Fomos Heróis

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Crítica Cineweb

18/02/2003

Mel Gibson trocou o kilt escocês que usou em Coração Valente pelo uniforme de tenente-coronel do Exército americano em Fomos Heróis, do diretor Randall Wallace, mas manteve seus métodos de guerreiro medieval, metralhando soldados vietnamitas com a mesma desenvoltura com que espetava lanças em seus inimigos no filme que lhe valeu o Oscar de melhor diretor, em 1996.

Wallace, autor do roteiro aqui e em Coração Valente, junta-se novamente ao astro de O Patriota num filme com inegável apelo patriótico, principalmente nesses sombrios tempos pós-11 de setembro. Em março, mesmo com os nervos americanos ainda à flor da pele, depois dos atentados contra o World Trade Center, o filme faturou apenas US$ 20 milhões no primeiro fim de semana do lançamento. Tinha munição para vôo mais alto, já que o mesmo Wallace havia cometido o roteiro de outro melodrama patriótico, Pearl Harbor, megasucesso de 2001.

Gibson, que se prepara para encarnar ninguém menos que Jesus Cristo em seu próximo filme, Passion, interpreta em Fomos Heróis um oficial competente, estudioso dos fracassos militares em conflitos históricos, enviado com sua companhia para as primeiras batalhas americanas no Vietnã. Católico fervoroso, pai de cinco filhos, o tenente-coronel Hal Moore, ajoelha-se com sua prole para rezar todas as noites e vai à capela do campo militar para pedir a proteção divina durante a batalha que se aproxima.

Moore e seus comandados serão enviados para uma missão quase suicida no vale de Ia Drang, conhecido como o Vale da Sombra da Morte, onde os franceses foram massacrados anos antes pelos vietcongues, as tropas comunistas que lutavam pelo controle do país. Sem conhecer o território, os soldados americanos serão atraídos para uma emboscada que lhes custará muitas baixas, mas que ainda não permite prever o atoleiro que esta guerra representará para os EUA nos anos seguintes.

Fomos Heróis foi inspirado num livro autobiográfico escrito pelo tenente-coronel Harold G. Moore e pelo correspondente de guerra Joseph Galloway relembrando o inferno vivido naqueles três dias de luta no Vale da Sombra da Morte, em novembro de 1965. Os americanos inovaram ao utilizar o apoio de helicópteros Cobra, mas por desconhecer o terreno, se transformaram em presas fáceis para armadilhas.

Como em Pearl Harbor, as cenas de guerra são longas, com movimentos em câmera lenta, closes em rostos amedrontados e balas entrando e saindo de corpos. Em alguns momentos o sangue respinga nas lentes, num recurso de quase documentário. Difícil dissociar o discurso patriótico, principalmente quando é abordada uma guerra que teve tanta oposição interna nos Estados Unidos. Afinal é preciso insistir, principalmente agora na era Bush Júnior, que soldados não morrem em vão. Numa cena patética, um soldado ferido, nos últimos momentos de vida, diz ao companheiro que o ampara: "Morro feliz por estar defendendo o meu país". É natural que o livro que serviu de base para o roteiro faça saltar as veias dos militares, pois foi escrito por um companheiro de armas para enaltecer os "feitos heróicos" de seus comandados. Mas, no roteiro, esses excessos poderiam ter sido limados.

A ação se passa quase que exclusivamente nas trincheiras do Vale da Sombra da Morte, onde os americanos ficaram sitiados. Para o espectador, sobram mais de duas horas de sangrentos enfrentamentos e discursos patrióticos. Sob esse aspecto o filme é um retrocesso em relação aos trabalhos mais críticos sobre a guerra do Vietnã já feitos por Hollywood, como Apocalypse Now, de Francis Ford Coppola, Platoon, de Oliver Stone, e Nascido para Matar, de Stanley Kubrick.

Em 1917, o senador americano Hiram Johnson disse que a primeira vítima da guerra é sempre a verdade. O jornalista australiano Phillip Knightley aproveitou o mote em seu fabuloso livro A Primeira Vítima, uma análise da cobertura dos correspondentes de guerra em todos os conflitos, desde a Guerra da Criméia. No capítulo Vietnã, o retrato traçado dos militares americanos foge da linha ufanista descrita no filme de Randall Wallace. Um coronel ordenava que seus comandados arrancassem o coração dos vietcongues mortos para alimentar seu cão, orelhas eram decepadas e amarradas como colar. Muitos se deixavam fotografar com os cadáveres dos inimigos como se exibissem troféus de caça. Um capitão, a bordo de um helicóptero Cobra, o mesmo mostrado no filme, costumava jogar cartões sobre as áreas de visitas com a inscrição: "Parabéns. Você foi morto por uma cortesia do 36º Batalhão." Como diria o coronel Kurtz, de Marlon Brando, em Apocalypse Now, foi o horror, o horror.

Cineweb-9/8/2002

Luiz Vita


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Comentários:
  • 07/08/2012 - 06h44 - Por ATALAIA007 ESSE FOI UM DOS MELHORES FILMES QUE TIVE O PRAZER DE ASSISTIR,A FIDELIDADE DE SEUS FATOS NO ENREDO DA HISTORIA ,SUAS CENAS QUASE QUE REAIS COM BELOS EFEITOS ESPECIAIS NOS TRANSPORTAM PARA DENTRO DO FILME,TALVEZ PRECISEMOS NOS DAR CONTA DE COMO UMA GUERRA NÃO EXISTA VENCEDORES AS VIDAS SE VÃO E OS QUE FICAM SÃO PARA SEMPRE ATORMENTADOS PELAS SUAS LEMBRANÇAS,A PALAVRA AMOR PODE SER DIFUNDIDA QUANDO UM SOLDADO VOLTA COM VIDA DE UMA BATALHA..................PAULO RENATO CORREA
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