Ervas Daninhas

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Sinopse

Marguerite teve sua bolsa roubada. Georges encontrou sua carteira num estacionamento. A partir do momento em que decide como devolvê-la, o homem exibe uma série de comportamentos bizarros - assim como a dona da carteira, aviadora nas horas vagas.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

19/12/2009

Nunca se sabe em que terreno se pisa ao assistir a um filme de Alain Resnais. Aos 87 anos, ele se mostra capaz de desconcertar e surpreender ao trazer para a tela o romance L’Incident, de Christian Gailly, transformando-o numa história tão sua quanto se ele mesmo a tivesse inventado, a partir de um roteiro de Alex Reval. Aliás, como fez o diretor em Medos Privados em Lugares Públicos (2006), adaptado a partir de uma peça do inglês Alan Ayckbourn, e que resiste há cerca de dois anos em cartaz num cinema em São Paulo.


É difícil até precisar o gênero de Ervas Daninhas. Trata-se ao mesmo tempo de um drama, uma fantasia, uma comédia de tons negros e absurdos. Os personagens levam o espectador a perder cada vez mais o chão, não sabendo o que esperar deles – existe sensação mais emocionante ao ver um filme ?


Há um frescor inusitado na própria maneira com que Resnais conduz sua câmera, que também nunca se sabe onde vai levar. Um bom exemplo é quando ela abandona personagens falando numa sala, numa reunião familiar, mostrando as paredes, os objetos, as janelas,enquanto se continua ouvindo ao longe a conversa entre Georges Palet (André Dussollier, de Medos Privados em Lugares Públicos), sua mulher Suzanne (Anne Consigny, de Um Conto de Natal) e seus filhos (Sara Forestier e Vladimir Consigny).


A principal – mas não a única - relação ambígua que o filme acompanha se desenvolve entre Georges e a dentista Marguerite Muir (Sabine Azéma). Duas pessoas que não teriam porque conhecer-se mas cujos destinos acabam unidos pelo incidente banal de Georges ter encontrado a carteira de Marguerite, cuja bolsa havia sido roubada.


O próprio diálogo interior de Georges para decidir o que fará com essa carteira de uma desconhecida, cuja personalidade ele tenta decifrar pelas fotos de seus documentos, sinaliza uma perturbação emocional. Não que Georges seja louco propriamente, mas sem dúvida disfuncional no limite da bizarrice.


Seguem-se diversas situações marcadamente nonsense em torno da devolução da carteira – que passa por algumas cenas hilariantes numa delegacia em que Mathieu Amalric (A Questão Humana) interpreta um excêntrico investigador. Estabelece-se, desta forma, uma relação truncada entre Georges e Marguerite, a princípio mediada por cartas e pela secretária eletrônica da dentista.
As reações disparatadas de Georges terminam por despertar a curiosidade de Marguerite – não só dela,mas também de sua colega e amiga, Josepha (Emmanuele Devos, de Reis e Rainha). A triste mulher de Georges participa sutilmente desta vertigem de sentimentos alvoroçados, que voarão longe, literalmente – não é um detalhe ocasional o fato de que Marguerite seja piloto de avião e Georges, fascinado pela aviação. Nem isso nem o figurino de Pequeno Príncipe que Marguerite usa, às vezes.


Ervas Daninhas decola em várias direções nessa liberdade de imaginação que Resnais tem preservado tão bem ao longo de uma carreira em que pontuam obras-primas como Hiroshima Meu Amor (59), Ano Passado em Marienbad (61) e Providence (71). Seu mais recente filme é uma pedra bruta e desvairada ao lado destas pérolas mas que lhes faz justa companhia.

No Festival de Cannes 2009, o júri presidido pela atriz Isabelle Huppert houve por bem inventar um troféu sob medida para o filme e para Resnais: Prêmio Especial pelo conjunto da obra e excepcional contribuição à história do cinema. Nome longo e pomposo mas inteiramente justo para um criador a quem Cannes nunca atribuiu uma Palma de Ouro, embora ele tenha concorrido ali quatro vezes, inclusive com Ervas Daninhas.
 

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 18/01/2010 - 13h15 - Por otávio Filme chato, com um "José Meyer" francês e crises existenciais de uma burguesia frívola! Amaury Jr. daria 10!
  • 06/12/2010 - 20h37 - Por Alessandro Rios Pior filme que assisti em 2009. Literalmente péssimo!
    Talvez quem use drogas e fique malucão possa gostar... só assim mesmo.
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