Diário Perdido

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País


Sinopse

Adulta e bem-sucedida, morando no Canadá, Audrey vem visitar os pais na França. Ressurgem os atritos que tem com a mãe, Martine, um tanto fria com a filha. Esta decide reabrir a casa de praia do avô, que morreu. E descobre, atrás de um armário, o diário da avó - que abandonou a família há muitos anos e cujo nome nem pode ser pronunciado diante de Martine.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

22/03/2010

Terceiro filme da diretora francesa Julie Lopes-Curval, Diário Perdido é um consistente retrato familiar, que desenrola os fios de ligação entre três gerações de mulheres e trilha caminhos nada óbvios em seus perfis emocionais.
 
Há muito rancor na relação entre uma mãe, a médica Martine (Catherine Deneuve), e sua filha, Audrey (Marina Hands, de Lady Chatterley). Adulta, bem-sucedida fora da França, morando em Toronto, a filha se ressente da frieza emocional da mãe, um fardo que carregou a vida toda e que o pai carinhoso, Michel (Michel Duchaussoy) não consegue atenuar. Toda vez que elas se juntam, como na visita de Audrey agora, saem faíscas e surgem novas mágoas.
 
Audrey também procura isolamento. Está grávida de dois meses de um amigo, Tom (Romano Orzari), com quem mantém um bom relacionamento, mas não sabe se quer ampliá-lo para uma família. Sequer decidiu ainda se vai ou não prosseguir com a gravidez, que esconde dos pais.
 
Embora seja um filme bem feminino, no foco e no olhar, o enredo não se furta de rediscutir também os papeis masculinos. As participações de Michel, Tom e também do tio de Audrey, Gérard (Jean-Philippe Écoffey) provocam discussões inteligentes sobre a figura masculina na vida das mulheres à sua volta, tornando o quadro mais moderno e mais nuançado.
 
Decidindo abrigar-se na velha casa de praia do avô, que já morreu, Audrey descobre, atrás de um armário, um velho livro de receitas e diário de sua avó, Louise (Marie-Josée Croze) – uma figura cuja menção é simplesmente proibida em conversas com Martine, pelo bem da paz familiar. Décadas atrás, Louise desapareceu, deixando para trás Martine e Gérard ainda pequenos. Nunca mais deu notícias, criando traumas profundos nos filhos, criados pelo pai, Gilles (Gérard Watkins).
 
Ao ler as observações íntimas de sua avó, cujas receitas começa também a testar, Audrey descobre uma mulher diferente da megera que perdurou na mente da mãe. Descobre nela anseios de mudança e liberdade, não compreendidos por Gilles. Além disso, junto com o diário, há uma respeitável soma em dinheiro. Ao trazer o assunto de volta, Audrey nem imagina que irá reescrever a história da família, tingindo-a com um toque policial.
 
O roteiro de Sophie Hiet dá conta dessas sucessivas camadas, que se interpõem e não se contradizem, formando um todo complexo, rico, que se acompanha com interesse – especialmente porque as informações são fornecidas pouco a pouco, sem aturdir o espectador.
 
Se há semelhanças com o drama Conto de Natal, de Arnaud Desplechin, é mais por conta do ensemble familiar. Diário Perdido tem um tom muito mais sutil, com eventuais amarguras, mas deixando margem a reconciliações – sem mágicas, nem final feliz de novela. Está aqui uma diretora para se acompanhar. E que começou bem: seu primeiro longa, Bord de Mer, ganhou o Caméra d’or no Festival de Cannes de 2002.

Neusa Barbosa


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