O segredo dos seus olhos

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Locais de filmagem


Sinopse

Espósito (Ricardo Darín) é um oficial de justiça que se impressiona com um crime brutal, e conduz uma investigação por conta própria. Tinta anos mais tarde, ele ainda é obcecado por isso, e escreve um livro.


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Crítica Cineweb

22/02/2010

Conhecido por sua comédia de sucesso O Filho da noiva, o diretor argentino Juan José Campanella surpreende pela profundidade e combinação de gêneros de seu novo longa, O segredo dos seus olhos, que acaba de dar o segundo Oscar de melhor filme estrangeiro à Argentina (o primeiro foi por A História Oficial).
 
O segredo de seus olhos é protagonizado por Ricardo Darín, o ator-fetiche de Campanella, que aqui está num registro diferente daquele que o transformou numa presença constante em comédias argentinas. Como pede seu personagem, o oficial de justiça Espósito, ele tem uma interpretação mais contida e, por isso, repleta de nuances. A maquiagem contribui nas idas e vindas no tempo da narrativa, mas é o trabalho do elenco – que também inclui Soledad Villamil (Não é você, sou eu) e Guillermo Francella (Rude e Brega) – que dá a credibilidade à combinação de estilos e à transição entre passado e presente.
 
Roteirizado por Campanella e pelo escritor Eduardo Sacheri (autor do romance no qual foi inspirado), o filme toca em feridas da história argentina sem nunca fazer destas o seu tema principal, ou sua razão de ser. Um dos tempos da narrativa é em meados dos anos 1970, quando uma moça é encontrada brutalmente assassinada. Se bem que motivações políticas são mencionadas – seria ela uma subversiva? –, elas não são aprofundadas, pois o foco do diretor é outro.
 
O poder do amor, da obsessão e a sede de vingança são o que move os personagens. Espósito trabalha num tribunal de justiça criminal, chefiado por uma mulher, Irene (Soledad), por quem ele se apaixona platonicamente. O romance deles sobrevive três décadas depois quando, já aposentado, ele ainda visita a amiga – eterno amor – que trabalha no mesmo tribunal, onde passam horas conversando.
 
No presente, ele escreve um livro de ficção inspirado naquele crime, possivelmente até hoje sem solução – ou pelo menos, com uma resolução frustrada. O passado jamais descansa. Por meio de flashbacks, que entrecortam toda a narrativa, descobre-se que Espósito foi o detetive que solucionou o caso.
 
O assassino é descoberto, mas logo ganha liberdade, pois se oferece para ser informante da polícia e fazer o trabalho sujo que a ditadura militar necessita. “Subversivos são mais perigosos do que estupradores e assassinos”, comenta uma pessoa ligada à Justiça. Isso incomoda tanto Espósito quanto o marido da vítima (Pablo Rago, de Apaixonados) – que todos os dias passava por uma estação de ônibus, na esperança de que o assassino, que ele sabia quem era, passasse por ali.
 
A montagem, também assinada pelo diretor, dialoga com o passado, com a urgência da resolução do crime, e o presente, carregado da melancolia das oportunidades perdidas. Os personagens olham para trás e analisam as suas vidas e constatam que se transformaram naquilo que nunca planejaram ser.
 
Esse é sem dúvida o filme mais sombrio e mais interessante do diretor que, ao combinar um clima noir com um drama dos romances frustrados, é capaz de prender a atenção por mais de duas horas. Em se tratando da direção, aliás, existem algumas sequências memoráveis. Especialmente uma tensa e longa perseguição num estádio de futebol abarrotado de torcedores numa noite de jogo.  

Alysson Oliveira


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Comentários:
  • 08/03/2010 - 21h29 - Por Mamoru Yonashiro Engraçado, esse filme me lembra "62 modelos de armar", a começar pelo título Segredo dos seus olhos ou Segredo do seu olhar? Mas... o Olhar de Irene não tem segredo, ou tem? A atriz é convicente ou não? Engraçado que Esposito percebeu a direção dos olhos do assassino, e não percebeu o olhar que lhe era dirigido pela juiza. O livro foi um modelo de armar? Ou os
    arranjos dos textos do livro possibilita ou implica outras interpretações? A morte não consola, ou consola?
    A prisão perpétua tem algo mais? É um fim em si para si mesmo?
    Até o final do filme, tem um final "Feliz", depende do olhar... de quem?
    A indústria cinematográfica, abriu os olhos? ou é um modelo para armar?
    E os expectadores? Gostaram de Avatar ou acham Avatar o máximo!
    Desculpe as digressões estou flanando.
    Grande [ ]
  • 09/01/2011 - 12h32 - Por Otávio Olha, realmente o filme prende, mas eu o achei muito longo. Começou num ritmo bacana, mas depois... Não sei, ficou um pouco "novelesco". Só eu achei isso? rs

    Em relação ao fato de ter ganhado o Oscar, nem preciso dizer que seus concorrentes - A Fita Branca e O Profeta- são de uma qualidade superior - eu penso que bastante superior, principalmente no caso do filme do Haneke.

    Enfim, é um filme bom, envolvente. Porém, sem mais louvores. Não conseguiria fazer tantas digressões como nosso amigo acima... rs - com todo respeito ao amigo, claro!

    Pra mim, três estrelas estaria de bom tamanho.
    ***
  • 03/12/2011 - 21h59 - Por marilia Filme bem elaborado,ótimo texto, excelente direção e desempenho dos atores. Não desgrudei um segundo da tela. Prá mim cinco estrelas
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