Estrada para Perdição

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Crítica Cineweb

18/02/2003

Desde Beleza Americana (99), uma dúvida cerca a carreira do diretor Sam Mendes - o êxito daquele seu primeiro filme, vencedor de cinco Oscar, teria sido uma sorte de principiante ou marcava mesmo o primeiro passo de um cineasta promissor? A resposta está em Estrada da Perdição, seu segundo e bem mais ambicioso filme, em que o jovem diretor inglês - nascido em 1965 - não só confirma todas as promessas lançadas três anos atrás como sedimenta uma das carreiras mais sólidas da atualidade.

Nascida de uma graphic novel - de Max Allan Collins e Richard Piers Rayner - a história desliza na tela, fluida, rigorosa, sóbria e com imagens belíssimas. Nada é por acaso. Primeiro, porque Mendes, um experiente diretor teatral, trabalha longamente no preparo de suas produções cinematográficas - por isso, filma lentamente. Desse preparo, faz parte um extensivo processo de storyboarding, em que desenha minuciosamente cada cena. O resultado traduz-se em seqüências antológicas, como um tiroteio sob chuva perto do final.

Outra das atrações da história será ver na tela um elenco encabeçado por um Paul Newman em esplêndida forma e um Tom Hanks pela primeira vez na pele de um vilão - ou coisa parecida. Na verdade, Michael Sullivan, o matador vivido por Hanks, não parece tanto um homem impiedoso ou cruel e sim alguém submetido a um código de fidelidade à honra. Fiel, em primeiro lugar, ao chefão que o criou e lhe deu uma "profissão", John Rooney (Newman). Numa outra etapa, que ocupa a maior parte do filme, Sullivan somente usará seu mortífero talento para proteger o próprio filho, Michael Jr. (Tyler Hoechlin).

O menino, que ignorava a verdadeira ocupação do pai, esconde-se dentro de seu carro numa noite em que Sullivan, acompanhado do herdeiro Rooney, Connor (Daniel Craig), sai para dar uma prensa num subordinado que ameaça sair da linha. O instável Connor perde o controle e inicia um enorme tiroteiro - presenciado através de uma fresta pelo garoto atônito. O acidente dará início a uma série de infortúnios que colocarão o jovem Sullivan e seu pai na estrada, fugindo de um outro matador, Maguire (Jude Law).

Passando da posição de caçador a caçado, Sullivan afia todos os seus instintos de sobrevivência. Ironicamente, neste percurso é que se aproxima do filho, de quem suas constantes missões o distanciavam todo o tempo. Por esse foco na relação humana dos dois, que cresce qualitativamente, é que o filme escapa de ser um longo e tedioso exercício da violência ou um banho de sangue sem tréguas.

Com certeza, até pelo tema, há cenas de sangue, embora sem nenhuma gratuidade. Na conferência de imprensa do filme, no Festival de Veneza 2002, onde Estrada para Perdição participou da competição oficial, o diretor destacou que, para ele, o filme é sobre "até onde se vai para proteger sua família". Neste sentido, acrescentou: "Meu filme não é sobre a violência, mas sobre o seu efeito, como ela corrói sua alma. Neste sentido, meu filme é moral". Uma moral tortuosa, sem dúvida, mas enraizada na realidade daqueles que, como diz num momento de total franqueza o chefão Rooney, "nunca verão o paraíso".

Cineweb-11/10/2002

Neusa Barbosa


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