Os homens que encaravam cabras

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Sinopse

O jornalista Bob Wilton, desiludido com o fim do casamento, embarca para o Kwait, pensando conseguir cobrir a guerra do Iraque. Lá conhece um veterano, Lyn Cassidy, que o ajuda a entrar no Iraque e está envolvido numa operação secreta - que tem a ver com uma unidade militar treinada para controlar mentes e atravessar paredes...


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Crítica Cineweb

22/03/2010

Atravessar paredes e ter o dom da invisibilidade – isso era coisa só do Harry Potter. Parece piada mas há quem garanta que algum dia foi verdade: em passado não muito distante, o governo dos EUA recrutou videntes e místicos para desenvolver supostos poderes extrassensorias em militares, para missões secretas.

 
O tema, que circula na imprensa norte-americana, rendeu livros, como o bestseller Os homens que encaravam cabras de Jon Ronson, que serviu sob medida para decolar o roteiro de Peter Straughan. Ele é a base da saborosa comédia de humor negro do mesmo nome, que marca a estreia na direção do ator Grant Heslov (Boa Noite e Boa Sorte).
 
Ator e diretor de Boa Noite e Boa Sorte, George Clooney é um dos protagonistas. Ele interpreta o ex-soldado Lyn Cassidy, que está no Kwait em 2003, às vésperas de entrar no Iraque, onde teria uma missão secreta. É num hotel nesse país que ele conhece o jornalista Bob Wilton (Ewan McGregor), que está afundando as mágoas do casamento fracassado na procura da adrenalina da cobertura da guerra.
 
Embora o olhar esbugalhado de Cassidy não autorize a ter confiança no seu equilíbrio emocional, Wilton resolve acompanhá-lo quando ele decide entrar no Iraque por sua conta. Pelas vias oficiais e autorizadas, a viagem pode demorar muito ou nem acontecer.
 
O trajeto de jipe pelo deserto é mais conturbado do que o jornalista imaginava e não exatamente por terem cruzado com milícias ameaçadoras. Os hábitos de Cassidy, na verdade, são estranhos. Ele se dedica à meditação e diz poder controlar as nuvens. Quando o jornalista quer saber que armas trouxeram para a sua defesa, ele responde: “Somos Jedis, não lutamos com armas”. A piada extra é que o personagem de Ewan McGregor, que interpreta Obi Wan Kenobi nas prequels da saga Star Wars, de George Lucas, desconhece o que seja um cavaleiro Jedi...
 
O humor está nessas pequenas sutilezas e mais ainda no sentido do absurdo que a história estabelece por princípio, a partir do tema. A jornada de Cassidy e Wilson no deserto iraquiano corre paralela à revelação de maiores detalhes sobre o nascimento do Exército da Nova Era, uma unidade ultrassecreta do exército norte-americano. Criada em meados dos anos 70, a unidade teria deflagrado o seu tipo peculiar de corrida armamentista com os soviéticos, estudando o uso de atividades paranormais para fins de espionagem. O objetivo: que soldados desenvolvessem dons como atravessar paredes, ficarem invisíveis e matarem uma cabra com um simples olhar...
 
Comandada pelo general Hopgood (Stephen Lang) – que tenta atravessar paredes, sem muito sucesso -,  a unidade faz treinamentos bem estranhos aos métodos militares. O general Bill Django (Jeff Bridges), um verdadeiro hippie, especializa-se em comandar sessões de dança e uso do LSD entre seus soldados, para relaxamento das energias e ampliação da percepção.
 
Nem todos na tropa gostam dessa tentativa de formar recrutas sensitivos, muito menos, de todo esse protagonismo de Django. Um deles é o coronel Larry Hooper (Kevin Spacey), que não mede esforços, nem que seja à força bruta, para voltar os holofotes para si mesmo.
 
No final, a graça da história é não só imaginar que algum dia o maior exército do mundo tenha recorrido a técnicas New Age e semelhantes – e, quem sabe, poderia estar continuando isso em algum lugar. A grande ironia é o quanto o mundo, tal como o conhecemos, pode às vezes estar nas mãos de pessoas absolutamente imprevisíveis ou totalmente malucas. Salve-se quem puder. 

Neusa Barbosa


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