Copacabana (2001)

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Crítica Cineweb

21/02/2003

Depois de Bossa Nova, de Bruno Barreto, um dos bairros mais famosos do Rio de Janeiro volta às telas, no terceiro longa-metragem da diretora carioca Carla Camuratti. A fita tenta traçar um panorama do bairro no começo do século e contrapô-lo com seu atual perfil.

Quem espera reencontrar o humor genial de Carlota Joaquina, primeiro longa da diretora, vai se decepcionar. Carla, que se inspirou nas histórias contadas pelo avô Enrico, confeiteiro do Hotel Copacabana Palace, fez desta vez um filme irregular. Até a trilha sonora, com o rap Planet Copacabana, de Bia Pontes, não ajuda. A escolha de Superbacana, de Caetano Veloso, para fechar o filme também não foi feliz.

Alberto (Marco Nanini) é um fotógrafo que, às vesperas de completar 90 anos, revisita acontecimentos importantes de sua vida. Aos poucos, essas recordações vão se misturando com a história do bairro e, com isso, retomando fatos que marcaram Copacabana. Assim o filme dá uma pincelada bem de leve no Movimento dos 18 do Forte, revolta militar ocorrida em 1922, contra o governo do então presidente Epitácio Pessoa. Da mesma maneira, cita a passagem do Zeppelin pelo Rio de Janeiro e o inusitado resgate à beira-mar de um elefante que fugiu do circo.

A escolha de um elenco experiente, formado por Laura Cardoso, Walderez de Barros, Felipe Wagner, Ida Gomes, Ranata Fronzi, Ilka Soares, Myrian Pires, entre outros, não foi suficiente para dar consistência ao filme e aprofundar os personagens. Mesmo o protagonista da história recebeu um tratamento superficial, já que tem sua vida focada em algumas épocas, deixando em branco lembranças importantes ao espectador. Destaque para Rogéria, no papel dela mesma.

Carla soube costurar a história da origem do nome do bairro com a vida de Alberto, abandonado na porta da Igreja Nossa Senhora de Copacabana logo que nasceu. A devoção do personagem pela santa é recorrente em todo o filme. Aproximanto o espectador da literatura brasileira, o filme expõe boas citações de autores como Machado de Assis.

Na festa de aniversário de Alberto, organizada por seus amigos, os idosos se misturam a prostitutas e travestis, o que pode ser visto como um curioso encontro entre duas realidades tão diversas: a dos velhos saudosistas e a do presente decadente. Copacabana acerta também ao levantar a discussão sobre a marginalização dos idosos numa sociedade globalizada, que preza mais a rapidez da informação. Ainda assim, os personagens vivem como se a velhice fosse a melhor época de suas vidas para, como lição, deixar a idéia de que é possível se divertir em qualquer idade, mesmo que seja mais fácil apenas esperar a morte chegar.

Luara Oliveira


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