Guerra ao terror

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Sinopse

Na guerra do Iraque, um trio de soldados é especialista em desmontar bombas. Enquanto os dois soldados, Sanborn e Eldridge, contam os dias para acabar sua missão, seu comandante, o sargento James, é viciado na adrenalina de seu trabalho - e expõe-se a riscos desnecessários.


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Crítica Cineweb

01/02/2010

Primeira mulher a vencer o Oscar de melhor direção, além do prêmio do Sindicato dos Diretores da América por este filme, Kathryn Bigelow (Estranhos Prazeres, Caçadores de Emoção) é uma diretora de filmografia encharcada de testosterona. Guerra ao Terror continua nessa linha, escalando um elenco totalmente masculino para um drama ambientado na guerra do Iraque, cujos protagonistas são três soldados de um esquadrão especializado no desmonte de bombas (Jeremy Renner, Anthony Mackie e Brian Geraghty).
 
O ponto de vista da história é o destes soldados, que vivem diariamente o inferno da guerra. Mas, enquanto dois deles, Sanborn (Mackie) e Eldridge (Gerathy), contam os dias de sair dali, o comandante do batalhão, o sargento William James (Renner) está viciado na adrenalina de sua missão, a ponto de correr riscos desnecessários e expor seus companheiros. O ponto de vista iraquiano na guerra claramente inexiste. Os habitantes locais passam na tela como meros figurantes.
 
Guerra ao Terror não procura, como o injustificadamente inédito no Brasil Redacted, de Brian De Palma, uma autocrítica das ações dos norte-americanos naquele país que ocuparam há quase 7 anos, alegando a existência de armas de destruição de massa que nunca foram encontradas. O filme de Bigelow simpatiza com o problema humano dos soldados dos EUA e só. Enfoca a guerra como a insanidade histérica e cega que é e mostra piedade também por algumas vítimas iraquianas e até pelos maltratados gatos de rua de Bagdá.
 
Tendo filmado em locações em Amã (Jordânia) e no Kwait, com a preciosa colaboração do diretor de fotografia Barry Ackroyd (de Voo United 93), a diretora visivelmente procurou realismo neste retrato do alucinante cotidiano destes soldados, a cada dia acordando para o que pode ser também o seu último, num ambiente hostil onde eles estão tremendamente expostos. Não se pode acusar o filme de patriótico, porque ele é visivelmente crítico desse estado de coisas, mesmo sem questionar a fundo as razões desta guerra específica.
 
O roteiro original de Mark Boal (produtor do filme e autor da história de outro drama sobre o Iraque, O Vale das Sombras) visivelmente individualiza a questão. Mergulha-se na loucura de James, seu desapego pela vida, sua emoção suicida – a primeira coisa que faz ao assumir o comando do batalhão antibombas é dispensar o robozinho que antes era enviado para um primeiro exame dos pacotes suspeitos. Ele costuma ir pessoalmente fazer este diagnóstico e não raro tira também o traje protetor – para horror de seus parceiros.
 
Depois de passar praticamente despercebido no Festival de Veneza 2008, onde teve sua première mundial, o filme de Bigelow foi descoberto por várias associações de críticos americanos, como Nova York, San Francisco e Los Angeles, que lhe deram seus principais prêmios. O DGA e PGA seguiram a mesma trilha, bem como o Oscar, em que venceu 6 das 9 indicações: melhor filme, direção, roteiro original, montagem, som e mixagem de som.
 
Toda esta repercussão deve-se a méritos do filme, claro. Alguma tecla no espírito dos EUA ele deve ter tocado. Talvez seja mais acessível e é menos chocante do que Redacted. Não é o melhor filme de guerra já feito. Mas deve ser um filme que toma o pulso de seu próprio país neste momento.  

Neusa Barbosa


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