Príncipe da Pérsia – As Areias do Tempo

Príncipe da Pérsia – As Areias do Tempo

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Um príncipe se une a uma princesa inimiga para juntos impedirem que um tirano comece uma tempestade de areia que pode destruir o mundo.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

01/06/2010

Quando a ficção entra no campo da história oficial, nada impede que toda uma cultura seja reformulada para não desmentir o roteirista. Não diminui a legitimidade do filme, nem propriamente é prejudicial ao próprio povo selecionado para os caprichos de quem cria a trama. O limite é a clareza sobre o que se vê na tela.   
 
Príncipe da Pérsia pode ser percebido como um exemplo disso. Já no início, enumera os feitos do grande império persa, para situar no tempo e espaço o espectador em uma fantasia repleta de engenhosos efeitos especiais.
 
O rei da Pérsia em questão é Sharaman (Ronald Pickup), um líder nato que tem como conselheiro seu irmão, Nizam (Ben Kingsley, de Ilha do Medo). Fictício, como todo o filme (exceto a apresentação), o rei é pai de dois filhos Garsiv (Toby Kebbell, de RocknRolla) e Tus (Richard Coyle, de Um Bom Ano), o príncipe herdeiro.
 
No entanto, a família apenas se completa quando o rei adota Dastan, uma criança maltrapilha, que demonstra coragem e sabedoria ao defender um colega de rua. Como diz o narrador, ele é um predestinado e será decisivo para a história dessa civilização.
 
Depois de 15 anos, Dastan (agora, interpretado por Jake Gyllenhaal, de “O segredo de Brokeback Mountain”) se vê em meio a seus irmãos e tio numa difícil escolha: invadir ou não uma cidade sagrada que, segundo um espião persa, vende armas para os adversários de seu povo. Vencido no voto, o protagonista entra na cidade e captura a princesa Tamina (Gemma Arterton, de Fúria de Titãs).

No entanto, ela guarda um segredo, uma adaga que tem o poder de voltar no tempo. O artefato cai nas mãos do herói que, graças a um complô, é acusado de matar o próprio pai adotivo. Dastan e Tamina fogem para iniciar a jornada que selará o destino de ambos.  
 
Com uma história confusa e repleta de pontos de interrogação, “Príncipe da Pérsia” é uma produção cujo valor cosmético é maior do que o entendimento claro sobre o que se passa nas cenas. Com lutas bem coreografadas, imagens rápidas e com pontos de humor assertivos, o final da projeção, porém, provoca questionamentos quase risíveis.

Um exemplo prático é o de Amar (Alfred Molina, de Educação), uma espécie de comerciante ilegal que, em determinado momento do filme. afirma haver terças e quintas-feiras. Outro ponto de reflexão é a própria adaga, que necessita de uma espécie de areia divina para funcionar, inacessível aos humanos, mas de que a princesa possui até um refil.

É irrelevante a identidade do príncipe, que poderia ser persa ou de Marte, já que não há referências para sustentar a história. O diretor Mike Newell (de Amor nos Tempos do Cólera e Harry Potter e o Cálice de Fogo) se esforça, mas não consegue dar jeito no que já começou errado, a partir de um mau roteiro.

Com um heroi de aventura um tanto pobre (o primeiro de sua carreira), Jake Gyllenhaal sai também chamuscado desse deserto. O único que ri à toa mesmo é o produtor Jerry Bruckheimer, uma espécie de Midas em Hollywood (são dele as franquias Piratas do Caribe, Bad Boys e, na TV, os múltiplos CSIs), que pensa apenas em faturamento alto e rápido nas bilheterias.

Rodrigo Zavala


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Comentários:
  • 04/06/2010 - 10h05 - Por Santos Péssimo comentário Rodrigo, será que você realmente assistiu o filme antes de redigir este texto! Porque não há nenhuma verdade a não ser a sinopse! Começando por colocar o nome do diretor no elenco, sendo que nunca atuou como ator a não ser em "One of the those days". E, foi um filme muito bem produzido, não houve lacunas conforme informado acima, e sim, houve informação até demais, para entendimento de quem nunca jogou o jogo no vídeo game! Melhoras!
  • 04/06/2010 - 13h51 - Por Armando Funari O que Rodrigo Zavala deixa de considerar e transmitir ao leitor Cineweb é que o filme é uma adaptação de uma franquia clássica do mundo dos jogos, Prince of Persia. A franquia remonta aos tempos em que os monitores de computador ainda eram em preto e verde. A história do filme, particularmente, é baseada em uma das edições da franquia que leva o mesmo nome do filme (Prince of Persia: The Sands of Time, lançado em 2003). Essa é uma informação relevante ao leitor que considera assistir ao filme. O mínimo que se espera de alguém que vá fazer a crítica de um filme é uma pesquisa rápida (0,21 segundos, no Google) para não cometer um equívoco primário como este. Quando Rodrigo critica a falta de rigor histórico do filme o faz apenas por total desconhecimento de que se trata de uma adaptação de jogo para o cinema. A proposta, desde o começo, não é o rigor histórico. Enquanto adaptação do mundo dos jogos, o filme é bastante razoável, com preocupação técnica de reproduzir não apenas personagens, mas principalmente a movimentação e o estilo do personagem principal, Dastan. Tal qual na versão para os consoles, o herói salta longas distâncias, caminha pelas paredes e realiza outras proezas acrobáticas, dando uma sensação de nostalgia a qualquer um que já tenha passado algum tempo com o jogo. Um fator limitante ao filme talvez tenha sido a participação dos estúdios Disney na produção, transformando a atmosfera da história para melhor servir à sua tradição de entretenimento familiar, criando situações e personagens cômicos e evitando cenas mais sangrentas ou de nudez (não que as cenas de violência não estejam no filme). Achei uma experiência satisfatória enquanto filme e uma boa adaptação cinematográfica de um jogo, superando outras franquias de relativo sucesso no cinema como Tomb Raider ou Mortal Kombat.
  • 07/06/2010 - 15h47 - Por Lincoln Oliveira Caro Rodrigo Zavala

    O filme trata de uma adaptação de uma série de jogos eletrônicos de ação-aventura que foi criada por Jordan Mechner. Possuindo vários títulos, em 2003 a Ubisoft lançou uma continuação intitulada %u201CPrince of Persia: The Sands of Time%u201D.
    Apesar de adotar o gênero de plataforma em 2D em seus primeiros jogos, a série evoluiu para jogos tridimensionais de ação-aventura.
    Embora o diretor não tenha sido fiel as historias do jogo, ele foi fiel em transportar a jogabilidade para o personagem, sem falar do figurino e do modo de combate que foi exatamente o que o fan do jogo esperava encontrar.
    Sobre as pontas soltas do filme, elas vem do jogo tal como em Sin City ou Spider-man onde os detalhes do filme só ficam realmente claros para os que conhecem o gibis.
    Para os telespecatores que conhecem o jogo, sua trama e historia o filme foi sim um ótimo filme.

    Então Rodrigo Zavala, antes de sair digitando asneiras, faça-nos o favor de refletir sobre o que escreve.z
  • 12/06/2010 - 23h31 - Por Diogo É realmente um filme terrível. Roteiro bobo. Cheio de clichê. Não importa se partiu de um videogame ou de um livro. Como filme, não funciona. É ruim mesmo.
  • 14/06/2010 - 12h54 - Por Bruno Santos pouco importa se o filme é uma adaptação do que quer que seja! Filmes são uma demonstração de arte, têm que ser tratados com respeito, assim como convem tratar com respeito a inteligência de quem os vê. Entretenimento sem cérebro, é uma grande perda de tempo, além de uma forma produzir criaturas acéfalas, que depois ficarão horas comentandando as cenas e deslumbrando-se com peripécias sem qualquer conteúdo. Pode funcionar para as faixas etárias até os 11 anos. Ou não. Prefiro indicar aos meus sobrinhos coisas com melhor conteúdo.
  • 28/06/2010 - 22h31 - Por Alex Lefevre Arte é arte, video game é video game.
  • 01/07/2010 - 21h48 - Por Flavia Eu nao sei porque ainda leio criticas. Nunca concordo com elas. Os bons sao ditos ruins, os ruins sao bons. Parece que a critica esta sempre preocupada é em parecer culta ou "sabia" demais para o cinema. Assino embaixo o que disse o Armando. Qualquer um que tenha tido o prazer de jogar Prince of Persia se sente totalmente satisfeito com o filme, diferentemente do que senti com Resident Evil, por exemplo. Justamente isso: a preocupaçao com a fidelidade dos movimentos e personagens do jogo é incrivel! Me desculpe quem acha que cinema tem que ser sempre um punhado de aula sobre historia, filosofia e geografia. Por que assistem se nao gostam do genero? Ah, faz favor!Salve às diferenças! So nos enriquecemos culturalmente com a possibilidade de conhecermos e respeitarmos outros generos. Que pena que "algumas" crianças nao poderao desfrutar de coisas que condizem com a idade deles, como com a de qualquer uma. Quando vou ao cinema vou me divertir... quer aula de historia? vai a uma biblioteca! Tenho certeza que o filme foi produzido especialmente para os velhos fas do "game" e estes, aposto, estao satisfeitos. Objetivo alcançado.
    Outra coisa... Jake Gyllenhaal deve estar rindo à toa sim! Protagonista de um sucesso de bilheteria... Qual ator nao quer? Que venham outros!
    Ah! E quem foi que disse que video game nao é arte?
  • 22/02/2011 - 10h19 - Por Priscila Não há nem o que comentar de uma crítica em que o próprio autor não assistiu ao filme.
    A crítica se resume ao infeliz comentário " Vencido no voto, o protagonista entra na cidade e captura a princesa Tamina (Gemma Arterton, de Fúria de Titãss)."

    Qualquer pessoa que tenha assistido ao filme com o mínimo de atenção sabe muito bem que a Princesa Tamina em momento algum foi capturada, ela seguiu Dastan por livre e espontânea vontade.

    Me desculpe Rodrigo Zavala, mas da próxima vez que resolver fazer uma crítica de algum filme, assista-o antes de fazer a crítica.

    Digo a quem deseja assistir ao filme, não é uma crítica bem elaborada, mas eu assisti ao filme e adorei. O enredo é interessante, o cenário é muito bem elaborado, as paisagens belíssimas, as cenas de ação são de tirar o fôlego, mesmo que pareça meio ilusório. O filme tem ação, mistério, romance e um toque de comédia. Enfim, prende a atenção do espectador.
  • 22/02/2011 - 15h41 - Por Rodrigo Zavala Olá Priscila,
    Vejo que gostou da adaptação de Príncipe da Pérsia e creio que você está certa ao dizer que o filme tem ação, mistério, romance e um toque de comédia. Enfim, prende a atenção do espectador. Mas, também é interessante colocar algumas incoerências narrativas desta produção. E, como você mesmo diz, "qualquer pessoa que tenha assistido ao filme com o mínimo de atenção sabe muito bem".

    Não discutirei aqui sobre a captura da princesa, mas acredito que a opção de seguir o protagonista veio depois de um embate inicial (daí capturar e não sequestrar). Lendo a história do videogame, percebi que faltavam fatos e explicações, que ficaram de fora na adaptação do roteiro. O erro, aqui, foi omitir essa informação do leitor.

    Quando digo que o roteiro é ruim, sinceramente, acredito que seja mesmo. Por mais que o filme divirta, entretenha e aproveite o carisma do ator principal, não há nada de novo, não há originalidade, não há frescor. É errado esperar mais?

    Sobre os buracos. Fica mal explicado, mas entendemos de uma forma forçada, como a princesa possui mais areia do que está na arma. Outro exemplo, menor, é claro, mas não menos curioso - é o fato de existir terças-feiras. Pelo menos, durante a exibição da versão mostrada à imprensa fez a audiência soltar gargalhadas. Não é um erro fatal, mas uma clara falta de cuidado.

    Outra curiosidade vem da primeira cena de fuga do personagem de Jake. Coloque-o cantando e repare como seria muito similar ao começo de Aladdin, da Disney.

    No fim, creio que nossas opiniões divergem por uma questão de referências. Talvez seja ingênuo da minha parte esperar um pouco mais das produções do gênero, que saiam do lugar comum, dos clichês (vide Escorpião Rei), mas não vejo isso como um erro.
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