Alice no País das Maravilhas

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Sinopse

Alice, aos 19 anos, é pressionada para fazer um casamento de conveniência. Ela escapa da festa de noivado e acaba no Mundo Subterrâneo, um reino de fantasia, repleto de criaturas fantásticas - como o Gato Risonho, um coelho que usa relógio e o Chapeleiro Maluco. Lá ela descobre já ter estado ali antes e que a espera uma missão, capaz de derrotar o sangrento reinado da Rainha Vermelha.


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Crítica Cineweb

20/04/2010

A Alice no País das Maravilhas de Tim Burton é um passaporte para a maturidade da personagem criada por Lewis Carroll por brincadeira, para divertir uma criança (a musa inspiradora, Alice Liddell) em 1862. Alvo de sucessivas adaptações, inclusive um famoso desenho animado em 1951 dos estúdios Disney, produtores desta nova versão, a personagem aqui deixa a infância, tornando-se uma bela e casadoira jovem de 19 anos (interpretada pela australiana Mia Wasikowska).
 
Com a liberdade de imaginação desencadeada na versão de Burton, com roteiro de Linda Wooverton (a escriba por trás de A Bela e a Fera e O Rei Leão), a história de Alice torna-se um pequeno conto feminista, aproveitando o contexto vitoriano original da história de Carroll e o cenário do mundo fantástico matriarcal, que sedia uma guerra entre duas irmãs e rainhas (Helena Bonham-Carter e Anne Hathaway).
 
Alice é órfã de pai e está sendo praticamente empurrada para um noivado e casamento precoces – na época, nem tanto. Na festa que foi tramada como uma verdadeira conspiração para que ela diga sim, ela avista um misterioso coelho no jardim, olhando seu relógio. Um símbolo, como tantas coisas nesta história, que sinaliza o tempo que passa tão rápido entre a infância e a adolescência, rumo à vida adulta. Seguindo o animal, Alice cai no buraco que a leva ao Mundo Subterrâneo, cenário de aventuras das quais ela não retornará a mesma.
 
A mágica dos efeitos visuais – e do 3D, em algumas cópias – valoriza as experiências de Alice de aumentar e encolher seu tamanho, mediante a ingestão de um líquido ou de um bolo, bem como seu encontro com criaturas míticas, caso do gato risonho (voz de Stephen Fry nas cópias legendadas), da lagarta Absolem (Alan Rickman) e do Chapeleiro Maluco (Johnny Depp).
 
Personagem secundário na história original, o Chapeleiro Maluco aqui é um coadjuvante com direito a muito espaço e peripécias. Em vários momentos, ele será o protetor de Alice, em outros, seu instigador e mais seria, quem sabe, se Burton tivesse total liberdade e este não fosse, afinal, um filme para crianças.
 
Esta obrigatoriedade do “filme-família”, padrão por excelência da Disney, no fim das contas, funciona como uma trava à criatividade nem sempre bem-comportada (aqui, sim) do diretor de Marte Ataca! (96), Peixe grande (03) e Sweeney Todd (07). Alice cresceu, sim, mas não pode voar tão alto. E seu destino de empresária rumo à China parece também um pouco demais...
 
No Oscar 2011, o filme venceu dois trofeus: melhor figurino (Colleen Atwood) e direção de arte (Robert Stromberg).

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 30/04/2010 - 03h18 - Por diogo neusa, concordo plenamente. o desfecho para mim é gravíssimo. ela faz essa viagem toda para virar uma burguesa? pelo amor de deus, gente!
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