A Verdade Nua e Crua

A Verdade Nua e Crua

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País


Sinopse

Abby é uma produtora de televisão cansada da sua solteirice. Um novo apresentador de televisão machista começa a lhe dar uns conselhos e a vida dela muda radicalmente.


Extras

- Trailers (sem legendas)
- Cenas Selecionadas com Comentários do Diretor e Produtor
- Finais Alternativos
- Cenas Eliminadas e Estendidas
- Sequência de Pegadinhas
- A Verdade é Feia: Pontos de Vistas de Homens e Mulheres
- A Arte do Riso: Fazendo Propostas Hilárias


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

17/09/2009

Comédias românticas parecem existir desde quando o mundo é mundo, por isso andam tão desgastadas e previsíveis. A Verdade Nua e Crua pode não ser o fundo do poço, mas é mais um prego colocado no caixão do gênero que parece dar seus últimos suspiros.

Estão longe os tempos em que comédia romântica combinava charme com sagacidade. As décadas de 1930 e 1940, com filmes como Levada da Breca e Jejum de Amor, apontavam um futuro feliz para o gênero que, nos anos de 1980 e 1990, ainda parecia saudável. Na época, Hollywood fazia filmes como Harry e Sally – Feitos um Para o Outro.

A primeira década do século 21 se aproxima do fim e o que o cinema tem a oferecer, combinando humor e romance, atende por nomes como A Proposta, Vestida Para Casar e A Verdade Nua e Crua. Todos são uma espécie de plágio requentado da fórmula de sempre. Os personagens são Ela e Ele. Muito diferentes, brigam feito cão e gato no primeiro ato do filme. Depois de uma trégua, percebem que podem ficar bem juntos. No final, um dos dois acaba voltando para o (a) ex-namorado (a), mas percebe que o grande amor de sua vida é aquela pessoa cujo nome vem junto do dela nos créditos do filme.

Em A Verdade Nua e Crua, Ela é interpretada por Katherine Heigl (forte candidata ao posto da atual rainha das comédias românticas) e atende pelo nome de Abby. Produtora de televisão, trabalha demais e não tem nem tempo para encontrar um novo namorado. Essa função cabe à sua assistente (Bree Turner), que não apenas arma os encontros como dá dicas de como ela deve se comportar.

Ele é interpretado pelo escocês Gerard Butler (300), um sujeito boca suja e misógino que ganha a vida dando conselhos num programa de televisão de madrugada. Claro que a vida dos dois personagens vai se cruzar e eles vão brigar muito para depois perceberem que o filme será muito previsível. Ele é contratado para trabalhar no programa que ela produz – um talkshow apresentado por um casal cinquentão, que dá conselhos sentimentais, culinários ou o que mais for preciso para aumentar a audiência.

Mike – esse é o nome do sujeito – bate de frente com Abby e logo é capaz de desvendá-la: solteira, sexualmente frustrada e à espera de um príncipe encantado, que existe e mora na casa ao lado. O acordo entre os dois inimigos é simples: Mike ajuda Abby a conquistar o rapaz e ela, em troca, o ajuda no programa de televisão, porque juntos podem elevar a audiência à estratosfera.

É curioso como, para Hollywood, uma mulher jamais é considerada bem-sucedida se não tiver um homem ao seu lado. A satisfação profissional de nada vale se não existir um príncipe em sua cama para chamar de seu, mesmo que para isso ela precise adotar um comportamento grosseiro, vulgar e machista – afinal, quem tem o poder é o homem. E é assim que Abby começa a agir para conquistar seu vizinho: fazendo tudo igual a Mike, desde o vocabulário até as atitudes.

Roteirizado por três mulheres e dirigido por Robert Luketic (que fez bem melhor em Legalmente Loira), A Verdade Nua e Crua não chega a ser ofensivo. Apenas tenta fazer humor de fórmulas batidas combinadas com uma visão de mundo bastante machista.

Harry e Sally..., por exemplo, é plagiado numa cena num restaurante quando Abby usa uma calcinha com vibrador acoplado e o controle remoto cai nas mãos de uma criança. A reação da personagem a cada choque recebido pretende remeter à já clássica simulação de orgasmo de Meg Ryan, também num restaurante, no filme da década de 1980. Mas o esforço de Katherine Heigl é vão. Nem tanto por culpa dela, mas por conta do próprio filme, no qual nem a baixaria consegue ser engraçada.

Se é para ser vulgar, que seja como Se Beber Não Case ou os filmes de Jude Apatow (Ligeiramente Grávidos, O Virgem de 40 Anos), que pelo menos extraem humor da baixaria, sem a pretensão de serem levados a sério. Não que A Verdade Nua e Crua tente se levar a sério, mas também não diverte – apenas constrange.

Alysson Oliveira


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