Harry Potter e a Pedra Filosofal (3)

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Crítica Cineweb

13/01/2003

Último modelo em vassouras voadoras, a Nimbus 2000 é o sonho de qualquer um. Além de ser a mais veloz do mercado, ela também é aerodinâmica, tem cabo de mogno, longa cauda de palhas limpas e retas e a marca grafada em ouro próximo ao punho. Dá para imaginar do que estamos falando, mas ver esse objeto do desejo infantil nas telas é outra coisa. Harry Potter e a Pedra Filosofal, de Chris Columbus, é a transposição de um mundo mágico para a realidade cinematográfica, com um cuidado minucioso que não deixa nada a desejar ao imaginário infantil dos leitores de J. K. Rowling.

Traduzido em 47 línguas, a série Harry Potter é, sem dúvida, o maior fenômeno literário dos últimos tempos. A explicação para tanto sucesso é o empréstimo de seres e objetos fantasiosos do imaginário infantil e sua apresentação, simultânea, ao leitor e ao protagonista da história. Não ser apanhado por uma travessura, espionar qualquer pessoa ou roubar sobremesa antes do jantar são passatempos triviais com a existência da capa da invisibilidade. Ainda muito melhor é ser dono de uma varinha mágica personalizada.

Essa atmosfera criada por J.K. Rowling foi transposta às telas com extrema fidelidade. Nesse sentido, a escolha de Chris Columbus (Esqueceram de Mim) foi um achado, já que ele não altera uma vírgula da história original o que, para outros diretores sondados ao cargo, talvez fosse um martírio. A única ousadia de Columbus foi, talvez seguindo as dicas da autora, que já está escrevendo o quinto livro da série, uma certeira e muito sútil insinuação de um futuro envolvimento entre Harry e Hermione, inexistente no livro e materializado aqui por uma cúmplice troca de olhares.

Além de Brad Silberling (Garparzinho), Wolfgang Petersen (A História Sem Fim) e Alan Parker (As Cinzas de Ângela), também estava no grupo dos concorrentes a dirigir Harry Potter e a Pedra Filosofal o americano Steven Spielberg. Mestre em criar realidades fantasiosas, Spielberg, a exemplo do que fez com a idéia de Stanley Kubrick em A.I. - Inteligência Artificial, talvez salpicasse seu tom grandiloqüente e melodramático em uma história que se destaca por ser simples.

Isso pode parecer paradoxal levando-se em conta toda a magia do universo de Rowling. Todavia Harry Potter é um criança que, como as outras, também tem de lidar com colegas antipáticos, provas bimestrais, professores carrascos e diferenças sociais, aqui expressadas não pelo dinheiro mas pela tradição familiar na bruxaria. É claro que Harry, para despertar nos leitores/espectadores apenas empatia, teve as costumeiras experiências traumáticas de uma criança extremadas e, a partir disso, todos os personagens do livro enveredam por caminhos maniqueístas que, no entanto, são desfigurados no final da trama.

Ao dar rostos de carne e osso a personagens que, até então, só eram imaginados, o filme desenvolve uma nova dinâmica de leitura para as aventuras do menino-bruxo. Mas como o intercâmbio entre cinema e literatura é muito freqüente, essa nova forma será absorvida sem grandes perdas de conteúdo e emoção. Harry Potter e a Pedra Filosofal é diversão garantida para toda a família. Atire a primeira pedra quem nunca pensou, ao menos quando criança, que vassouras voadoras, capas da invisibilidade e varinhas mágicas resolveriam os problemas do mundo.

Fotos: Warner/Divulgação

Luara Oliveira


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