Criação

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Sinopse

Charles Darwin é um cientista que entra em conflito com a religião depois da morte prematura de sua filha de 10 anos. Suas pesquisas o levam a elaborar a teoria da evolução. Isso, no entanto, mexe com seu casamento, pois sua mulher tem uma fé inabalável em Deus.


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Crítica Cineweb

17/03/2010

Um dos episódios mais importantes da história da ciência, o desenvolvimento da Teoria da Evolução, torna-se o pano de fundo para um drama familiar, em Criação, que estreia em circuito nacional. O inglês Paul Bettany (O Código Da Vinci) e sua mulher Jennifer Connelly (Ele não está tão a fim de você) interpretam o cientista Charles Darwin e sua mulher Emma, cuja crise no casamento se transforma em mote para o longa dirigido por Jon Amiel (O núcleo).
 
As descobertas de Darwin, a formulação de seus pensamentos e teoria não ganham muito espaço no filme à medida em que a narrativa avança e o drama familiar toma conta da história. Começando pela morte prematura da filha de 10 anos do casal, Annie (Martha West), que era bastante próxima do pai, e gostava de ouvir histórias de zoologia, das viagens de Darwin a terras distantes e especialmente sua amizade com uma macaquinha.
 
Cenas do passado e do presente se alternam. Pai e filha conversam, e ela parece ser a única que o compreende e realmente se interessa por seus estudos e pesquisas. No presente, o cientista se debate entre sua fé cristã, cada vez mais desgastada depois da morte da filha, e suas formulações científicas, que desafiam o dogma do criacionismo.
 
Ao contrário de Darwin, sua mulher está cada vez mais apegada a Deus e à religião e preocupada, não sem razão, com a saúde mental do seu marido. As implicações teológicas da teoria dele também a preocupam. A religião é representada pelo pastor local (Jeremy Northan, de A invasão), que nunca bate radicalmente de frente com o cientista, mas tenta dissuadi-lo de suas ideias.
 
“Criação” é um filme que surpreende pelos caminhos escolhidos para contar a história. Nunca é óbvio, mas também nunca se aprofunda em seus temas. Ao optar por dar mais espaço para o drama familiar em detrimento das pesquisas e descobertas científicas de Darwin, faz parecer que a Teoria da Evolução só existiu porque o cientista mergulhou no seu trabalho depois da morte da filha.  
 
O roteiro, assinado por John Collee (Happy Feet, Mestre dos Mares), baseia-se num livro de Randal Keynes, um descendente direto de Charles Darwin, e se abre em tantas tramas, com idas e vindas no tempo, que o foco de Criação acaba se perdendo. As descobertas do cientista são relegadas a um segundo plano.
 
Bettany, aliás, já interpretou o amigo imaginário de um cientista em Uma mente brilhante. Aqui, os papeis se invertem. Enquanto faz suas descobertas, Darwin conversa com o fantasma de sua filha. E, como ela é uma criança, ele explica tudo bastante didaticamente. Assim, não se corre nenhum risco de que o público não entenda o que está acontecendo, porque aos produtores parece necessário esse tipo de artifício.
 
Dada a forma como Criação mostra Darwin, é de se estranhar que algum dia ele tenha conseguido colocar sua teoria no papel. Afinal, ele sempre está tão ocupado com outras coisas que, quando o livro fica pronto, é praticamente um milagre. Assim, sem nunca revelar como isso realmente aconteceu, o longa se transforma em mais um drama sobre perda e superação, deixando de lado uma abordagem mais original.  

Alysson Oliveira


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