Ilha do medo

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 27 votos

Vote aqui


País


Sinopse

Em 1954, dois agentes do FBI vão para uma ilha remota onde funciona um hospital psiquiátrico. Eles devem descobrir o paradeiro de uma assassina que fugiu da instituição. A investigação trará à tona os fantasmas pessoais de um deles.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

03/03/2010

Martin Scorsese entra no centro da paranoia em A Ilha do Medo – que parece ser o seu O Iluminado, com um aceno para Um Estranho no Ninho e Spider.
 
Como no famoso filme de Stanley Kubrick, há um protagonista num local isolado. E os acontecimentos a cada momento fogem ao seu controle, vislumbrando-se uma espiral crescente de loucura. A platéia, por sua vez, é convidada a uma viagem ao inferno. No que se pode acreditar?
 
Aqui o protagonista é Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio), um agente do FBI que, junto com o parceiro Chuck Aule (Mark Ruffalo), é chamado para uma investigação no manicômio judiciário de Ashecliffe, que fica num local completamente isolado, na rochosa ilha de Shutter, perto de Boston. Ali só se entra e sai por meio de uma balsa, com o acesso severamente vigiado por guardas armados de fuzis.
 
Teddy e Chuck vêm investigar o desaparecimento misterioso de uma interna, Rachel Solando (Emily Mortimer), que teria afogado seus três filhos. Ela conseguiu sair de uma cela trancada, sem levar sapatos, num clima que é de constante tempestade e frio. Difícil imaginar como. Difícil esperar que possa estar viva.
 
Os psiquiatras atuantes no hospital, o dr. Cawley (Ben Kingsley) e o dr. Naehring (Max von Sydow), são reticentes e não permitem o livre deslocamento dos agentes. Ao mesmo tempo, Teddy sente-se cada vez mais perturbado e indisposto. Ele carrega consigo o peso de um passado doloroso, em que se misturam experiências traumáticas de guerra – ele participou da liberação do campo de concentração de Dachau – e a morte trágica da mulher, Dolores (Michelle Williams), num incêndio.
 
A noite de Teddy é povoada de pesadelos, em que vê os fantasmas da mulher e também das crianças afogadas, misturando tudo numa espiral de angústia que parece minar sua energia. Ao seu lado, Chuck, o parceiro com quem atua pela primeira vez, tenta ser compreensivo e conversar. Então, Chuck descobre que Teddy tem uma agenda própria na ilha, onde procura desvendar uma suposta operação clandestina para o esmagamento de esquerdistas, no auge das atividades do temível Comitê de Atividades Antiamericanas do senador Joseph McCarthy, em 1954.
 
Partindo do livro de Dennis Lehane, o celebrado autor de Sobre Meninos e Lobos (origem do belo filme de Clint Eastwood, de 2003), Scorsese torna a história totalmente sua, criando um território aonde leva o espectador pelos sentidos, mas guardando consigo a chave. Para isso, cerca-se de alguns dos melhores profissionais à disposição, caso de sua habitual montadora, Thelma Schoonmaker, do desenhista de produção Dante Ferreti, do diretor de fotografia Robert Richardson – responsável pela criação das formidáveis texturas ultracoloridas dos pesadelos de Teddy, com a colaboração do supervisor de efeitos visuais Rob Legato.
 
A música, uma fusão do trabalho de vários compositores, como o polonês Kzrysztof Penderecki (de O Iluminado e O Império dos Sonhos), tem a supervisão de Robbie Robertson, e é um dos ingredientes fundamentais para a criação do clima opressivo de que depende a trama, em que se misturam sugestões de conspiração, técnicas violentas de psiquiatria – como lobotomia e uso indiscriminado de fármacos – e a superposição de percepções alternativas. Trata-se de um trabalho de maturidade e engenho, digno da história de Scorsese, cujos últimos filmes foram o documentário Rolling Stones - Shine a Light (2008) e o premiado drama Os Infiltrados, vencedor de quatro Oscar, inclusive melhor diretor.
 
Parceiro constante de Scorsese em suas últimas produções, Leonardo DiCaprio exibe uma performance repleta de nuances, pungente, dilacerante. Se alguém tem dúvida de que ele é um dos grandes atores da atualidade, este é o filme para tirar as dúvidas. Poucas vezes um ator expressou tão bem o dilema de até onde é possível sobreviver à dor mais extrema – e ao horror que se presencia ou se comete.  

Neusa Barbosa


Trailer


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança