Direito de amar

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Sinopse

George é um professor universitário na meia-idade que tenta retomar sua vida depois da morte de seu parceiro. Mas, nos anos 50, muito preconceito cerca a homossexualidade. Ele se isola no trabalho. Uma das poucas pessoas a romper seu isolamento é uma amiga - que já foi apaixonada por ele.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

21/01/2010

Em um certo momento no filme As horas, a personagem de Nicole Kidman, a escritora Virginia Woolf, faz comentários a respeito do livro que está escrevendo, Sra. Dalloway, que narra um único dia na vida de uma mulher. “E aquele dia é a vida inteira dela”, conclui. Isso serve como fio condutor para o filme inteiro, que conta um só dia na vida de várias personagens. Direito de amar tem muito em comum com aquele filme, e não apenas pelo fato de ter Julianne Moore no elenco e de a ação se passar num único dia na vida do protagonista.
 
Direito de amar encontra sua força na interpretação melancólica e contida de Colin Firth (de Mamma mia!), premiado no Festival de Veneza do ano passado, vencedor do Bafta e um dos favoritos ao Oscar de melhor ator – seu único adversário de peso é Jeff Bridges por Coração Louco. O inglês compõe um personagem cheio de nuances e contornos dramáticos e, por isso mesmo, muito crível.
 
Como As horas, Direito de amar tem como protagonista um personagem homossexual, mas nunca transforma esse fato na sua razão de existir ou em uma bandeira a ser hasteada. George (Firth) é um professor universitário que sofre com a morte de seu amante, Jim (Matthew Goode, de Match Point – Ponto Final), num acidente de carro. Devido aos preconceitos da época, os anos 50, ele nem mesmo pode assistir ao seu funeral, o que foi expressamente proibido pela família de Jim.
 
 George planeja como será seu último dia de vida (em nova coincidência com alguns dos personagens de As Horas). Para ele, o suicídio não é uma saída, mas sua única opção, depois da morte do namorado. Mesmo assim, tenta levar normalmente suas últimas horas, como se fosse um dia qualquer: vai à universidade, dá aulas e combina um jantar com sua amiga Charley (Julianne Moore). As melhores cenas acontecem na companhia de Charley, quando vêm à tona dores do passado e do presente e a força da amizade parece capaz de superar os problemas. Mas, como o amigo, Charley é um desastre emocional ambulante. Abandonada pelos filhos crescidos, vive isolada em sua casa refinada, desesperada por um pouco de carinho e atenção.  
 
George esconde-se por trás de uma máscara que criou para si. O mundo o vê como um homem bem-resolvido, sem problemas, sem que ninguém imagine realmente os conflitos e a solidão que o dominam. Kenny (Nicholas Hoult, de Um grande garoto) é um aluno que se interessa por ele, mas George vê no garoto mais uma projeção do seu passado do que interesse emotivo ou sexual.
 
Direito de Amar também marca a estreia na direção do estilista norte-americano Tom Ford, que financiou o filme com recursos próprios, e mostra que conhecimento de cinema, especialmente do contemporâneo, evocando Wong Kar-Wai – no tempo fragmentado e na fotografia – e Pedro Almodóvar – uma foto gigantesca de Psicose, ao fundo de uma cena, remete diretamente ao cartaz da peça Um bonde chamado desejo, em Tudo sobre minha mãe. Apesar de bem utilizadas, são referências que nem sempre se encaixam perfeitamente no filme.
 
Não se sabe ainda se Ford irá seguir carreira como cineasta. Sua escolha do tema e do elenco mostram que ele pode ser um diretor destemido e ousado.

Alysson Oliveira


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Comentários:
  • 07/03/2010 - 19h45 - Por Tiago Monteiro Cardozo Espero muito que o ator Colin Firth receba o Oscar de melhor ator, gostei muito do filme, só não entendi o porque que Julliene Moore não foi indicada a Melhor Atriz Coadjuvante? Enquanto que "Amor sem Escalas", tem 2 atrizes disputando o mesmo prêmio!!!
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