Invictus

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País


Sinopse

Na África do Sul pós-apartheid, o presidente Nelson Mandela acaba de ser eleito. Pensando em superar antigas questões raciais do país, decide motivar brancos e negros para vencer a próxima copa mundial de rúgbi. O problema é que o esporte é praticado por brancos e, por isso, há resistência da maioria negra. Mandela é interpretado por Morgan Freeman neste novo filme de Clint Eastwood.


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Crítica Cineweb

09/01/2010

No ano em que completa 80 anos – em 31 de maio – Clint Eastwood vive uma criativa maturidade. É capaz de unir o pessoal e o social, o intimismo e o engajamento de maneira simples, eficiente, tocante. Faz grande cinema e tem acertado em cheio, em Sobre Meninos e Lobos (2003), Menina de Ouro (2004), no díptico A Conquista da Honra e Cartas de Iwo Jima (2006) e no subestimado Gran Torino (2008). Só não foi tão bem em A Troca(2008), mas ninguém é perfeito.
 
Eastwood é um diretor clássico no melhor sentido. Comanda a narrativa, tem visão de conjunto, explica sem se tornar redundante, emociona sem pieguice. Faz cinema que mobiliza emoção e reflexão e deixa o sentimento de que se ganhou tempo de vida ao assistir ao filme.
 
Mais uma vez, esta é a sensação produzida por Invictus, em que o foco está na África do Sul logo após o fim do apartheid, nos anos 90. O líder político Nelson Mandela (Morgan Freeman) acaba de sair da prisão, depois de 27 anos. Quatro anos depois, é eleito o primeiro presidente negro da história de um país onde por décadas os negros não tinham qualquer direitos políticos, sociais e econômicos. Por isso, as tensões são grandes. Do lado da imensa maioria negra, a ânsia de ocupar seu espaço e, em alguns setores, de buscar vingança. Do lado dos brancos, ainda a elite econômica e cultural da nação, medo e desconfiança, quando não algum esforço de boicote ao novo governo.
 
Mandela sabe que terá de satisfazer aos dois lados e conquistá-los.Uma oportunidade se apresenta com a proximidade da Copa Mundial de Rúgbi, que seu país vai sediar em 1995. Esporte branco por excelência, o rúgbi é desprezado pela maioria negra, que torce ostensivamente por todo e qualquer adversário do time nacional nas competições. Para piorar, a seleção nacional também não tem um desempenho dos melhores.
 
O presidente vislumbra aí um oportunidade única. Abre uma vaga na sua apertadíssima agenda para receber o capitão do time de rúgbi, François Pienaar (Matt Damon), o primeiro coração que ele vai ganhar para a grande causa de vencer a Copa Mundial - uma tarefa que, neste momento, parece simplesmente impossível.
 
A atitude do presidente confunde não só Pienaar, prestigiado membro da elite branca, como os próprios colaboradores negros do presidente. Nenhum dos dois lados entendeu ainda o alcance deste esforço, aliás, arriscado. Alguns consideram simplesmente ridículo que o presidente se ocupe de um assunto aparentemente apenas esportivo num momento em que o país se debate com um dramático déficit de investimentos, além das deficiências de infraestrutura, transportes, saúde e educação, especialmente para a maioria que o elegeu e depositou nele suas históricas esperanças.
 
A inteligência cinematográfica de Eastwood, que parte do livro de John Carlin, Playing the Enemy, torna atraente todo este esforço, mesmo para plateias alheias ao rúgbi e à política sul-africana. A inteligência está em focalizar a sabedoria política de Mandela fora do campo e, quando se apresentam os jogos, de enfatizar o seu aspecto de disputa de vida ou morte – uma coisa que qualquer fã de qualquer esporte coletivo identifica à primeira vista.
 
Assim, não é preciso entender as regras do rúgbi, muito menos gostar do esporte, para acompanhar a história e envolver-se com a enorme batalha protagonizada por Mandela, fora do campo, e Pienaar, dentro dele. Ao explorar as tensões de um país desigual e dividido, social, cultural e racialmente, e colocar em primeiro plano o esforço de um líder conciliador e visionário, Invictus abre paralelos com diversas outras situações e países, em vários momentos da História.

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 15/01/2010 - 05h23 - Por Otávio Na mesma linha que "Gran Torino", "Invictus" tenta mostrar que os preconceitos são superados apenas quando sua inconsistência é iluminada pela experiência do nosso dia-a-dia. Neste filme, Mandela é retratado não só como alguém de grande humanidade, mas também como uma pessoa extremamente criativa e ousada, convicta de que os problemas de seu país não serão superados apenas com "política institucional", mas com uma mudança de mentalidade de todo seu povo.

    Pois bem, como mudar a mentalidade de to
  • 16/02/2010 - 16h46 - Por Elton Ramone Gostei do espirito de liderança de Mandela, que na verdade perdeu muito tempo dentro da prisão...Viva Africa do Sul, Viva Mandela......
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