E. T. - O Extraterrestre

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Crítica Cineweb

13/01/2003

Vinte anos depois, dizer que E.T. está de volta soa um pouco estranho. Como assim, de volta, se ele esteve sempre aqui ao lado esse tempo todo? Aquela figurinha de pescoço comprido, cabeça enorme e olhos azulados ocupou sempre o fundo de nossa imaginação todos estes anos, mantendo seu lugar na fantasia mesmo daqueles que nem tinham nascido em 11 de junho de 1982, data de sua certidão cinematográfica. Afinal, não há alguém no planeta que possa não ter sido apresentado ao simpático alienígena através do vídeo ou das inúmeras apresentações do clássico de Steven Spielberg na televisão.

Hoje, com todo direito, E.T. é um ícone. Spielberg, com a indispensável ajuda da roteirista Melissa Mathison, acrescentou um personagem à galeria imortal a que pertencem Branca de Neve, Cinderela, Peter Pan. Por isso, uma das melhores frases já ditas sobre a obra veio de uma crítica do diário americano Variety, que definiu E.T. como o melhor filme da Disney que a Disney, ironicamente, jamais havia feito.

Toda a mecânica que torna E.T. espantosamente simples parece assim hoje, quando sua consagração no gosto popular e seus números na bilheteria já são parte da história do cinema. Algo assim como a velha lenda sobre como pôr o ovo em pé. Na época, Spielberg já era um diretor respeitado, na esteira de sucessos como Tubarão (75) e Contatos Imediatos de Terceiro Grau (77), mas ainda não havia se tornado também o ícone que hoje é, cujo sobrenome dispensa apresentações. E.T. foi um marco em muito mais do que um sentido.

Para quem vê ou revê o filme, toda essa discussão fica em segundo plano. A grande pergunta é se, vinte anos depois, a mística da fábula ainda funciona. A resposta é sim, embora os motivos possam não ser exatamente os mesmos de 1982. A história da amizade entre um menino de dez anos, Elliott (Henry Thomas), e um pequeno alienígena extraviado de sua nave continua sendo uma saga repleta de ternura e adrenalina quase na mesma medida. As imagens desses dois amigos improváveis voando de bicicleta continuam sendo algumas das melhores jamais feitas na história do cinema.

Spielberg nunca pretendeu fazer uma seqüência deste que foi um de seus maiores sucessos - uma tendência que tornou a Hollywood moderna um tanto prisioneira da falta de imaginação. Sempre quis, entretanto, relançá-lo. Sabe que algumas mágicas são irrepetíveis e não podem ser aperfeiçoadas. Por isso, não pintou de novo sua tela, apenas espanou um pouco a poeira, realçando o brilho um pouco aqui, um pouco ali, dando um retoque nas cores e no som, e inserindo duas novas cenas: uma, em que E.T. brinca numa banheira, a única seqüência em que o boneco eletrônico que havia por trás do personagem foi substituído por uma versão inteiramente digital (um recurso não disponível na época do lançamento); a outra, uma participação cortada da montagem original da então garotinha Drew Barrymore, a afilhada do diretor que se tornou também uma estrela e produtora.

Tantos anos depois, faz até parte do charme de E.T. o seu visual um pouco nostálgico, como um filme de época. A diferença é que muitos de nós estávamos nesse passado que o filme revive. Estamos olhando para o ontem de nós mesmos na figura de Elliott, sua irmãzinha Gertie (Drew Barrymore), seu irmão maior Michael (Robert MacNaughton), na garupa deles naquelas inesquecíveis bicicletas voadoras embaladas pela música eletrizante de John Williams. Resta saber se o bruxinho Harry Potter vai conseguir manter o mesmo feitiço por tanto tempo.

Neusa Barbosa


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