Aconteceu em Woodstock

Ficha técnica


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País


Sinopse

Agosto de 1969. À beira da bancarrota, os pais de Elliot Tiber pedem sua ajuda em seu decadente hotelzinho em White Lake, a norte de Nova York. O filho descobre que um festival de rock foi proibido em outro lugar e oferece-se para ajudar seus organizadores a trazê-lo para sua região. Está nascendo Woodstock, que mudou a História da música e virou lenda.


Extras

- Cenas Excluídas

- Paz, Amor e Cinema

- A Platéia é Indispensável: Os Earthlight Players


- Comentário com o Diretor Ang Lee e o Roteirista James Schamus


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

12/11/2009

Depois de realizar seis filmes dramáticos em 13 anos – incluindo dois vencedores do Leão de Ouro em Veneza, O Segredo de Brokeback Mountain (2005) e Desejo e Perigo (2007) – o diretor Ang Lee lança-se com prazer a uma comédia ligeira, mas não banal, recuperando o espírito de Woodstock – o festival de música que aconteceu em agosto de 1969 e catalisou os sonhos de várias gerações.

Adaptado a partir de um livro de Elliot Tiber, com roteiro de James Schamus, parceiro habitual do diretor, Aconteceu em Woodstock crava mais um passo na busca da América para redescobrir a si mesma, depois do legado bruto e cinza dos anos George W. Bush. Mais do que um retrato da experiência pessoal e em primeira mão de Elliot (interpretado pelo comediante e roteirista Demetri Martin), o filme sintoniza o espírito de uma época de tom libertário – em termos de comportamento, sexo, vestuário, uso de drogas, religião (ou falta dela) e a busca de uma relação harmônica e pacífica com a natureza.

Para construir esse retrato coletivo, usa-se como ponto de partida a providencial iniciativa de Elliot na realização mesma de Woodstock – o rapaz convida seus organizadores a mudar o local do evento, que fora banido em outro lugar, para sua cidade, White Lake, ao norte de Nova York, ávida de atividades que animem sua economia e permitam a ele mesmo salvar o decadente hotel de sua família da bancarrota.

Depois disso, a história gira em torno dos bastidores da organização do festival, colocando em primeiro plano as experiências dramáticas ou confusas do próprio Elliot e da impressionante e numerosa fauna humana que se desloca para o lugarejo, cujo provincianismo será testado até o limite. Inclusive pela chegada de um travesti para trabalhar na sua segurança, Vilma (interpretado com veneno por Liev Schreiber).

Fã assumido do acontecimento que deslocou cerca de 1,5 milhão de pessoas e não causou qualquer violência, Ang Lee definiu, na coletiva do Festival de Cannes que assistiu à première do filme, o que ele acredita que seja sua herança ainda hoje: “A música, brilhante e difícil de superar, a dúvida sistemática contra a autoridade, a defesa da igualdade, paz e amor para todos e uma relação pacífica e respeitosa com a natureza. Acho que aquela geração plantou algumas das sementes do que levamos mais a sério hoje”. E confessou: “Sinto falta daquele espírito. É uma coisa que não pode ser repetida hoje”.

Lee, no entanto, não achou mais fácil tocar uma história cômica. “Na verdade, você fica bem mais nervoso, porque se o público não rir, significa que você fracassou”. Provavelmente, ele não terá com o que se preocupar. Como sempre, o cineasta toca cordas sensíveis, unindo o individual e o coletivo com muita verdade. A exemplo do que havia feito em Tempestade de Gelo (97), aquele num registro dramático, ele é bem-sucedido ao refletir com ternura e humor sobre um acontecimento pop, mas nada inofensivo.

Neusa Barbosa


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