Brilho de uma paixão

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Locais de filmagem


Sinopse

Inglaterra, século XIX. O jovem poeta John Keats se apaixona por sua vizinha Fanny Brawne. Convenções da época, porém, impedem que esse amor se concretize. A saúde debilitada do escritor também se transforma num empecilho cada vez mais dramático.


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Crítica Cineweb

21/06/2010

Em alguns dos melhores filmes da neozelandesa Jane Campion, a arte é mais do que uma forma de expressão, é a forma como personagens transpõem barreiras físicas ou emocionais. Em O Piano, que levou a Palma de Ouro em Cannes em 1993, a relação de uma mulher muda (Holly Hunter) com o seu instrumento é a sua forma de se comunicar com o mundo. Em Um anjo em minha mesa (1990), a protagonista Janet Frame (Kerry Fox) encontra a salvação para seus problemas mentais na literatura e se torna uma das maiores escritoras da Nova Zelândia.
 
No mais recente filme da diretora, Brilho de uma paixão, está o poeta inglês do século XIX John Keats (Ben Whishaw, de O Perfume), o último dos românticos, que morreu jovem, aos 25 anos e teve um único amor na vida, Fanny Brawne (Abbie Cornish, de Um bom ano). Um amor tão poético quanto etéreo e platônico. Seria muito fácil transformar a história do casal num amontoado de clichês, com um poeta romântico morrendo no final sem que a paixão realmente se consumasse. O talento de Jane Campion permite-lhe evitar as armadilhas do lugar comum e transforma a história de Keats e Fanny numa elegia ao amor e à poesia.
 
A primeira coisa que a cineasta fez foi varrer a poeira do tempo que costuma pesar sobre filmes de época. A segunda foi baixar o tom declamatório e meloso comum a tantos filmes românticos e criar um drama delicado sobre duas almas gêmeas à frente de seu tempo que foram felizes enquanto puderam.
 
Fanny é a filha da senhoria da casa onde mora Keats. Os dois vivem um romance por três anos, no qual a poesia dele tem um papel central. É a arte, novamente, expressando sentimentos e estabelecendo a comunicação entre personagens. “Confesso que não acho seus poemas fáceis”, diz ela. “Um poema deve ser compreendido pelos sentidos”, explica ele. Talvez seja essa mesma percepção que se aplica a Brilho de uma paixão, cujo título original “Bright Star” (‘estrela cintilante’) vem de um dos mais famosos poemas de Keats.
 
Brilho de uma paixão é uma festa para os olhos com a fotografia de Greig Fraser, que tem em seus créditos o segmento dirigido por Jane Campion na obra coletiva Cada um com seu cinema. A trilha sonora é minimalista e assinada por Mark Bradshaw, composta de poucos acordes que nunca são invasivos, mas refletem o que parece estar acontecendo dentro da cabeça dos personagens. A diretora busca uma beleza de imagens que corresponda à beleza verbal da obra do poeta.
 
Keats parece estar em busca de uma musa que não apenas inspire os seus poemas, mas também os leia, compreenda e discuta. Aos poucos, Fanny é capaz de assumir essa posição. Os dois nunca sabem, na verdade, o que fazer com o desejo carnal, que parecem sublimar em suas artes. Ela gosta de costurar, mas não apenas vestidinhos ou roupinhas simples. Fanny é o que hoje em dia se chamaria de estilista. Ela cria, obedecendo a uma necessidade de expressão muito grande presa dentro de si numa época muito conservadora.
 
O relacionamento entre Fanny e Keats poderia ser menos complicado não houvesse entre eles Brown (Paul Schneider, de O assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford). Melhor amigo de Keats, ele se preocupa com a obra do poeta e teme que o outro esteja desperdiçando sua genialidade com uma paixão fadada ao fracasso. O conflito entre Fanny e Brown, que também é poeta, tem ao centro as atenções de Keats.
 
Keats não pode se casar com Fanny porque não tem dinheiro. Por isso, seu amor é sublimado nas cartas e poemas – que, junto com uma biografia do poeta, escrita por Andrew Motion, serviram de base para o roteiro, assinado pela diretora. A paixão entre os dois poderia explodir, não fossem as amarras das convenções sociais da época.
 
Campion filma a história com um ritmo de tempo presente, não com um olhar do nosso presente observando o passado. Os movimentos de câmera, closes e outras imagens são um sopro de ar fresco sobre o peso do tempo que poderia cair numa história de um amor tão singelo como o de Fanny e Keats.
 
O que pudesse ser o empecilho para o filme – mostrar um poema sendo escrito – se torna a forma que Keats, como personagem, encontra para transpor as barreiras que limitam a sua vida, a sua paixão. Durante os créditos finais, enquanto são recitados alguns dos versos mais famosos do poeta, é fácil compreender o que seduziu a diretora a contar a sua história de amor.

Alysson Oliveira


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Comentários:
  • 26/06/2010 - 10h59 - Por Janet Jabour Assisti este filme de amor e sensibilidade ontem de tarde em Ipanema.No silêncio da sala ninguém se movia com receio de quebrar o sonho e despertar para um tempo onde a poesia perdeu seu tempo.Obrigada pelas informações.Bjs Janet.
  • 21/07/2010 - 22h20 - Por Teresa Jardim Assisti ao filme hoje e amei. Gostaria de saber quais os lugares da Inglaterra foram passadas algumas das mais lindas cenas de campo.
    Agradeço um breve retorno.
  • 14/08/2010 - 21h21 - Por rogen Alguem pode me diser,qual o nome da enpregada que engravida ? obrigadow
  • 17/10/2010 - 02h26 - Por marisa Adorei este filme, assisti ontem e amei cada cena, em um tempo que a poesia esta esquecida o amor verdadeiro tão raro o brilho de uma paixão nos faz rever nosso modo de vida; Como estamos? Partindo a cada hora que passa, um suspiro de vida a menos, o que deixaremos para os futuros de nossa terra?
    Indiquem este filme a seus parentes e amigos, o amor tem que ser renovado a poesia a simples emoção de dialogo com frases que nos tormam humanos.
  • 14/02/2011 - 00h39 - Por kessya cada cena que assistir me tocou muito,
    o filme me fez lembra de um amor que tive,
    e pode ter certeza que sei como é perder alguém que se ama muito.
    Ps.: VIVA A VIDA COMO SE NÃO HOUVESSE O AMANHÃ.
  • 15/04/2011 - 13h01 - Por Fernanda assisti hoje de manhã sozinha na sala o filme é tão lindo que eu nem piscava minha imaginação foi além dos limites chorei com ela quando recebe a noticia da morte de seu amor por isso devemos dar valor enquanto temos por que o tempo não vai voltar !!
    viva a intensidade do amor no presente.
  • 14/05/2011 - 02h28 - Por Thali Acabo de assisti-lo e estou em estado de graça, que filme belíssimo, linda fotografi e história maravilhosa, me emocionei do começo ao fim. Pra mim um dos momentos mais lindos, em que me emocionei, é quando eles trocam as primeiras cartas de amor.Recomendo a todos os que amam romance e poesia!
    "Antes fôssemos como as borboletas e vivêssemos três dias de verão...três dias assim com você que eu preencheria de tando prazer...que 50 anos normais jamais poderiam conter."
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