Educação

Ficha técnica


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País


Sinopse

Jenny tem 16 anos, é estudiosa e sonha em cursar a Universidade de Oxford. Porém, a entrada de um estranho em sua vida muda seus planos. Mais velho e sedutor, ele mostra a ela um mundo de cores, sons e prazeres que ela não conhecia.


Extras

- Trailers (sem legenda)

- Comentários


- Cenas Excluídas


- Making Of


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

12/02/2010

 “A vida nunca foi melhor do que em 1963 (embora tenha sido muito tarde para mim), entre o fim da proibição de Chatterley e o primeiro LP dos Beatles”. Assim o poeta inglês Philip Larkin conclui seu famoso poema Annus Mirabilis. Mas esses versos poderiam muito bem pertencer à jovem Jenny (Carey Mulligan, de Inimigos Públicos), protagonista de Educação, que no início dos anos de 1960 viveu seus próprios anos incríveis, ao descobrir o amor, a intelectualidade, as artes – enfim, o mundo.
 
Filha de pais da classe média que se esforçam para garantir seu futuro e seu sonho de estudar em Oxford, Jenny (Carey Mulligan) é uma das alunas mais aplicadas de uma escola de garotas. Sua vidinha regrada e fascinada por qualquer coisa que venha da França – de música a filmes – sai completamente de órbita quando ela conhece um homem 20 anos mais velho, que lhe dá carona numa tarde chuvosa depois da aula de violoncelo.
 
Ele é David (Peter Sarsgaard, de A Órfã), homem sem estudo formal que diz ter se formado na universidade da vida. Com seu jeito sedutor, ele cai nas graças não apenas de Jenny, mas também dos seus pais, Jack (Alfred Molina, de O Código Da Vinci) e Marjorie (Cara Seymour, de Adaptação). David representa para a protagonista tudo aquilo que ela sempre sonhou, especialmente a liberdade.
 
Mas David não é bem aquilo que aparenta ser. Sem nunca entender ao certo como ele ganha a vida – ainda que perceba que não é de uma forma muito honesta -, Jenny acaba deixando seus limites morais pouco a pouco de lado. Afinal, a vida dela nunca foi tão empolgante, os estudos tão enfadonhos, e o sonho de conhecer Paris, nunca antes esteve tão perto de realizar-se – ainda que apenas numa visita de final de semana.
 
Qual educação conta mais? Aquela que se aprende nos bancos escolares, ou aquela, como a de David, na chamada “escola da vida”? Como tantos outros questionamentos sérios da existência das pessoas, não há uma resposta conclusiva. No caso de Jenny, uma combinação das duas – embora de forma um tanto dolorosa – molda o seu caráter. Educação é, basicamente, um filme sobre uma garota descobrindo que o mundo é muito maior do que os sonhos que seus pais criaram para ela.
 
Se por um lado trata-se de uma história um tanto quanto já explorada pelo cinema, a interpretação magnética de Carey – indicada ao Oscar - traz um frescor para a personagem que, enquanto arquétipo, é tão antigo quanto a literatura. Ela poderia ser uma heroína da escritora inglesa Jane Austen, ou a protagonista do romance Jane Eyre, a quem, aliás, Jenny é comparada numa aula na escola, quando começa a envolver-se com David.
 
David é um personagem condenável por motivos legais, morais ou até mesmo éticos. Mas o filme assume o ponto de vista de Jenny. Assim sendo, ele representa a descoberta e a diversão que ela jamais teria em sua vida, não fosse exatamente por sua intervenção. Por isso, nunca há um julgamento em relação ao personagem dele.
 
Para que Educação funcione, de um lado está a interpretação de Carey, e de outro, a forma como o roteiro (também indicado ao Oscar), assinado pelo escritor Nick Hornby (Alta Fidelidade, Um grande garoto), segue a evolução da personagem e o desenvolvimento do romance. Não há pressa para que as coisas aconteçam, tudo tem o seu tempo, o seu ritmo próprio. O roteiro, aliás, baseia-se no livro de memórias da jornalista inglesa Lynn Barber.
 
Carey é daquelas atrizes que conseguem trazer o público para o lado de sua personagem. Mesmo quando se sabe que algo pode dar errado, que a personagem irá se machucar, perder alguma grande oportunidade ou qualquer coisa assim, o público torce para que, no final, dê tudo certo, porque ela faz por merecer.
 
A direção da dinamarquesa Lone Scherfig (Meu irmão quer se matar e Italiano para principiantes) capta um momento de transição da capital da Inglaterra, ainda vivendo sob o código rígido e austero do pós-guerra mas dando os primeiros passos para a efervescência cultural da chamada swinging London (tão bem retratada em Blow Up Depois daquele beijo, de Michelangelo Antonioni).
 
O estilo visual do filme acompanha a evolução da educação de Jenny. Se no começo há uma câmera comportada e cores sóbrias, ao final, tudo é muito leve e colorido – com direito a uma câmera à la Nouvelle Vague durante a breve passagem da protagonista por Paris.
 
Educação prova que os fins justificam os meios – mesmo quando esses meios são bem diferentes daqueles planejados por nossos pais. A trajetória de Jenny e a conquista de sua liberdade acontecem por caminhos tortuosos, mas, ainda assim, prazerosos – do contrário, jamais poderiam ser chamados de “anos incríveis”.  

Alysson Oliveira


Trailer


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