Tempo de Recomeçar

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Crítica Cineweb

20/02/2003

Kevin Kline sempre aproveita bem os convites que recebe para mostrar seu talento, seja em comédias (sua participação em Um Peixe Chamado Wanda é impagável) ou em dramas, como neste dirigido por Irwin Winkler, ao lado de Kristin Scott Thomas. Pena que nem sempre os roteiros oferecidos ao ator façam jus às suas qualidades como intérprete.

Agora, em Tempo de Recomeçar, ele é George, um projetista de uma firma de arquitetura, responsável pela confecção das maquetes que antecedem a construção de casas e prédios. Reservado e perfeccionista, ele despreza a ajuda de computadores e prefere erguer, manualmente, peça por peça, suas miniaturas de sonhos. Com uma casamento desfeito e um filho adolescente problemático, ele ainda não sabe que o pior está por vir.

Por ser avesso às inovações tecnológicas e gastar muito tempo no preparo de suas miniaturas, George dá ao seu chefe o pretexto que ele precisava para demiti-lo, depois de décadas de trabalho. A reação de George à notícia é digna do comportamento dos enfurecidos operários ingleses com a chegada das máquinas a vapor em plena Revolução Industrial. Mas não há como não simpatizar com sua solitária mas sincera demonstração de caráter.

Vítima de um desmaio ao deixar o prédio, descobre ao recuperar a consciência no hospital que está com os dias contados. O câncer já lhe rouba os últimos meses de vida. Para tentar corrigir os erros do passado busca agora reconquistar o amor do filho rebelde, levando-o para passar um período em sua casa, à beira de um penhasco com cinematográfica vista para o mar. Só que o imóvel está em frangalhos e necessitando de uma reforma completa.

Como indica o nome original do filme (A Life as a House), George pede ao filho que o ajude a demolir aquela casa e reconstruir outra em seu lugar, dando todas as indicações de que ambos estariam reconstruindo suas próprias vidas. O grande problema é que Hayden Christensen, que interpreta o filho, Sam, não consegue convencer no papel do jovem arredio que ainda guarda muitas mágoas de um pai que quase não conheceu. Seus parcos recursos dramáticos, já evidenciados em Star Wars: Episódio II - Ataque dos Clones, prejudicam um tour de force indispensável à situação.

A caracterização de Kline é muito convincente e, com o desenrolar do filme, é nítido seu abatimento e esgotamento físico. Pena que o roteiro, nesse ponto, passe a despejar baldes de melodrama em cima da platéia, estragando o que poderia ser uma boa e honesta sessão da tarde de TV.

Cineweb-6/9/2002

Luiz Vita


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