Lula, O Filho do Brasil

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Sinopse

A vida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, desde seu nascimento em Caetés, agreste pernambucano, em 1945. O enredo acompanha as dificuldades econômicas que levaram sua família, liderada pela mãe, dona Lindu (Gloria Pires), a mudar-se primeiro para Santos, depois para São Paulo. O filme segue a trajetória de Lula como operário e líder sindical, terminando antes de sua eleição à Presidência.


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Crítica Cineweb

09/12/2009

Está chegando às telas o filme mais discutido da temporada. Nenhuma produção brasileira mereceu tanto espaço na imprensa de todo o País antes mesmo de sua primeira exibição pública, no Festival de Brasília, no final de novembro. O motivo está longe de ser cinematográfico, é político. Afinal, trata-se da cinebiografia (ainda que parcial) do presidente da República ainda em exercício, Luiz Inácio Lula da Silva, estreando no ano de sua sucessão.
 
Por todo esse contexto, o filme será mais abordado por seu possível uso como arma eleitoral, mais do que por suas qualidades cinematográficas – uma análise que, aliás, vem faltando. Baseado em livro de Denise Paraná, que co-assina o roteiro com Fernando Bonassi e Daniel Tendler, o filme percorre a trajetória de Lula desde a infância, saindo de Caetés (PE) em pau-de-arara em 1952, com a mãe, dona Lindu (Glória Pires), e irmãos, rumo a Santos (SP). Lá, reencontram-se com o pai, Aristides (Milhem Cortaz, de Tropa de Elite), alcoólatra e violento, que anos depois é abandonado pela mulher. Em seguida, ela e os filhos rumam para São Paulo, depois São Bernardo do Campo, onde Lula (na fase adulta, interpretado pelo ótimo estreante em cinema Rui Ricardo Dias) tornou-se operário e sindicalista, antes de entrar para a política.
 
É visível que o foco da história está no indivíduo Lula, procurando-se uma abordagem emotiva, que coloca em primeiro plano suas relações familiares com três mulheres – além da figura forte da mãe, sua primeira mulher, Lourdes (Cléo Pires), que morreu grávida de oito meses, e a segunda, Marisa Letícia (Juliana Baroni). Falando-se do elenco, fica em primeiro plano o esforço, bem-sucedido, de Glória Pires, de reinventar-se com este filme, ao lado de É Proibido Fumar. Em ambas as produções, ela está muito bem, deixando de lado o piloto automático de produções de grande sucesso, como Se Eu Fosse Você
 
Ator de teatro, o estreante Rui Ricardo Diaz é um achado. Está sempre na justa medida entre a espontaneidade e o carisma, fazendo jus ao personagem que interpreta – que ele observou detidamente, mas que não comete o erro de imitar.
 
Quando retrata o sindicalismo, a opção do roteiro é colocar Lula como um líder hesitante – que a princípio não quer saber de política, o que é a mais pura verdade em sua biografia – mas em formação, que emerge de um ambiente dominado por alguns pelegos, como Feitosa (Marcos Cesana). Em nenhum momento, o filme cita a formação do Partido dos Trabalhadores, que evoluiu das greves de metalúrgicos lideradas por Lula no ABC paulista, no final dos anos 1970.
 
Ao retratar essas greves, eventualmente se recorre a imagens documentais – sempre tendo o cuidado de evitar mostrar o rosto do Lula real. Uma atitude que só é abandonada no final, quando se menciona a eleição presidencial de 2002, a primeira vencida por ele, e Lula é mostrado ao lado de dona Marisa no seu primeiro desfile, em carro aberto, por Brasília.
 
Com orçamento estimado em R$ 17 milhões – entre custos de produção e lançamento - que, segundo os produtores, foram bancados por diversos patrocinadores privados, sem recurso a leis de incentivo, cujos nomes e logotipos são exibidos logo nas primeiras imagens, o filme tem visivelmente uma produção técnica de primeira linha. Entre seus profissionais, estão nomes consagrados como o do compositor Antonio Pinto (autor da trilha de Central do Brasil, de Walter Salles) e Clóvis Bueno (de Terra Vermelha, Os Desafinados) na direção de arte.
 
 
A ausência de certos episódios desagradáveis da vida do presidente da República – particularmente, seu caso com Miriam Cordeiro, mãe de sua filha Lurian e protagonista de um escândalo que abalou sua primeira candidatura, em 1989, embora Lula tenha reconhecido e sustentado a filha desde o nascimento – foi atribuída pelos produtores à falta de uma autorização jurídica da própria Miriam neste sentido. Os Barreto, alegadamente, não quiseram correr o risco de futuros processos judiciais.
 
O que fica claro, sem dúvida, é a intenção de todos os envolvidos de que Lula – O Filho do Brasil circule o máximo possível em todos os meios. A começar pelo cinema, em que está sendo lançado em pelo menos 500 cópias. Além disso, já estão sendo finalizados acordos para a distribuição internacional do filme, que está sendo lançado no bojo de um grande interesse pelo presidente brasileiro no exterior. Especialmente após ter sido escolhido o Homem do Ano pelo jornal francês “Le Monde”, bem como a 33ª pessoa mais poderosa do mundo no ranking da revista econômica “Forbes” e uma das 100 personalidades do ano do mundo ibero-americano pelo jornal espanhol “El País” – com direito a um perfil escrito pelo primeiro-ministro espanhol, José Luis Zapatero.
 
O primeiro país em que o filme será lançado, já em março de 2010, será a Argentina. Outros acordos serão feitos pontualmente, em sistema de codistribuição. A intenção é distribuí-lo por toda a América Latina e outros países. Os produtores também estão recebendo convites de festivais internacionais. O filme foi enviado à comissão de seleção do Festival de Berlim – que acontece em fevereiro e ainda não divulgou toda a sua programação.
 
Lula – O Filho do Brasil também deve circular em outros formatos. Está sendo cogitada uma minissérie e o DVD, aproveitando material extra que sobrou do primeiro corte (que tinha 3 horas), deverá estar nas lojas no início de maio.
 
O uso do filme como instrumento político ou de campanha eleitoral pelo atual governo, que tem causado artigos em diversos órgãos de imprensa pelo País, não preocupa os realizadores. “Quis fazer um melodrama épico, nada além disso”, reiterou o diretor Fábio Barreto no Festival de Brasília. O diretor, que sofreu um sério acidente de carro no Rio, no último dia 19, está hospitalizado e não poderá participar do lançamento do filme.
 
Seu pai, o veterano produtor Luiz Carlos Barreto, por sua vez, afirmou: “Este filme não tem nenhum sentido eleitoreiro e sim didático. Ele mostra a importância da família neste País, que começa a transformar-se numa nação e que ainda não o é por suas grandes desigualdades sociais”.   

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 11/08/2010 - 09h02 - Por Jéssica Costa Oii esse filme é muito interessante ate porque é uma história baseadas em fatos reais , do nosso presidente.
    Filme Muito historico.
    Muito Obrigado!
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