Um Segredo em Família

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País


Sinopse

François é um psicólogo. Um dia, seu pai, Maxime, desaparece, depois da morte de seu cão. Enquanto o procura pela cidade, o filho relembra sua infância, quando descobriu o grande segredo do passado dos pais. Em S. Paulo.


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Crítica Cineweb

22/12/2009

O malestar francês diante dos anos da ocupação alemã, durante a II Guerra, rendeu filmes memoráveis – caso de Lacombe Lucien (74) e Adeus, Meninos (87), ambos de Louis Malle e indicados ao Oscar de filme estrangeiro.
 
Um Segredo em Família adota uma perspectiva menos política e mais intimista,que não esconde as divisões dentro da própria comunidade judaica francesa – e, assim, ganha mais força por essa honestidade, essa fuga ao maniqueísmo que às vezes reduz o brilho de histórias sobre o tema.
 
A escolha desse tom deve muito ao material de origem, o livro autobiográfico de Philippe Grimbert – que faz uma ponta,como um passante, numa cena de rua. Ele se transfigura em François Grimbert (quando adulto, interpretado por Mathieu Amalric, de O Escafandro e a Borboleta). A história se desdobra em vários tempos, entre 1935 e 1985, com uma curiosa opção de fotografia em preto-e-branco para o período mais recente e colorido para os momentos do passado, revisitado em flashbacks. Uma escolha que parece acompanhar a perspectiva do pai de François, Maxime (Patrick Bruel, de A Comédia do Poder) diante da vida.
 
Maxime está velho e acaba de perder o cão num acidente – pelo qual ele se julga culpado. O episódio, aparentemente simples, embora triste, desencadeia uma reação extrema. Maxime desaparece pela cidade e o filho, psicólogo, é chamado para encontrá-lo.
 
À procura do pai, François relembra sua infância, quando fantasiava a existência de um irmão, que só ele via. Menino frágil fisicamente, o François de 7 anos (Valentin Vigourt) sentia a frustração por seu precário desempenho atlético nos olhos do pai, um ginasta, assim como a mãe nadadora exímia, Tania (Cécile de France, de Um Lugar na Plateia). No irmão-fantasma, François enxergava não só um atleta perfeito, como um opressor que o sufocava com suas fortes mãos, em seus pesadelos noturnos.
 
O encontro de um brinquedo oculto em sua casa desencadeia reações estranhas nos pais, que François só conseguirá esclarecer anos mais tarde. Agora adolescente (interpretado por Quentin Dubuis), o rapaz obtém uma nova versão sobre o passado familiar de sua vizinha, Louise (Julie Depardieu,de A Culpa é do Fidel). Através dela, fica sabendo que o casamento de seus pais esconde uma história incômoda, atravessada pela perseguição nazista aos judeus, como a família Grimbert, seus vizinhos, pais e amigos.
 
Nascida entre a fuga de Paris e a procura de um refúgio no campo, a paixão de Tania e Maxime teve um componente proibido, que aos poucos François desvenda, com a ajuda de Louise - testemunha ocular de um fato intrigante e doloroso envolvendo a primeira mulher de seu pai (Ludivine Sagnier, de Uma Garota Dividida em Dois).
 
Desvendando aos poucos esta crônica familiar entrecortada de perdas e renascimentos, Claude Miller,o experiente diretor de A Pequena Lili (2003), permite ao espectador experimentar uma extensa gama de sentimentos, sem perder de vista o quadro geral, político, da discriminação aos judeus naquele período. Mas inclui mais nuances do que as habituais nos personagens que delineia. A grande História,afinal, é feita dessas pequenas histórias. Por tudo isso, o filme cresce e se torna envolvente.

Neusa Barbosa


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