O Sonho de Rose, 10 Anos Depois

Ficha tcnica

  • Nome: O Sonho de Rose, 10 Anos Depois
  • Nome Original: O Sonho de Rose, 10 Anos Depois
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produo: 2000
  • Gnero: Documentário
  • Durao: 92 min
  • Classificao: 12 anos
  • Direo: Tetê Moraes
  • Elenco:

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20/02/2003

Realizado em vídeo em 1997 e convertido para filme de 35 mm no ano passado,O Sonho de Rose, 10 Anos Depois, chega finalmente aos cinemas. Visto apenas em mostras e exibições especiais para platéias formadas por trabalhadores sem-terra, o novo trabalho da diretora Tetê Moraes, premiado com a Margarida de Prata conferida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), atinge agora uma platéia mais heterogênea, que acompanha a trajetória da reforma agrária brasileira apenas pelo noticiário dos jornais.

A fria cobertura jornalística do dia-a-dia aqui é substituída por um mergulho apaixonante na história do primeiro assentamento de famílias do Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), oficializado pelo Incra após a invasão da Fazenda Annoni, no Rio Grande do Sul, em 1985. Tetê de Moraes já havia acompanhado a luta desses trabalhadores em seu filme anterior, Terra para Rose. Passados dez anos, ela retornou à Fazenda Annoni para conferir como vivem hoje as mesmas famílias que filmou em 1985.

A própria diretora não esconde a emoção ao reencontrar as mesmas pessoas que entrevistou em seu documentário anterior. E, com sua antiga experiência de jornalista, consegue tirar de cada entrevistado detalhes da experiência pioneira das 1.500 famílias que se estabeleceram na região. A música "Assentamento", cantada por Chico Buarque, embala as histórias num ponteio alegre e matinal.

Tetê funde cenas do primeiro filme com as do atual. Os assentados revêem suas imagens como se mirassem um velho espelho e se emocionam ao lembrar do passado. Gaúchos com seus grossos bigodes e a inseparável cuia de chimarrão choram ao lembrar os tempos em que viviam sob barracas cobertas de lona preta, na beira da estrada. Algumas famílias falam abertamente das divergências com alguns dos líderes do movimento e de sua opção por trabalhar em regime familiar. Mesmo divergindo, todos continuam parceiros e trocam trabalho, maquinário e ferramentas para semear seu pedaço de terra.

Quando confrontadas, as imagens dos dois filmes são eloqüentes. As barracas desapareceram, a terra nua foi substituída por áreas cultivadas, porcos e vacas são criados soltos e o leite é todo comprado por uma cooperativa multinacional. Os assentados dizem que sua produtividade é superior à de fazendeiros tradicionais da mesma região.

Para o final, Tetê Moraes deixou o emocionado encontro com a família de Roseli, a Rose que inspirou o filme anterior, morta quando o primeiro filme ainda não havia sido concluído, durante uma caminhada na estrada. Um caminhão desgovernado atropelou e matou vários manifestantes, entre os quais Rose. O marido, desencantado com os rumos do movimento, acabou abandonando o grupo e levou os três filhos do casal. Tetê os encontrou na periferia de Porto Alegre, longe da terra pela qual Rose tanto lutara.

Luiz Vita


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  • 10/09/2011 - 18h20 - Por Bruna Baixar o Documentário Terra Para Rose - http://t.co/fzwg8dV
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