Quanto dura o amor?

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Sinopse

Marina sai do interior e vai para São Paulo tentar carreira de atriz. Ela se hospeda no apartamento de uma advogada com quem não tem muita afinidade. Aos poucos a garota descobre os prazeres e perigos da cidade grande.


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Crítica Cineweb

01/10/2009

Em um dos momentos mais bonitos de Quanto Dura o Amor?, uma jovem atriz aspirante declama o monólogo final da peça “Tio Vania”, de Tchekhov. A fala trata, acima de tudo, da superação da dor, da infelicidade, de como precisamos seguir em frente e enfrentar os obstáculos. Ela diz algo como “pobre Tio Vania, você está chorando! Você nunca soube o que é a felicidade”. O filme corta para outra personagem, que acaba de passar por uma decepção e, mesmo assim, precisa seguir em frente.

A cena representa bem o espírito do longa de Roberto Moreira (Contra Todos), que estreia em São Paulo nessa sexta-feira: um grupo de personagens que se encontram, se desencontram, interferem na vida uns dos outros, machucam-se uns aos outros e, no fim, tentam sobreviver a essas provações. Mas, como indica Quanto Dura o Amor?, a vida continua apesar das adversidades. Como diz a personagem Tchekhoviana: “O que podemos fazer? Devemos viver. Devemos enfrentar a longa sequência de dias que seguem à nossa frente”.

E, assim, os personagens do roteiro de Moreira e Anna Muylaerte sobrevivem às provações do destino em meio a uma São Paulo sempre iluminada pelas luzes artificiais das ruas, dos carros, dos inferninhos. Em Quanto Dura o Amor? as pessoas vagam pela vida em busca da felicidade que, na visão do filme, está no encontro da alma gêmea. Mas o amor parece não durar para sempre. Marina (Silvia Lourenço) é uma jovem do interior que vem para a capital a fim de seguir a carreira de atriz. Divide apartamento com a advogada Suzana (Maria Clara Spinelli), uma bela jovem, que vive sempre na defensiva. A atitude dela, como mais tarde se revelará, não ocorre por acaso. Quando um novo dado sobre a personagem nos é revelado, é fácil entender o porquê dessa capa de proteção: provavelmente ela já foi muito ferida, passou por muitas provações.

Marina se encanta com as possibilidades de São Paulo. Se no campo profissional ocorre uma decepção atrás da outra, no terreno amoroso ela descobre algo novo na figura da cantora Justine (Danni Carlos). Uma moça livre e sem amarras que vive pela sua arte e para amar quem lhe interesse. O amor também parece sorrir para Suzana quando ela conhece Gil (Gustavo Machado), um colega de trabalho que, aos poucos, rompe a barreira de proteção.

O título do filme pergunta “quanto dura o amor” e a resposta pode estar no Soneto de Fidelidade, de Vinicius de Moraes: “que seja infinito enquanto dure”. Os personagens do filme vivem o hoje como se fosse a eternidade, por isso o amor do presente parece que será para sempre. Mas Marina e Suzana, de certa forma as personagens centrais do filme, estão fadadas à infelicidade, à falta de amor.

O epicentro da ação é um prédio na esquina da Avenida Paulista com a Rua da Consolação. A bela fotografia de Marcelo Trotta (O Signo da Cidade) destaca as cores artificiais da cidade e os personagens, os humanos, tentam sobreviver numa selva de pedra e neon. Raramente São Paulo está tão bonita na tela do cinema, com a cara que realmente possui e não como é vista por quem não é da cidade.

Premiadas no Festival de Paulínia, Silvia e Maria Clara desenvolvem personagens humanos e com nuances. Embora, de vez em quando as situações tendam a pender para um certo esquematismo - especialmente uma envolvendo um escritor e sua paixão - Quanto Dura o Amor? se destaca pela honestidade. Aqueles personagens, assim como o filme, não aspiram a ser muito mais do que realmente são. E, como nos lembram as imagens finais, tal qual Tio Vanya, enfrentamos a longa sequência de dias sobrevivendo à provações e aos obstáculos.

Alysson Oliveira


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