Cópia Fiel

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Sinopse

Numa cidadezinha italiana, um escritor inglês chega para o lançamento de seu novo livro sobre arte. Ele depois visita uma mulher. A natureza do relacionamento entre ambos será revelada ao longo do filme.


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Crítica Cineweb

07/06/2010

Quantas línguas fala o amor? Em Cópia Fiel, novo filme de Abbas Kiarostami, pelo menos três – inglês, francês e italiano. Essas várias línguas que se sobrepõem são o símbolo vivo das várias camadas de incompreensão que podem se acumular entre as pessoas, nesta Babel que não é só linguística, mas sobretudo emocional e amorosa.
 
O tempo é outra questão. Especialmente os tempos do amor, visíveis nos vários casais que aparecem no filme - os jovens noivos apaixonados que se sucedem para uma foto junto a uma estátua tida como portadora de sorte; o par maduro que oscila ao longo de todo o filme (Juliette Binoche e William Shimell); e uma dupla de velhinhos que eles encontram perto do final.
 
A questão que dá nome ao filme, bem como seu ponto de partida, é o valor do original e de suas cópias, uma discussão emprestada ao mundo da arte mas que muito bem se aplica a tudo o mais. Inclusive aos sentimentos.
 
Enredando todos estes pontos, o diretor iraniano, em seu primeiro trabalho filmado fora do Irã, teceu em espiral uma narrativa que dialoga consigo mesma – como quando Juliette Binoche discute a natureza do casamento com uma pragmática mulher mais velha (Gianna Giachetti). Da mesma forma, Kiarostami também se nega a entregar muito facilmente a real natureza do relacionamento entre seus protagonistas. Quando o filme começa, eles parecem estranhos unidos pelo acaso. À medida que se desenvolve, aparecem sinais de que existe um antigo relacionamento entre eles.
 
Essa maneira circular de expor seu tema é o grande segredo da magia do filme, que demonstra o engenho raro de sua direção e de sua dupla principal de atores, conduzindo-se este caleidoscópio de sensações com uma inteligência e sutileza exemplares. Não é o tipo do filme que se vê todos os dias. Mas é certamente o tipo que se deseja imediatamente rever. E que se façam outros.

Uma atração à parte é o roteirista Jean-Claude Carrière, ele mesmo um emérito contador de grandes e criativas histórias, atuando numa sequência bem significativa e divertida, na praça da cidadezinha italiana.

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 29/03/2011 - 23h56 - Por Ana Paula Kiarostami se inspirou em "Before Sunrise" e fez de "Cópia Fiel" uma narrativa chata e improvável daqueles dilemas que carregamos conosco. Não é fácil fazer o que ele pretendeu; poucos, como Linklater, no caso, e mestres, como Truffaut, conseguiram.
  • 30/03/2011 - 12h56 - Por Neusa Barbosa Oi Ana Paula:

    respeito sua opinião, mas discordo totalmente.

    de jeito nenhum acho que Kiarostami "se inspirou" em "Before Sunrise".

    Acho que os dois filmes visam coisas muito, muito diferentes, em todos os sentidos.

    Não é fácil também fazer o que Kiarostami faz neste filme, retratar uma relação amorosa de um jeito que deixe as conclusões tão abertas ao espectador, que é o tipo de cinema que ele procura em toda a sua bela obra.

    abraço

    Neusa
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