Vigaristas

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Sinopse

Dois irmãos órfãos pulam de lar adotivo em lar adotivo, sem encontrar uma família que os ame. Crescem para tornar-se uma dupla especializada em golpes. O mais novo, Bloom, está cansado dessa vida. E ainda se apaixona por uma de suas vítimas, uma milionára maluquinha e solitária.


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Crítica Cineweb

22/10/2009

Comédias que pelo menos tentam sair do padrão da maioria do gênero são sempre benvindas. Por isso, dá para celebrar a chegada de Vigaristas, segundo longa do diretor e roteirista Rian Johnson. Um cineasta que estreou em grande estilo, com A Ponta de um Crime, que venceu o Prêmio Especial do Júri no Festival de Sundance de 2005.

Um ponto a favor de Vigaristas: a história atraiu um elenco de respeito, integrado por Rachel Weisz (dona de um Oscar de coadjuvante por O Jardineiro Fiel), Adrien Brody (Oscar de melhor ator por O Pianista), Mark Ruffalo (que estrelou Ensaio sobre a Cegueira), Robbie Coltrane (o Hagrid da cinessérie Harry Potter), a atriz japonesa Rinko Kikuchi (de Babel) e o veterano austríaco Maximilian Schell.

Uma qualidade que atraiu todos esses talentos foi, certamente, a possibilidade de atuar numa história em que o nível de inteligência é bem acima da média. Assim, os personagens não passam o tempo tentando ser meros engraçadinhos, repetindo piadas-clichê ou escorregando em escatologias. Aqui se está longe do universo adolescente-debiloide da esmagadora maioria das comédias voltadas a um grande público. O que não quer dizer que todos os elementos da receita deram certo, mas foi uma boa tentativa, que merece respeito.

O enredo: dois irmãos órfãos passam a infância perambulando de um lar adotivo para outro, sem encontrar parada fixa. Antes que alguém se compadeça da sorte das duas criaturinhas, é bom saber que se trata de uma dupla de pequenos meliantes. Sua especialidade: bolar um jeito de tirar uma graninha dos coleguinhas de escola com altas histórias envolvendo um falso tesouro numa gruta. E assim eles crescem, para tornar-se Stephen (Ruffalo), o mais velho e autor intelectual dos golpes, e Bloom (Brody), o caçula atormentado com tudo isso, mas que vai na onda do irmão. Completa o trio a japonesa Bang Bang (Rinko), que fala pouco e é a especialista em explosivos.

A rotina do trio envolve pesquisar quem são os donos da grana, inventar falsas identidades e montar um esquema engenhoso para apossar-se das maiores somas possíveis. O próximo passo é viajar para bem longe do local do último golpe. Por isso, eles andam de Praga a São Petersburgo, de lá para Nova Jersey ou onde mais estiver um capital apetitoso.

O problema é que Bloom está em crise com essa vida instável e falsa. Quer viver por si mesmo dias sem roteiro prévio. Separa-se do irmão, refugiando-se em Montenegro, numa casinha com vista para o mar. A paz dura até o dia em que Stephen o reencontra e convence-o a fazer um ‘último trabalho’.

A missão de Bloom é aproximar-se de uma herdeira jovem, bela e solitária, Penélope (Rachel). O trio arranja um jeito de ela atropelar Bloom de bicicleta, o que nem é tão difícil, dada a falta de habilidade de moça na direção de seu carrão esporte. Acontece que ela e Bloom são quase almas gêmeas. E fica cada vez mais difícil para ele dar um aplique em alguém de quem está gostando.

Como sempre, Stephen recorre ao cinismo – bota dúvidas na cabeça de Bloom sobre o próprio amor e tenta manter sua parceria de sucesso no crime. Por algum motivo, Bloom é inseguro e dependente desse irmão altamente manipulador, que foi sua única referência familiar. Não que o filme psicanalise tanto assim. Na verdade, o que perturba o equilíbrio do tom irônico da história é querer acumular peripécias demais.

Há também a questão das referências. O universo de Johnson, ainda um cineasta em formação, passa claramente pelo de Wes Anderson (Viagem a Darjeeling) e o do Steven Soderbergh de Onze Homens e um Segredo, com uma pitada de Guy Ritchie (Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes), com um humor mais fino e sem tanta violência. Não lhe faria mal ir um pouco mais atrás e beber na fonte de O Golpe de Mestre (73), de George Roy Hill, em que brilhou o talento de Paul Newman e Robert Redford. Mas talvez se deva dar novo crédito a Johnson. Apesar dos defeitos deste filme, se afinar seu estilo, seu futuro pode ser promissor.

Neusa Barbosa


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