Sede de sangue

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Sinopse

Padre católico é voluntário em experiência médica com doença altamente contagiosa e morre. Ressuscita, mas vira vampiro. A partir daí, luta para manter a fé e tenta obter o sangue em hospitais, para não atacar pessoas.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

26/03/2010

Desde Drácula, o livro de Bram Stoker, ou talvez, antes disso, vampiros tem servido de inspiração a inúmeras histórias. Desde o cinema mudo, as sagas dos chupadores de sangue revezam-se na tela, desde o desamparado Nosferatu, de Murnau até a vampirinha adolescente de Deixa Ela Entrar, de Tomas Alfredson.

Nesta versão coreana, o premiado diretor Park Chan-wook – da trilogia Old Boy, Lady Vingança e Mr. Vingança – aprisiona seus personagens, vampiros ou não, num círculo não só de sangue como de culpa e desejo – características, aliás, que já estavam em Bram Stoker. O vampiro principal não é um qualquer e sim um padre católico, Sang-yun (Song Kang-ho), detalhe que oferece oportunidade para que a história trace um percurso que leva todo sagrado a finalmente sucumbir não só ao profano, mas à blasfêmia mais alucinada. Certamente, o Vaticano não vai gostar, ainda mais que é especificamente citado aqui e ali e com bastante cinismo.
 
No centro da história, está a paixão desvairada entre o padre e uma jovem casada, Tae-ju (Kim Ok-vin), que não demora a mostrar o quanto é realmente a natureza mais perversa entre os dois. Há muitos efeitos especiais impressionantes, envolvendo voos dos vampiros, seus ataques e algumas cenas de amor – a mais bonita, num momento em que Tae-ju corre descalça pela rua e é pega no colo por Sang-yun, que lhe dá seus sapatos. No geral, o filme respira o fatalismo frenético e sangrento habitual deste diretor.
 
Elevando o filme, que recebeu o Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes 2009, a um patamar mais elevado, está a problemática de seu protagonista. Padre católico, ele tenta conciliar sua fé e sua ética com a incontrolável sede de sangue que o domina. Por isso, evita atacar pescoços, preferindo entrar sorrateiramente em hospitais, onde suga parte das bolsas de transfusão de pacientes inconscientes. Um arranjo que parece perfeito até ele encontrar Tae-ju.
 
Introduzindo o elemento sexual na pulsão mal-controlada do padre, Tae-ju leva-o a progressivamente perder todos os seus limites. Verdadeira Lady Macbeth, a moça quer aproveitá-lo em sua vingança contra o marido doente e egoísta (Shin Ha-Kyun) e a sogra que se aproveita dela desde criança.
 
Original em alguns aspectos e poderoso no aspecto visual – trabalho eficaz do diretor de fotografia Chun Chung-hoon -, o filme também exibe traços de um humor negríssimo, envolvendo os dilemas dos apetites do padre e situações desta família com quem ele está envolvido. Nem tudo dá certo. A porção final é um tanto exageradamente sangrenta, o que não chega a ser ilógico, sem dúvida. Ainda assim, o filme merece a visita.

Neusa Barbosa


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