Entre irmãos

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País


Sinopse

Jovem oficial do exército vai para o Iraque em missão e é dado como morto. Sua jovem mulher tenta superar a dor, cuidando das filhas pequenas e recebendo atenção de seu cunhado, o rebelde da família. Quando os dois se envolvem, o marido volta para a casa e desestabiliza a todos.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

01/03/2010

A base para o roteiro do filme Entre irmãos lembra uma parábola bíblica: dois irmãos disputam o amor da mesma mulher e a atenção do pai. No entanto, o diretor irlandês Jim Sheridan (Meu pé esquerdo, Terra de Sonhos), trabalha num enfoque mais intimista da história, sem buscar uma grandiosidade no conflito desse grupo de personagens.
 
Tal como o ótimo O mensageiro, em cartaz no país, Entre irmãos tem como pano de fundo – ou ponto de partida para pequenos dramas – a intervenção dos Estados Unidos no Oriente Médio, dessa vez no Afeganistão. Mas, ao contrário de O Mensageiro, que envolve a sociedade como um todo, aqui o foco está na dissolução familiar.
 
Entre irmãos é um remake em inglês do filme dinamarquês Brothers (2004), de Susanne Bier (Depois do Casamento), mantendo praticamente intacta a linha narrativa, com pequenas adaptações para adequar-se à realidade norte-americana. Sheridan sempre lidou com assuntos políticos a partir do prisma familiar, como o Exército Republicano Irlandês, o IRA (Em nome do pai, 1993), e a imigração ilegal para os Estados Unidos (Terra de Sonhos). Desta vez a trama não se aprofunda nos personagens ou suas motivações, deixando de lado nuances e acumulando ideias e esboços.
 
Sam Cahill (o Homem-Aranha Tobey Maguire) é o oposto de seu irmão, Tommy (Jake Gyllenhall, de Zodíaco). O primeiro é um fuzileiro naval responsável, pai de família e casado com Grace (Natalie Portman, de Nova York, eu te amo). Seu irmão é o clichê ambulante da ovelha negra, que acaba de sair da cadeia. As diferenças explodem, mais uma vez, durante o jantar de despedida de Sam, que volta para o Afeganistão, depois de passar uma curta temporada com a família.
 
 No Afeganistão, Sam enfrenta as atrocidades da guerra, é capturado e mantido refém pelo Talebã. Sua família, no entanto, não sabe desse detalhe, e ele é dado como morto. Em casa, Tommy conforta a cunhada viúva e cuida das sobrinhas pequenas, tal como um pai faria. Ele assume as responsabilidades do irmão e tenta ganhar o amor e a confiança do pai, também um ex-fuzileiro, interpretado por Sam Shepard (O assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford).
 
Não demora muito para Tommy assumir praticamente todas as funções do irmão e ganhar o coração de Grace. Libertado, Sam volta para casa mais neurótico e atormentado do que nunca e começa a desconfiar da proximidade entre o irmão e sua mulher. Além disso, o oficial precisa também enfrentar os demônios da guerra que o consomem.
 
Entre irmãos é um filme que fica contido quando deveria explodir, no momento em que as emoções, dores e amores aprisionados tomam conta dos personagens e eles clamam por tudo aquilo que anseiam. No entanto, poucos personagens exploram seus dilemas até o limite. Quando isso acontece, é de forma forçada.  
 
Ao mostrar atrocidades interferindo no melodrama doméstico, Sheridan levanta a discussão sobre a intervenção dos Estados Unidos em países como Afeganistão e Iraque. Mas o retrato que faz dos dois ambientes não traz nada de novo sobre a guerra ou sobre os pequenos dramas que acontecem nas cozinhas, salas e quartos, enquanto os soldados estão no campo de batalha.

Alysson Oliveira


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Comentários:
  • 07/03/2010 - 17h30 - Por Demas Antes de ir para o Afeganistão, Sam era equilibrado e amoroso. Assim, o correto seria dizer que ele volta neurótico e atormentado, e não "mais neurótico e atormentando do que nunca".
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