Do começo ao fim

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 0 votos

Vote aqui


País


Sinopse

Francisco e Thomás são dois meio-irmãos muito próximos, o que causa estranhamento no pai de um deles. Anos mais tarde, quando a mãe morre, eles se tornam amantes e vivem uma relação delicada.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

26/11/2009

Desde quando suas primeiras imagens caíram na internet em maio passado, o longa brasileiro Do começo ao fim tem despertado polêmica e paixão – quase nas mesmas proporções – embora o filme não havia sido exibido publicamente até meados de novembro, quando abriu o Festival Mix, em São Paulo. A razão – ter no centro de sua história o romance entre dois irmãos.

Depois disso, o longa de Aluizio Abranches (Um Copo de Cólera, As Três Marias) também causou perplexidade. Todos se fazendo praticamente a mesma pergunta: “Mas não tem nenhum conflito?”.  Não. A resposta é não. Do começo ao fim é um filme sem questionamentos, praticamente um exercício para causar polêmica. A história, roteirizada pelo diretor, é sobre dois meio-irmãos, filhos da mesma mãe, mas de pais diferentes que se apaixonam e se envolvem sexualmente. Francisco e Thomás, interpretados por Lucas Cotrim e Gabriel Kaufmman, quando crianças, e João Gabriel Vasconcelos e Rafael Cardoso, quando adultos, cresceram muito próximos – próximos até demais, como aponta o pai argentino (Jean-Pierre Noher, de Estômago) do mais velho.

Julieta (Julia Lemmertz), a mãe, se dá conta disso, mas acredita ser algo normal, afinal, crianças podem ser muito próximas. A bem da verdade, na infância, o relacionamento retratado no filme não tem nada demais. Eles são dois irmãos, bastante íntimos, que se protegem mutuamente. Nada que não possa acontecer em qualquer família. A grande virada vem anos mais tarde, quando Julieta morre, e o pai de Thomás, Alexandre (Fábio Assunção), decide deixar os dois morando sozinhos.

Sem nenhuma crise moral, ou qualquer conflito interno, os dois tem uma longa noite de amor e passam a viver como namorados. Dos poucos personagens que cruzam a vida deles ao longo do filme, ninguém estranha esse relacionamento, ninguém questiona nada. Eliminados os únicos empecilhos – o pai argentino e a mãe – Francisco e Thomás podem viver um conto de fadas.

A premissa parece instigante, mas o desenvolvimento de Do começo ao fim é pouco satisfatório. Talvez Francisco e Thomás vivam num universo paralelo, regido por leis próprias, onde não há preconceitos, nem crises internas. Mas, certamente não estão no Brasil contemporâneo. Ao dispensar qualquer conflito, o longa se torna exercício de fetiche, na medida em que se resume a focalizar os corpos nus dos atores. Aparentemente, o propósito de Do começo ao fim é não trazer à tona nenhum questionamento. Mas, ao optar por isso, o diretor cria um filme vazio de interesse. Fala-se de outras questões, como a solidão, mas isso é muito pouco para um filme que pretende mexer com dois tabus: incesto e homossexualidade.

Incesto, no cinema, causa polêmica, e já rendeu filmes interessantes, como O Sopro no Coração (1970), de Louis Malle, ou uma cena no brasileiro “A festa da menina morta”, de Matheus Nachtergaele, que fez alguns espectadores saírem no meio da sessão no Festival de Cannes, em 2008. Aqui, no entanto, Abranches, tentando falar de escolhas e renúncias, faz um filme cheio de boas intenções que parecer não querer ou não ter coragem de encarar de frente os assuntos que aborda. No fim, o resultado é uma crônica insípida em bela embalagem de um amor sem muita graça.

Vasconcelos e Cardoso, ambos estreantes em cinema, são esforçados, mas têm de lidar com as limitações do roteiro. Os personagens não têm nuances, que os transformariam em mais humanos e interessantes aos olhos do público. É muito estranho pensar em dois irmãos mantendo relações sexuais e nunca se perguntarem sobre isso. Se, em algum momento da vida o fizeram, o filme não mostra. Morassem num lugar isolado, sem nenhum contato com outras pessoas, talvez fosse possível supor essa possibilidade. Mas eles moram no Rio de Janeiro, são ricos e um deles é médico, inclusive.  Portanto, parece implausível.

Alysson Oliveira


Trailer


Comente
Comentários:
  • 30/06/2012 - 15h14 - Por André É exatamente nos gestos mais simples que encontra-se a felicidade, e ela se torna muito gratificante quando alguém que gostamos faz questão que estejamos sempre felizes.

    A maioria das pessoas tem irmãos, cujo esses variam o modo de se tratarem, brigam, brincam, enfim são felizes das formas mais singelas que possa existir, e em algumas ocasiões essa felicidade e cumplicidade acaba se confundindo e ficam próximos, mais próximos do que a sociedade é capaz de entender. Viram cúmplices, amantes e se o tempo e espaço permitirem acabam por sexualizar a relação.

    Talvez não exista uma relação mais verdadeira do que uma relação de amor entre irmãos, mas afinal o que é que explica isso, a ciência, a religião, a sociedade, enfim, tenho para mim que ta aí uma coisa que nada explica, com certeza existe em algum lugar um casal de irmãos que vivem uma relação de amor.

    Outrora nosso ancestral mais primitivo, o homem das cavernas, e é claro algumas culturas, viam e vêem a relação entre irmãos normal, seja por instinto ou por cultura, não podemos nos esquecer que nos nossos parentes mamíferos poucos constituem família a maioria se relaciona uns com os outros sem distinção de parentescos.

    Vale lembrar também que se nós seres humanos não constituíssemos família, acredite aconteceria de nos envolver com nossos irmãos, o que distingue isso é o conhecimentos de causa, quantos casos já existiram e sempre existirá de casal loucamente apaixonado com uma relação magnífica, perfeita e em alguns casos até com filhos e que anos depois descobrem que são irmãos, nessa situação o que eles devem fazer depois de descobrirem tal fato, depois de tanto tempo, tantos momentos de prazeres, simplesmente se separarem depois de tanto tempo juntos e com filhos, não é o fato deles se afastarem que irá apagar todos os belos momentos que tiveram juntos.

    O filme de Aluisio Abranches e que vai além de tudo isso, Do Começo Ao Fim, conta uma história de amor de dois irmãos, lembrando que neste filme os dois são homens, Aluisio aborda de forma espetacular esta relação, não concordo com a maioria das criticas que li sobre este filme, este aborda uma relação de amor, tanto que raramente vemos a citação de que eles são irmãos, pois este não é o foco do filme, quanto ao titulo é confuso mas creio que este se refere ao crescimento de Thomas e Francisco. Para ver este filme a pessoa tem que ter uma mente muito aberta caso contrario só irá fazer criticas ruins ao filme e/ou a direção, e não tem como, cinema é arte e esta é subjetiva.
Deixe seu comentário:

Imagem de segurança