Histórias Proibidas

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Crítica Cineweb

17/12/2002

Os enormes óculos e o físico franzino de Todd Solondz deixam transparecer de onde provém a fixação do diretor americano pelos adolescentes pouco populares no colégio. Seu primeiro filme, Bem-Vindo à Casa de Bonecas (1995), divide o espectador entre o riso maldoso e a compaixão pela protagonista, uma garota desajeitada renegada pelos colegas.

Em Histórias Proibidas, Solondz escapa um pouco dessa perseguição para atacar duramente a apática geração TV. Para tanto, divide o filme em duas partes: Ficção e Não-ficção. Na primeira delas, uma jovem se envolve com o professor negro de redação e coloca em risco o namoro com um rapaz vitimado por paralisia cerebral. Nessa primeira metade, a fita discute a hipocrisia e o chamado politicamente correto em relação ao preconceito racial, algo que inteligentemente é chamado de "complexo Benneton", fazendo uma alusão às famosas propagandas da marca.

Na segunda e mais saborosa seqüência, Solondz mergulha no mundo de um indolente jovem de uma rica família judia, chamado Scooby, cuja única pretensão é trabalhar na televisão como apresentador de talk show. Por obra do acaso, o menino acaba se tornando centro de um documentário que pretende explorar a juventude atual. Mas Scooby é deixado em segundo plano por um personagem que, de longe, é o melhor da trama: seu irmão caçula. É ele quem polariza os diálogos mais enfáticos, uma vez que concentra todas as características que, no futuro, deverão fazer dele um exemplo de sucesso na vida.

O menino, que cursa apenas o quinto ano escolar, se sai melhor nos testes de admissão para faculdades que o irmão mais velho. Ele ainda é o pilar da seqüência antológica na qual trava um diálogo bastante ácido com a empregada doméstica, que encontra chorando no quarto por ter tido o neto executado depois de condenado por estupro e assassinato.

A ironia dá tom ao filme e farpas à sociedade americana são lançadas em todas as direções. A facilidade com que armas de fogo chegam às mãos dos adolescente e a impostura da matriarca da família que explora a velha empregada mexicana enquanto tenta angariar fundos para vítimas dos conflitos em Israel são dois bons exemplos das alfinetadas. Mesmo sem a regularidade milimétrica de sua última fita, a excepcional Felicidade (1998), Solondz mostra que não perde a mão quando o assunto é exibir a sujeira escondida em baixo do tapete do chamado way of life americano, hipócrita e preconceituoso.

Luara Oliveira


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