Vício Frenético

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 5 votos

Vote aqui


País


Sinopse

Tenente da polícia de New Orleans, interpretado por Nicolas Cage, ganha prestígio e promoções por sua dedicação ao trabalho. Esconde, porém, seu vício pela cocaína, que o leva a perseguir traficantes para tomar-lhes a droga. Remake do filme homônimo de 1992, de Abel Ferrara.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

09/01/2010

O diretor alemão Werner Herzog (O Homem-Urso) mudou a história do Festival de Veneza, em setembro de 2009, ao concorrer simultaneamente com dois filmes na competição principal, fato inédito no evento. Um deles, Vício Frenético, desembarca agora no circuito brasileiro.
 
O filme inspira-se no trabalho homônimo do diretor Abel Ferrara, de 1992 – do qual herda inclusive o título. Pouco mais do que isto, porém, sobrevive nesta nova versão, a não ser o detalhe de que o protagonista é um policial viciado em drogas. No filme de Ferrara, o personagem não tinha nome e era interpretado por Harvey Keitel. Neste, chama-se Terence McDonagh e seu intérprete é Nicolas Cage (O Vidente).
 
O cenário também muda, da Nova York do filme original para a Nova Orleans pós-furacão Katrina. Na sequência inicial, a cidade está coberta pelas águas, inclusive uma prisão, onde sobrou um preso trancado, que está quase se afogando, além de correr o perigo de ser picado por cobras.
 
Depois de provocar bastante o apavorado prisioneiro, com a ajuda de seu parceiro Stevie (Val Kilmer, de Esquina da Morte), o policial decide pular na água para salvá-lo. A façanha tem três efeitos radicais em sua vida: ele é promovido a tenente, ganha uma crônica dor na coluna e torna-se viciado em remédios e cocaína.
 
Com total desenvoltura, o tenente passa a procurar obter drogas usando seu próprio trabalho. Não perde uma chance de apropriar-se de qualquer quantidade delas que consiga flagrar com algum suspeito. Sem contar suas incursões pelo departamento onde ficam guardadas as substâncias ilegais apreendidas.
 
Seus dias são jornadas de excesso, tanto no trabalho como ao lado da namorada, Frankie (Eva Mendes, de Os Donos da Noite), uma prostituta que ocasionalmente também o ajuda a conseguir o que procura e, não raro, experimenta cocaína com ele. Nem assim a dor nas costas lhe dá trégua. McDonagh vive atormentado por isso.
 
Investigando o assassinato de cinco membros de uma família de imigrantes, o tenente cruza o caminho de um chefão do tráfico, Big Fate (o cantor de hip hop Xzibit). Aí, sua ambição cresce, já que a quantidade com que lida o traficante é gigantesca, sem contar os lucros. O tenente aposta tudo numa espécie de sociedade com o criminoso. Mas aqui ninguém pode confiar em ninguém.
 
Sustentando uma interpretação alucinada, Nicolas Cage inspira-se visivelmente no ator-fetiche de Herzog, Klaus Kinski, o intérprete de boa parte de seus sucessos na Alemanha, como Aguirre – A Cólera dos Deuses(1972),Nosferatu – O Vampiro daNoite(1979) e Fitzcarraldo(1982) e que morreu em 1991. No lançamento de Vício Frenético em Veneza, Cage assumiu esta inspiração em Kinski, mas garantiu que “nunca procurou imitá-lo”.  
 

Fãs da fase mais artística do diretor podem estranhar esta incursão por um cinema comercial. Hoje morando nos EUA, Herzog assume que não tem problemas com nenhum tipo de produção. Em todo caso, é fácil identificar o que o atraiu nesta história, encharcada de obsessão e de um flerte constante com o mal, dois de seus temas favoritos. Pena que não passe disto. O tenente de Nicolas Cage é tão excessivo que nem parece humano. Seu tom faz uma liga estranha com as imagens de iguanas e jacarés que aparecem gratuitamente em alguns momentos. Ambos são o que parecem, apenas bizarrices. 

Neusa Barbosa


Trailer


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança