O que resta do tempo

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País


Sinopse

Baseado na história da família do diretor palestino Elia Suleiman, o filme mostra momentos marcantes. Ao longo das décadas, acompanhamos as mudanças na vida da família e na cidade de Nazaré, sempre como sombras do momento político.


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Crítica Cineweb

01/02/2010

O que resta do tempo é a conclusão de uma trilogia na qual o diretor palestino Elia Suleiman examina a vida da sua família no Estado de Israel. O roteiro, que ele também assina, foi inspirado nos diários de seu pai, cartas da mãe e nas suas memórias. Como em seu filme mais famoso, Intervenção Divina (2002), a narrativa é composta por vinhetas, muitas vez com um tom de humor negro emergindo dos horrores de um conflito.
 
No entanto, O que resta do tempo não consegue a mesma contundência do filme anterior. Acompanhando três períodos distintos da história de sua família, o cineasta coloca a história à sombra da vida de sua família. Ou seja, vemos momentos históricos no microuniverso da família Suleiman, e não o evento em si.
 
No centro do filme está Faud Suleiman (Saleh Bakri, de A Banda), pai de Elia, um jovem que acredita que a solução para os problemas políticos está nas armas – o que resulta em sua prisão, onde quase morre espancado, no final dos anos de 1940, quando da criação do Estado de Israel. Anos mais tarde, seu filho, ainda menino (Zuhair Abu Hanna), recebe um sermão na escola ao dizer que os Estados Unidos são um país colonialista.
 
Anos mais tarde, Elia, agora um jovem rapaz (Ayman Espanioli), herdeiro do mesmo inconformismo do pai, recebe uma ordem para deixar o país em 24 horas – embora nunca fique claro o que ele cometeu para causar sua expulsão. Ele só irá voltar tempos depois, já adulto, agora interpretado pelo próprio diretor.
 
Em seu filme, Suleiman usa poucos diálogos para compor um painel humano e histórico dos diversos momentos que retrata. Quando interpreta a si mesmo, o diretor tem um quê de Buster Keaton, sempre em silêncio (ele não diz qualquer palavra), o que parece corroborar com a ideia de que, ao longo dos anos, nada mudou naquela região.
 
A ironia e um tanto de surrealismo dão o tom a O que resta do tempo. Um dos vizinhos da família Suleiman é um idoso que sempre ameaça se imolar. Faud é sempre quem tira o fósforo da mão do homem que já está coberto de gasolina. Numa das tentativas frustradas, ele pergunta: "Que vida é essa?". O homem parece não estar sozinho em seu questionamento desesperado – como bem mostra o filme.

Alysson Oliveira


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