Tudo pode dar certo

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Sinopse

Boris é um físico fracassado e amargo, que vive descarregando seu amor em todo mundo. Um dia, quebra sua rotina uma jovem loura e bonita do Sul, Melody - que ele acolhe contra a vontade. Surge um romance improvável, que corre mais ou menos bem até o dia em que a mãe dela vem procurá-la.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

26/04/2010

Woody Allen volta ao lar cinematográfico com Tudo Pode Dar Certo. Depois de uma não tão curta temporada de quatro filmes europeus – apenas temporariamente interrompida aqui – ele volta a Nova York, mergulhando mais uma vez numa história de amor entre duas pessoas totalmente improváveis – um físico sessentão, intelectual, pessimista e pedante, Boris Yellnikoff (Larry David, co-criador da série Seinfeld e e roteirista e ator de Curb your Enthusiasm) e uma jovenzinha loura, caipira e ingênua, Melody St. Anne Celestine (Evan Rachel Wood).
 
Interpretando o papel que seria de Woody Allen, caso ele atuasse aqui, David mostra-se uma versão altamente mais ácida e amarga do que o diretor seria. Falta-lhe aquele toque de fragilidade e confusão que torna Allen digno de compaixão e simpatia. David provoca deliberadamente a fúria do espectador e de todos à sua volta, encarnando um homem vaidoso e profundamente ferido em sua autoestima e que, por isso, descarrega sua bílis em todas as direções. Aliás, até contra a platéia do cinema, em várias vezes em que encara diretamente a câmera, um recurso espertinho.
 
Nenhum encontro humano genuíno se faz sem alguma contradição ao próprio comportamento habitualo. Isso acontece inclusive ao antissocial Boris, quando ele contraria a própria impiedade militante e acolhe em sua casa Melody, a garota sulista que desembarcou em Nova York cheia de ilusões e agora sequer tem um canto onde dormir.
 
Com uma formação totalmente oposta à de Boris, numa família típica do Mississipi, cristã praticante, conservadora e armamentista, Melody empolga-se com o discurso pessimista crônico de seu anfitrião, sempre jogando a absoluta falta de sentido do universo na cara dos otimistas e sorridentes, como ela. Ele já desistiu da primeira esposa por ser perfeita demais e até tentou o suicídio – e falhou. Se levasse a própria filosofia niilista às últimas consequências, ele só poderia procurar a morte outra vez. Mas, evidentemente, não faz, usando seu vício do pessimismo como estímulo cômico neste romance de contraste.
 
Um saboroso núcleo complementar se estabelece quando os pais de Melody, cada um por sua vez, vão em busca da filha. A mãe, Marietta (Patrícia Clarkson), chega de malas na mão e disposta a ficar, diante de mais uma traição do marido, John (Ed Begley Jr.). A exposição dela ao ambiente profano de Nova York opera milagres e logo se verá uma versão de uma Marietta artista plástica da moda e envolvida em múltiplos relacionamentos. Quando o marido chega, depois de um choque inicial, será sua vez de experimentar uma renovação igualmente radical.
 
Novamente, é o Allen pessimista em relação à natureza e à duração do amor que sustenta esta história singela, embora repleta de comentários irônicos e até políticos – já que o casal Marietta/John é a mais pura encarnação de uma parcela de uma elite nacional rica, reacionária e sócia da Associação Nacional de Rifles da América.
 
No fundo, trata-se de uma grande reciclagem de bons momentos e de outros nem tanto da a esta altura vasta obra de Woody Allen. Pode não ser o seu melhor filme, mas já se sabe que um ou dois outros estão vindo pelo caminho, de novo na Europa: You’ll Meet a Tall Dark Stranger, filmado em Londres e com première mundial marcada para o próximo Festival de Cannes, em maio, e Midnight in Paris, que será produzido na capital francesa e com a primeira-dama Carla Bruni no elenco. Um deles pode dar mais certo.
 
 
 

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 30/04/2010 - 02h38 - Por Otávio Poxa, Neusa! Dois parágrafos de crítica a um filme como este é dose... rs
    Aliás, não ficou muito claro se não te agradou a atuação de David ou se apenas a considerou diferente daquela que supostamente seria desenvolvida por Allen.
    Inclusive, é preciso dizer, não ficou muito claro quais as suas críticas e elogios a este filme. No final das contas, como cheguei a ver o Fernando Meirelles reclamar uma vez, esta ficou uma daquelas críticas com uma "mãozinha apontando pra cima", que não fala muita coisa.
  • 30/04/2010 - 17h01 - Por Marcelo Lopes Olá, Neusa. Concordo com o comentário postado aqui e assinado por Otávio, quando diz que você falou pouco a respeito do filme. E vou além: me perdoe, mas o que li foi uma resenha e não uma crítica ao filme. Allen merece mais do que isso e o Cineweb não pode "economizar", afinal estamos falando de um dos maiores diretores do cinema mundial.
    Mas o que quero mesmo é dar a minha visão pessoal sobre este excelente filme. Diálogos ágeis, cortes bem feitos, interpretações convincentes. Sem contar na grande sacada que é interromper a narrativa para comentar algo da história com o público. Nos faz lembrar que estamos mesmo no cinema, que o que vemos (acredite) não é vida real. Sim, porque o filme nos faz voltar para nós mesmos e avaliar que tipo de relação mantemos com as pessoas à nossa volta.
    Ao contrário do que imaginei, ao ver Melody em cena, ali não estava apenas uma bela mulher. A beldade não fica devendo nada à velharia talentosa com quem contracena. Muito segura, convence principalmente na hora em que descobre o seu verdadeiro amor(refiro-me à sequência no barco).
    Woody Allen questiona valores, mostra que a vida é assim, cheia de reviravoltas porque, afinal,o que todos queremos mesmo é ser feliz. E é isto que ele nos mostra com toda a sua maestria. Quando o filme acabou desejei que continuasse.
  • 04/05/2010 - 16h41 - Por Fabio Descordo de vcs dois. A crítica é descritiva. Gosto é questão de ponto de vista. Se é bom ou não, vá ver o filme e forme a SUA opinião. Porém acho que poderia ser um pouco mais extensa. Analise descritiva muito curta.
  • 05/05/2010 - 03h19 - Por Otávio "A crítica é descritiva", "análise descritiva...". Estas frases não dizem muita coisa, vamos combinar.

    "Porém acho que poderia ser um pouco mais extensa". Bem, acho que foi exatamente isso que foi dito até aqui.

    Enfim, Neusa, já tem três pessoas dizendo que sua crítica poderia ser mais extensa, mais detida... rs Vou promover um abaixo assinado aqui! E se faço isso é porque eu gosto do que escreve... rs
  • 05/05/2010 - 09h54 - Por Neusa Barbosa olá a todos - vocês têm toda razão quanto ao tamanho da crítica, mas houve um erro técnico e não tinha entrado todo o meu texto. Agora está lá!!
    Eu jamais dedicaria apenas dois parágrafos a Woody Allen, mesmo achando que este não é seu melhor filme.
    Ótimos comentários, Marcelo!! Fico feliz de ver um espectador assim atento e sensível, o cinema agradece.
    abs
    Neusa
  • 05/05/2010 - 12h22 - Por Neusa Barbosa Oi Otávio - acho que vc não viu meu comentário anterior - havia no ar uma versão mais curta da minha crítica, por problema técnico!
    Leia tudo acima, de novo. Agora está inteiro!
    Vc pode até discordar, né, mas agora está tudo lá.

    abs

    Neusa
  • 05/05/2010 - 23h50 - Por Otávio Agoooora sim, Neusa! Inclusive foi muito bacana você ter respondido às mensagens!

    Bem, eu confesso que concordei com o Marcelo e, francamente, acho que foi o melhor filme de Allen dos últimos anos (francamente, preferi mais que "Vicky, Cristina, Barcelona", que também me agradou bastante!)

    Não fiquei em fúria com Boris... Aliás, adorei seu ar rabugento e "escroto", principalmente porque destaca uma discussão importante do filme: ele, extremamente arrogante e rabugento, auto-eleito "especial", "único", na verdade está na mesma barca que a estúpida Melody, sua mãe etc. No final, todos estão, como bem comentou Marcelo, buscando a felicidade, e precisam superar obstáculos particulares para alcançar este objetivo. Ele sente dor, se magoa... Por mais que tente com seus discursos, jamais consegue convencer o espectador de que é algo diferente dos outros! Os eventos o contradizem!

    Sinceramente, vivemos num mundo de briga de egos. O mundo está cheio de "Boris", falando rebuscado, tentando criar um pedestal ilusório. Mas no final é discurso vazio, é "blablabla".
  • 23/05/2010 - 13h55 - Por Ricardo Concordo com a Neusa! Realmente não está entre seus melhores filmes. São inúmeros aqui os "lugares comuns" dentro da filmografia do Allen. Mais uma vez um personagem ácido, pessimista e hipocondríaco, visivelmente escrito para o próprio diretor atuar. Quem assistiu Annie Hall sabe bem que esse recurso de olhar para a câmera e dialogar com o espectador não é uma "sacada" tão nova assim, neste filme ele enfatizou um pouco mais a idéia da metalinguagem, mas como a Neusa bem disse, são idéias recicladas e não originais.
    Claro que gostei do filme, mesmo um filme mediano do Woody Allen supera o melhor filme da filmografia de muitos outros diretores.
    Quanto a critica da Neusa, achei bastante pertinente. Na minha opinião desenvolver uma boa crítica é saber "conceituar" e não "adjetivar" como muitos esperam.
  • 24/05/2010 - 19h40 - Por Marcelo Lopes Neusa, obrigado pelo elogio. Estou lisonjeado. Acho que esse olhar é porque amo cinema de verdade e com o tempo a gente vai apurando a percepção. Mas adoro seus textos que - repito - são ótimas resenhas (e não críticas; que bom!)sobre os filmes que são lançados. Parabéns ao Cineweb e a você!
  • 24/05/2010 - 19h50 - Por Marcelo Lopes Prezado Ricardo. Gostei do que escreveu, bastante pertinente, mas continuo defendendo o filme de Allen, como um dos melhores. Apenas uma questão de gosto, nada mais. Só queria fazer uma ressalva à sua observação quando comenta parte do meu texto. Quando disse que Allen teve uma grande sacada ao usar o artíficio do ator "interromper a cena" para conversar com o público, não afirmei que esse procedimento era novo. Aliás é bastante antigo e pouco usado por razões óbvias. Referia-me ao fato dele buscar esta, digamos, "artimanha", que foi utilizada com a maestria de sempre do nosso Woody Allen.
    Fraternalmente.
  • 23/07/2010 - 01h19 - Por golon byron Tudo pode dar certo

    Wood Allen figura tarimbada em trágico-comêdias nova-iorquinas e temas existenciais psicanalíticos e em criações que encantam e surpreendem os mais desavisados. Agora Allen ataca novamente com mais uma obra prima o filme Tudo Pode Dar Certo, contem excelente tema, muito atual, Wood trabalha com uma perspectiva contemporânea. O filme começa com uma grande discussão filosófica entre amigos, onde Lerry David o Boris Yellnikoff o protagonista da historia relata suas crenças e descrenças. Boris foi professor universitário, lesionava mecânica quântica. Aposentado passa seus dias a pensar sobre o ser humano e suas relações sociais. Boris é extremamente pessimista, descrente na sua visão decadente para com o ser humano, e faz um tratado cientifico e filosófico em torno da vida, observando o que é mais importante para as pessoas normais. Temas engraçados e sérios causando reviravoltas inesperadas.
    Wood baseia-se nas teorias modernas sobre ciência, faz um comparativo com as relações humanas. Qual o sentido da vida? Formula uma teoria do acaso ou do caos, onde tudo tem sua própria ordem. Que ordem é essa, que é problema? Baseado na física quântica, para ser mais exato mecânico quântica, que acredita em uma teoria do fim ultimo e verdadeiro, exedendo-se também, para as obscuras relações humanas. Referente à nossa procura pela felicidade, como procurar, onde achá-la? Porque sempre, alguma coisa sai dos padrões, e nada é como a gente imagina.
    O acaso caso inesperado entre Boris e Melodie, serve de tema ilustrativo, %u201Cquando nossa própria teoria nos trai%u201D, e somos pegos pelos pés. Embora Boris saiba que essa relação não vai lhe dar total segurança, e que a disparidade de idade e idéias não se ajusta. Ele embarca na relação, como diz um grande escritor: %u201Cembora estejamos adestrados para a vida, existe sempre algo que nos arrebata e nos põem a prova%u201D.
    A partir dessa relação entre Boris e Melodie vai-se bordando as histórias dos personagens, narradas por Boris e seu pessimismo ferrenho e revoltado, devido ao que ele acredita; a enormidade de burrice contida em certos seres humanos. Como sempre Wood surpreende; o texto maravilhoso recheado de teorias científicas filosóficas moldando, o que eu diria; um clássico do cinema nova-iorquino.
    Física quântica, teorias da filosofia moderna, descontinuidades, psicanálise. filósofos como Deleuze, Nietzsche; o psicanalista Guattari, o cientista Wittgenstein. Baseado na Teoria das Cordas e os novos princípios matemáticos utilizados nesta teoria, permitem aos físicos afirmar que o universo possui 11 demissões; 3 especiais %u2013 altura, largura e comprimento. 1 o tempo e 7 demissões curvadas como massa e carga elétrica, o que explica as características das forças fundamentais da natureza. De acordo com a teoria das cordas, os elementares do universo não são partículas puntiformes %u2013 forma de ponto. Mínimos filamentos unidimensionais como elásticos infinitamente finos que vibram sem cessar. Está teoria propõe que roda a matéria e todas as forças provém de um único componente básico %u2013 cordas oscilantes. %u201CTeoria que explica tudo%u201D.
    Com muita filosofia e critica social Wood formata seu filme, criando uma comédia trágico-romântica, de diferentes temáticas, reciclando temas e feituras anteriores, dando uma visão espantosamente nova as questões dos desejos e as decepções humanas abordadas no filme. Tudo isso de maneira inteligente, artística e de bom gosto. Wood mantém seu nível intelectual como bom judeu nova-iorquino, prendendo o espectador até o fim em sua telinha mágica.

    Ass, Golon Byron
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