (de Paris) assume o papel do protagonista Hervé, um jornalista, dono de uma agência de notícias, que decide internar-se numa clínica para curar-se do alcoolismo que vem destruindo sua vida pessoal e profissional.
 
Sustentando uma atuação interiorizada, Cluzet transmite a enorme tensão vivida por seu personagem, um homem atormentado pelos fantasmas da morte de uma irmã e as decepções de um passado idealista. Transmite, assim, a depressão que toma conta dele a esta altura e que o confronto com os demais pacientes da clínica, cada um com seu perfil psicológico, não tarda a exacerbar.
 
Retratado em diversos tons em filmes como Despedida em Las Vegas (95), 28 Dias (2000) – sem esquecer o clássico Farrapo Humano (45), com Ray Milland – o alcoolismo recebe aqui um registro realista, que nunca evita os aspectos mais brutais da doença - que são explicitados com chocante e proposital crueza por um médico que vai fazer uma palestra aos pacientes da clínica, vivido por Philippe du Janerand, numa cena muito contundente.
 
O tom realista mantém-se quando se revela a instabilidade de cada um dos pacientes que dividem o espaço com Hervé – como Pierre (Michel Vuillermoz), homem culto e divertido, mas que acoberta a dor de ter destruído seu casamento com o vício pela bebida. Detalhando o processo de enfrentamento destas pessoas com seu problema, que começa inevitavelmente pela negação – nenhum deles admite não ter controle sobre a bebida -, o filme cresce ao passar longe da pieguice e do moralismo. Assim, valoriza o esforço humano de cada personagem diante do desafio imenso de superar suas limitações.
 
A rotina da clínica é rompida pela chegada de uma jovem, Magali (Mélanie Thierry), que, com sua rebeldia, desafia as regras e atrai a atenção de Hervé – que se apaixona por ela. O sentimento e seus problemas humanizam ainda mais o protagonista que, afinal, consegue despertar mais simpatia do que no começo, quando sua introversão beirava o limite do insuportável. Desdobrando pouco a pouco as camadas deste personagem, Cluzet revela-se uma escolha acertada para o papel (que, na fase de pré-produção, foi cogitado para os atores Daniel Auteuil, Dany Boon e Christian Clavier).
 
Indicado a cinco César, a premiação máxima da França, o filme levou apenas o de melhor esperança feminina para a jovem Mélanie Thierry. 

Neusa Barbosa


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